As famílias das 62 vítimas da queda do voo 2283 da Voepass, que caiu em Vinhedo em agosto de 2024, tiveram acesso antecipado ao relatório final do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Cenipa). Após a divulgação do documento, parentes afirmaram que as conclusões confirmam falhas apontadas desde o início das investigações e reforçam a expectativa de responsabilização dos envolvidos.
Segundo os representantes das famílias, o relatório encerra uma etapa da busca por respostas, mas abre uma nova fase: a da apuração criminal e da responsabilização dos responsáveis pela tragédia.
Famílias de vítimas da Voepass
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Para a advogada Elizabeth Redivo, mãe da nutricionista Ana Carolina Redivo, uma das vítimas, o relatório confirmou situações que, segundo ela, poderiam ter evitado o acidente.

“É o cumprimento de uma primeira etapa. Era a espera de uma resposta que a gente ainda fica perguntando por quê, mas algumas situações que foram levantadas ao longo dos anos agora se confirmaram”, afirmou.
Segundo Elizabeth, a principal conclusão do relatório foi a constatação de que o acidente poderia ter sido evitado.
“O que mais chocou foi saber que poderia ter sido evitado e não foi. Existia uma prática da companhia de voar com problemas na aeronave que não eram registrados nos diários de bordo”, disse.
Ela afirmou ainda que espera a responsabilização dos envolvidos.
“Nossa esperança é que a Justiça seja feita e que isso sirva de lição. Se não houver punição, tudo terá sido em vão.”

“Não foi um acidente, foi um crime”, diz presidente da associação
A presidente da Associação dos Familiares das Vítimas do Voo 2283, Fátima Albuquerque, mãe da médica Arianne Risso, afirmou que o relatório representa o encerramento de uma etapa e o início de uma nova mobilização.
“Representa o fim de um ciclo e o começo de outro ainda maior. O relatório traz a confirmação técnica de hipóteses que foram levantadas inúmeras vezes ao longo da investigação.”
Na avaliação dela, as conclusões apontam para uma responsabilidade criminal.
“Hoje ficou comprovado que não foi um acidente, foi um crime. As vítimas fomos nós, nossos filhos, e o relatório confirma a cultura que existia dentro daquela empresa.”
Fátima afirmou que as famílias agora aguardam a conclusão do inquérito conduzido pela Polícia Federal.
“Vamos aguardar o fim do inquérito da Polícia Federal para que todos os envolvidos sejam responsabilizados.”
Ela também defendeu o fortalecimento da fiscalização da aviação civil.
“Precisamos fortalecer a Anac, com mais recursos, mais profissionais e mais capacidade de fiscalização. Não adianta aplicar multas se depois elas acabam sendo suspensas pela Justiça.”
Segundo Fátima, a cultura organizacional da empresa favorecia a repetição de práticas inadequadas.
“Quem denunciava não via resposta, não via retorno. Isso fez com que pilotos e demais profissionais passassem a tratar essas situações como algo normal.”

Mãe da vítima mais jovem diz que objetivo é evitar novas tragédias
Adriana Ibba, vice-presidente da associação e mãe de Liz Ibba dos Santos, de 3 anos, a vítima mais jovem do acidente, afirmou que havia grande expectativa pela divulgação do relatório.
“Esse momento era aguardado desde o início. Existia uma ansiedade muito grande em relação a esse documento. Na minha opinião, o relatório foi apresentado de forma bastante clara.”
Segundo Adriana, o documento confirmou problemas que as famílias já conheciam.
“Nos bastidores, eu já tinha conhecimento de algumas condutas inadequadas da empresa, mas é estarrecedor saber tudo o que deixou de ser feito e que poderia ter evitado essa tragédia.”
Ela afirmou que a mobilização dos familiares busca impedir que falhas de segurança sejam tratadas como algo normal na aviação.
“Nosso trabalho é para que nenhuma mãe passe pela dor que eu e tantas outras mães, esposas, avós e tias estamos vivendo. É para que a insegurança na aviação nunca seja normalizada.”
Adriana também destacou que as conclusões do Cenipa poderão subsidiar as medidas judiciais adotadas pelas famílias.
“O Cenipa aponta caminhos para fortalecer a segurança operacional, mas esse relatório também será um elemento importante para a ação criminal.”
Ao falar sobre a filha, fez um desabafo emocionado.
“Minha filha tinha apenas 3 anos. Era uma criança saudável, em pleno desenvolvimento. Eu cuidei, eu amei e eu zelei por ela. Não dei o direito de matarem a minha filha.”
Famílias acompanham agora a investigação criminal
Com a conclusão da investigação técnica do Cenipa, os familiares afirmam que a prioridade passa a ser o acompanhamento do inquérito conduzido pela Polícia Federal e a responsabilização criminal dos envolvidos.
Eles também defendem mudanças nos mecanismos de fiscalização e de segurança da aviação civil para evitar que tragédias semelhantes voltem a acontecer.
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