O ano começou com uma tendência na internet, ou “trend”, como se diz, em inglês, como tudo o que se refere à web. O lema é: “2026 é o novo 2016”, e está associado à nostalgia de uma década. Lançado em 2016, o Fiat Mobi se insere nesse contexto. O subcompacto chegou às lojas, no mês de abril, com preços a partir de R$ 31.900 em seis versões, para concorrer com o VW Up!.
Referência em segurança, o Up! tinha a porta traseira em aço, embora na Europa houvesse um porta com acabamento em vidro (mais cara de ser produzida aqui). E a Fiat não pensou duas vezes: instalou uma porta de vidro, simples, deixando a função de segurança para as outras partes do carro – para-choque, piso, colunas. O Up! saiu de linha em abril de 2021 e o Mobi segue com sua porta de vidro e as muitas outras coisas de seu projeto.
O mercado mudou, o Mobi hoje é apresentado em duas versões, Like (R$ 82.560) e Trekking (R$ 84.990), mostrada aqui, e o principal concorrente é o Renault Kwid, lançado em 2017. No ano passado, o Fiat foi o oitavo modelo mais emplacado do ano, com 73.011 carros vendidos. Neste ano, porém, já caiu para a décima posição do ranking de vendas – foi ultrapassado pelo BYD Dolphin Mini.

Agora, após dez anos de seu lançamento, o Fiat Mobi não está exatamente no gosto dos brasileiros, porque quase a totalidade de suas vendas em 2025, mais precisamente 69.835 unidades (ou 95,6%), foram pelo canal de venda direta, ou seja, para empresas, frotistas, e apenas 3.176 unidades saíram pelo varejo. O que mostra que esse produto, para quem vai comprar um carro na concessionária, já não é tão atrativo.
Equipamentos opcionais
Apesar de parecer igual, ao longo dos anos a frente passou por alterações. O para-choque e a grade dianteira tiveram leves mudanças. Os faróis halógenos permanecem. Mais abaixo está a luz de neblina, que é opcional e faz parte do Pack Essential (R$ 990). O kit engloba também cintos de segurança dianteiros com regulagem de altura, comando interno de abertura do porta-malas e da tampa do tanque de combustível, retrovisores externos elétricos com função Tilt Down (rebatimento automático do retrovisor direito ao acionar a ré) e repetidores de seta nos retrovisores, além de revestimento parcial do porta-malas.


O visual da versão Trekking também conta com adesivos no capô, nas laterais e no porta-malas, além de barras de teto. O que concede a ele um sabor aventureiro, isso somado a sua altura em relação ao solo de 189 mm – o Pulse, que é um SUV, tem 188 mm. Nas laterais, o carro da avaliação foi equipado com rodas de liga leve aro 14 com desenho em preto e pneus 175/65, presentes no pacote Pack Top (R$ 2.000). Esse opcional também inclui sensores de estacionamento. Na traseira, nada mudou: segue o mesmo desenho. O porta-malas de 200 litros é pequeno, mas atende a proposta do carro.

Painel igual ao da Strada
Por dentro, o banco de trás oferece um espaço apertado. Quem tem mais de 1,80 metro pode sofrer um pouco e até bater a cabeça no teto quando o carro passar por algum buraco. O material das portas é um plástico rústico com leves desenhos e a janela tem abertura à manivela – como na maioria dos modelos de entrada de 2016. Há um porta-copos, como algo diferente na parte de trás.


A dianteira da cabine é o local que concentra a maioria das novidades que chegaram na linha 2026. O carro ganhou um novo painel, o mesmo presente na Strada e Fiorino. Essa atualização também mudou o quadro de instrumentos (agora, analógico com uma tela digital no centro) e o volante multifuncional de três raios, que é o mesmo de Argos e Cronos. Há comandos de voz e botões para troca de música e estação de rádio no volante, que é elétrico e conta com regulagem de altura.

A tela multimídia de 7” tem Android Auto e Apple CarPlay com conexão sem fio. E aqui uma surpresa: a central multimídia é muito boa, continua funcionando mesmo em locais sem internet, conecta fácil e não apresenta interrupções. Merecia uma tela maior. O som cumpre bem seu papel. Outro ponto positivo são os comandos por botões, seja para o volume do som ou para o ar-condicionado, eles estão bem posicionados e fáceis de manusear, mesmo durante a condução. O porta-objetos no painel auxilia muito e há apenas uma entrada USB do tipo A.

Destaque também para o porta-óculos acima da cabeça e um espelhinho extra que ajuda a observar as crianças no banco de trás. Para quem senta à frente, os vidros são elétricos e há travas elétricas para todas as portas. Os bancos, apesar de apresentarem uma espessura muito fina, não chegam a ser desconfortáveis, em viagens curtas e há ajuste de altura para o motorista.

