O primeiro balanço trimestral da SpaceX desde sua abertura de capital será divulgado nesta terça-feira, 4, em um momento de forte pressão sobre a companhia. Após as ações perderem cerca de metade do valor desde o pico registrado em junho, investidores devem usar a apresentação de resultados para cobrar explicações do CEO Elon Musk sobre os prejuízos da empresa, o cronograma do foguete Starship e as perspectivas de crescimento dos principais negócios da companhia.
A expectativa do mercado é de que a empresa reporte prejuízo líquido de US$ 1,9 bilhão no segundo trimestre, equivalente a 23 centavos por ação, segundo levantamento da FactSet com analistas.
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No acumulado do primeiro semestre, as perdas devem superar os US$ 5 bilhões registrados em todo o ano passado. Apesar disso, parte dos analistas projeta uma recuperação nos próximos meses, com possibilidade de retorno à lucratividade até o fim do ano.
Investidores aguardam respostas
Além dos resultados financeiros, o mercado acompanha o fim do período de bloqueio de venda de ações (“lockup”), que começa a ser flexibilizado nesta quinta-feira, 6. Mais de 900 mil ações serão liberadas para negociação, mais que o dobro da quantidade atualmente disponível no mercado.
A expectativa de aumento da oferta de papéis contribuiu para pressionar a cotação, que encerrou a segunda-feira em US$ 114,46, abaixo tanto do pico de US$ 225 alcançado em junho quanto do preço de US$ 135 definido no IPO.
Durante a conferência com investidores, Musk também deverá ser questionado sobre o andamento dos testes do Starship, foguete desenvolvido para futuras missões tripuladas da NASA à Lua, além dos planos para expansão da constelação de satélites Starlink e do projeto de instalar centros de processamento de dados em órbita.
Rumores sobre uma possível fusão entre a SpaceX e a Tesla também podem surgir na conversa, embora nenhuma das empresas tenha confirmado negociações. Em ocasiões anteriores, Musk evitou comentar o tema, afirmando que regras da Comissão de Valores Mobiliários dos EUA impedem discussões públicas sobre o assunto.
No fim de julho, a SpaceX conseguiu colocar satélites em órbita durante um teste do Starship após um lançamento anteriormente abortado. As próximas etapas incluem tentativas de recuperar o foguete e seu propulsor com braços mecânicos instalados na base Starbase, no Texas. O Starlink continua sendo a principal fonte de receita da empresa, com contratos de internet via satélite em diversos países. A companhia também controla um negócio de inteligência artificial (IA), responsável pela ferramenta Grok, além da plataforma X, ex-Twitter.
As incertezas em torno da capacidade da SpaceX de reduzir prejuízos e transformar seus projetos em retorno financeiro colocam a divulgação dos resultados entre os eventos mais aguardados pelos investidores desde a estreia da empresa na bolsa. A expectativa é de que a apresentação de Musk ajude a esclarecer se a empresa conseguirá sustentar o crescimento prometido no IPO e recuperar a confiança do mercado.
