O baixo engajamento dos funcionários provocou perdas estimadas em US$ 10 trilhões para a economia global no último ano, o equivalente a cerca de 9% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial, segundo a consultoria Gallup. Durante a conferência Jobs for the Future Horizons, realizada na segunda-feira, 13, o CEO da empresa, Jon Clifton, afirmou que solucionar os problemas dos ambientes de trabalho pode ser um desafio ainda mais distante do que a meta de Elon Musk de levar humanos para Marte.
“Estamos mais perto de colonizar Marte do que de consertar o ambiente de trabalho disfuncional do mundo”, disse Clifton durante o painel. Segundo a Gallup, cerca de 80% dos trabalhadores no mundo estão desmotivados, enquanto os índices de engajamento vêm caindo nos últimos dois anos e retornaram a níveis semelhantes aos registrados em 2020.
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A declaração faz referência aos planos anunciados por Elon Musk para a exploração espacial. Neste ano, o empresário afirmou esperar que a SpaceX comece a construir uma cidade em Marte entre cinco e sete anos. Para Clifton, porém, os problemas relacionados à baixa motivação, à má gestão e à queda do moral nas empresas continuam sem perspectiva de solução.
Gestão é apontada como principal desafio
Apesar do cenário, a Gallup afirma que a insatisfação não está relacionada ao trabalho em si. De acordo com a consultoria, 80% dos profissionais dizem gostar das atividades que desempenham. “O problema, portanto, não é o trabalho. O problema é o ambiente de trabalho”, afirmou Clifton.
O executivo atribui boa parte desse cenário à qualidade da liderança. Segundo ele, “ter um bom ou mau gestor é responsável por 70% da variação da insatisfação no trabalho”. Clifton acrescentou que, sem mudanças na gestão, as empresas tendem a perder ainda mais o engajamento dos funcionários. “Se você não corrigir isso, vai acabar com a motivação desses colaboradores”, disse.
O avanço da inteligência artificial (IA) também tem ampliado as preocupações dos trabalhadores, especialmente entre os mais jovens. Dados apresentados pela Gallup mostram que, entre 2025 e 2026, o entusiasmo da Geração Z com a tecnologia caiu 14%, enquanto os sentimentos de raiva aumentaram 9%. “Vimos a esperança despencar”, afirmou Clifton, ao relacionar esse movimento à crescente ansiedade sobre os impactos da IA no mercado de trabalho.
Para Aneesh Raman, diretor de oportunidades econômicas do LinkedIn, a insegurança decorre da percepção de que o futuro da IA está sendo definido por executivos e desenvolvedores, sem participação dos trabalhadores. Ainda assim, ele defendeu que a tecnologia pode ampliar o acesso ao conhecimento quando aplicada de forma adequada.
A Gallup conclui que esse potencial depende principalmente da atuação das lideranças. Segundo a consultoria, funcionários que afirmam receber apoio dos gestores para utilizar IA têm oito vezes mais chances de acreditar que conseguem desempenhar suas funções da melhor forma possível. Como resumiu a empresa em declaração à Fortune, “a oportunidade reside nos gestores, e não apenas na tecnologia”.