Troca de Motor
Em janeiro de 2025, o motor Fire de quatro cilindros foi trocado por outro conhecido dos brasileiros, o Firefly 1.0 de três cilindros, da antiga versão Mobi Drive 1.0, descontinuada em 2020. Com a mudança, o Fiat Mobi ficou ligeiramente mais esperto e econômico. Agora, ele desenvolve 75 cv com etanol e 71 cv de potência com gasolina. São 10,7 kgfm de torque com etanol e 10 kgfm com gasolina – antes, ele fazia 71 cv e 9,3 kgfm a gasolina e 74 cv e 9,7 kgfm com etanol. O conjunto está associado ao câmbio manual de cinco marchas.
No trânsito ou na estrada, ele é bem lento e, em nossa pista de testes, fez de 0 a 100 km/h em 15,5 segundos, com gasolina. Esse desempenho é melhor que o conseguido com o motor Fire, nessa prova: 18,3 segundos. Se perde em velocidade, ganha em economia. Desta vez, o Mobi fez 14,1 km/l, na cidade, e 16,6 km/l, na estrada. Enquanto o antigo conseguiu 12,2 km/l e 15 km/l, respectivamente. O Kwid, com 71/68 cv, 10/9,4 kgfm (etanol/gasolina), obteve 14,2 e 16,7 km/l (cidade/estrada).
Veredicto
Em 2016, os carros de entrada não precisavam ter tanta tecnologia como hoje em dia. Mas, seguir as trends da internet hoje, exige uma certa abnegação por parte do motorista.
★★★
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
O acabamento tem plástico rígido nas portas, e o painel é onde estão os melhores materiais. As peças são bem confeccionadas, mas a montagem peca nos encaixes.
★★★
TECNOLOGIA
O quadro de instrumentos é confuso para configurar de início. A estrela do Mobi é sua central multimídia, que, apesar de pequena (7”), funciona muito bem. Os sensores de estacionamento são opcionais.
★★☆
VIDA A BORDO
Os bancos dianteiros são bem finos, mas não chegam a ser totalmente desconfortáveis. Há saídas de ar apenas na frente. Atrás, o espaço é apertado.
★★☆
RENDIMENTO
As acelerações são lentas e o motor chora em ladeiras íngremes. Mas o fraco desempenho é compensado pela economia de combustível, pincipalmente na estrada.
★★★
COMPORTAMENTO DINÂMICO
O Mobi é fácil de manobrar. Tem direção direta e suspensão firme. Por ser compacto e leve, fica mais suscetível a ventos laterais, mas não chega a ser inseguro.
★★★☆
SEGURANÇA
Como era de esperar, nessa faixa de preço, o Mobi traz apenas os itens obrigatórios: ABS e duplo airbag frontal.
★★
SEU BOLSO
O preço é o principal atrativo. O que faz dele um campeão entre frotistas. A versão básica Like custa R$ 82.560 e a Trekking, R$ 84.990.
★★★
Ficha Técnica – Fiat Mobi Trekking
Motor: flex, dianteiro, 3 cil., aspirado, 6V, 999 cm³, 71/75 cv (gasolina/etanol) a 6.000 rpm, 10/10,7 kgfm a 3.200 rpm
Câmbio: manual, 5 marchas, tração diant.
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), eixo de torção (tras.)
Freios: disco com pinça flutuante (diant.), tambor (tras.)
Pneus: 175/65 R14
Dimensões: compr., 359,6 cm; larg., 166,6 cm; alt., 155,2 cm; entre-eixos, 230,4 cm; porta-malas, 200 litros; peso, 969 kg; vão livre do solo, 189 mm; tanque de combustível, 44 litros
Teste Quatro Rodas – Fiat Mobi Trekking
| Aceleração | |
| 0 a 100 km/h | 15,5 s |
| 0 a 1.000 m | 37,1 s / 135,4 km/h |
| Velocidade máxima | 164 km/h* |
| Retomadas | |
| D 40 a 80 km/h | 8,2 s |
| D 60 a 100 km/h | 13,1 s |
| D 80 a 120 km/h | 32,5 s |
| Frenagens | |
| 60/80/120 km/h a 0 | 15/27/62,4 m |
| Consumo | |
| Urbano | 14,1 km/l |
| Rodoviário | 16,6 km/l |
| Ruído interno | |
| Neutro/RPM máx. | 45,5 / 73,4 dBA |
| 80/120 km/h | 68,4 / 73,4 dBA |
| Aferição | |
| Velocidade real a 100 km/h | 95 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 3.000 rpm |
| Volante | 2,5 voltas |
| SEU Bolso | |
| Preço básico | R$ 84.990 |
| Garantia | 3 anos |
Condições de teste: alt. 660 m; temp., 25 °C; umid. relat., 82%; press., 756 mmHg. Realizado no ZF Campo de Provas.
*Dado de fábrica.
Assistência ao motorista

Sensor de estacionamento (op.)
Ergonomia

A: 144 cm (diant.) / 138 cm (tras.) B: 95 cm (diant.) /92 cm (tras.) C: 98 cm (diant.) / 80 cm (tras.)

















