Moradores de Campinas que utilizam o sistema Pai-Serviço, transporte gratuito destinado a pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida, denunciaram uma piora na qualidade do atendimento. Entre as principais reclamações estão atrasos frequentes, problemas de manutenção nas vans e falhas na segurança durante o transporte.
O serviço, oferecido pela Empresa Municipal de Desenvolvimento de Campinas (Emdec), funciona por meio de agendamento e realiza o transporte porta a porta, diferentemente das linhas convencionais de ônibus. Nos últimos anos, porém, usuários afirmam que a qualidade do atendimento tem caído.
Além dos atrasos, que comprometem consultas médicas, tratamentos e outros compromissos, passageiros também relatam dificuldades relacionadas às condições dos veículos e à estrutura utilizada para o embarque e desembarque.
Queda dentro da van
Uma das ocorrências envolveu uma idosa de 76 anos, que caiu da cadeira de rodas durante uma viagem após, segundo a família, o cinto de segurança ter sido colocado de forma inadequada.
“A motorista freou bruscamente e minha mãe, que estava com o cinto muito frouxo, acabou escorregando”, relatou Daniella Von Schneider, filha da passageira.
Segundo ela, a mãe estava presa apenas pelo cinto individual, sem estar devidamente fixada à cadeira de rodas.
“Normalmente tem o cinto que prende a cadeira de rodas e outro que prende a pessoa. Ela não estava presa junto à cadeira. A cadeira ficou e ela escorregou por baixo do cinto. Eu falei com ela e ela comentou que estava sem o cinto correto, então conversei com a motorista.”
A idosa sofreu ferimentos no pé e precisou procurar atendimento médico após o acidente.
Daniella conta que utiliza o Pai-Serviço desde antes da pandemia e percebe uma piora no atendimento.
“A gente usa o serviço desde antes da pandemia, só que sentimos que ele foi piorando. Às vezes pegamos um carro bom, outras vezes um veículo todo quebrado, com dificuldade para descer a plataforma.”
Ela também afirma que, apesar da boa vontade dos profissionais, falta capacitação.
“Os motoristas sempre foram muito atenciosos, porém também dá para perceber a falta de treinamento que eles têm.”
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Problemas frequentes
Outra usuária, Regina Luciano, também relata dificuldades enfrentadas diariamente por ela e pelo filho. Segundo Regina, a família registra todas as ocorrências e reclamações relacionadas ao serviço.
“Às vezes minha filha usa o meu carro. Quando isso acontece, preciso chamar ela no trabalho para vir me ajudar ou pedir auxílio aos vizinhos.”
Ela também aponta falhas estruturais nas vans.
“Tem porta que não pára direito, aí preciso segurar para ela não bater na rampa. Às vezes os equipamentos que prendem a cadeira também estão meio soltos.”
Reclamações aumentam
Dados da Emdec mostram que as reclamações formalizadas sobre o Pai-Serviço têm sido relevantes nos últimos anos:
- No primeiro semestre de 2026 foram registradas 93 reclamações.
- Nos 12 meses do ano passado, foram 214 registros.
- Em 2024 foram 180 denúncias nos 12 meses.

As principais queixas envolvem atrasos, falta de pontualidade e problemas na qualidade dos veículos adaptados utilizados para transportar pessoas em cadeira de rodas.
Segundo os usuários, os atrasos fazem com que muitos passageiros percam consultas, exames, sessões de tratamento e outros compromissos importantes.
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O que diz a Emdec?
Em nota, a Emdec informou que a demanda pelo Pai-Serviço aumentou significativamente nos últimos anos e que o sistema atende cerca de 2.600 usuários cadastrados.
Atualmente, a operação conta com 55 vans adaptadas, responsáveis por aproximadamente 230 atendimentos diários.
Segundo o gerente de Controle Operacional da Emdec, José Paiola, por se tratar de um serviço porta a porta, os veículos estão sujeitos às condições do trânsito e a eventuais problemas mecânicos.
“São veículos que estão circulando pelas ruas e enfrentando o trânsito. Pode acontecer uma quebra, sendo necessário aguardar a substituição do veículo, e nem sempre há outro disponível naquele momento. Isso acaba contribuindo para os atrasos, principalmente nos horários de pico.”

De acordo com o gerente, a empresa já prevê a ampliação da frota para reduzir os atrasos.
“Temos a previsão de aumentar o número de veículos para tentar minimizar esses atrasos que vêm ocorrendo.”
Paiola afirmou ainda que a Emdec exige que as vans estejam em condições adequadas de segurança e que a frequência das vistorias aumenta conforme os veículos envelhecem.
“Conforme a idade da van vai avançando, o intervalo entre as vistorias diminui, na tentativa de sanar problemas e manter os veículos em condições confiáveis de segurança e conforto.”
Sobre a capacitação dos profissionais, a Emdec informou que todos os motoristas recebem treinamento tanto das empresas operadoras quanto da própria autarquia.
“Os motoristas são treinados pelas empresas e também pela Emdec sobre como atender os usuários do Pai-Serviço e realizar os atendimentos adequadamente.”
Em relação ao caso da idosa que caiu dentro da van, a Emdec informou que a motorista ofereceu encaminhamento para atendimento médico logo após o acidente, mas que a família optou por não aceitar o atendimento naquele momento.
Com informações de Victor Hugo Bittencourt/EPTV.
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