O novo Volkswagen Golf GTI já passou por nossas mãos em duas ocasiões diferentes: na primeira, levamos o esportivo para a nossa pista em um teste exclusivo, quando ele foi anunciado ao mercado brasileiro, em 2025; na segunda, dirigimos o modelo entre Alemanha e Áustria, com direito aos trechos sem limite de velocidade nas icônicas Autobahnen.
Nas duas, porém, andamos na especificação alemã do GTI, ainda com equipamentos e mecânica distintos do que teríamos no Brasil. Agora, enfim, a versão brasileira chega às garagens de seus donos e às nossas mãos para uma nova rodada de testes.
A nova geração do Golf GTI estreou no Brasil com status de exclusividade. Ao todo, foram cerca de 500 unidades importadas da Alemanha, divididas em dois lotes – o primeiro já esgotado. Para comprar um, não basta ter os R$ 430.000 pedidos pela marca. Era preciso comprovar histórico de posse de outros esportivos do Grupo Volkswagen, e seguir regras como não revendê-lo sem antes oferecê-lo para a recompra pela Volks.

O novo Golf GTI tem visual que exala esportividade ao mesmo tempo que sabe ser sóbrio. É uma das principais características presentes em todas as oito gerações do modelo. Na dianteira, a grade superior exibe frisos vermelhos e o logotipo GTI. Ali também há as barras iluminadas que interligam os faróis e, pela primeira vez em um VW no Brasil, o logotipo da marca também é iluminado.

Os faróis dão sequência às barras iluminadas, mas não aos frisos vermelhos, e o motivo está em uma economia do modelo brasileiro. Os faróis são full- -led, com fachos baixo e alto automáticos, mas não são do tipo matricial – os conhecidos faróis IQ.Light. Além da tecnologia mais simples, eles também dispensam o detalhe visual.
No para-choque, as grandes aberturas abrigam as luzes quadriculadas, que remetem às bandeiras das pistas de corrida. Neste caso, são faróis de neblina funcionais, e não apenas uma bela assinatura luminosa.

O GTI mantém o perfil discreto com a clássica coluna “C” larga e curva, e a sigla nas portas dianteiras. As rodas de 18” com acabamento diamantado e pneus 225/40 são o ponto de simplificação da versão nacional deste ângulo. Apesar de bonitas e proporcionais, têm pouca inspiração para um carro tão caro e exclusivo – por sua proposta de esportividade também não cabe dizer que as rodas de 18” foram escolhidas por darem mais conforto ao rodar.

Na traseira, ele ostenta duas saídas de escape com ponteiras cromadas, o logo “GTI” centralizado e um pequeno aerofólio. Como na dianteira, as lanternas são de led, mas sem a tecnologia IQ.Light e as lentes acinzentadas das peças mais sofisticadas da Europa.
Por dentro, o GTI não economiza nos detalhes, porém. O painel repete a mescla de modernidade e sobriedade do exterior, com acabamento caprichado. Há materiais emborrachados em toda a área superior do painel e das portas dianteiras, um plástico texturizado na faixa central e iluminação ambiente indireta, com diversas opções de cores.

O console tem apliques em preto brilhante, o nome “Golf” em baixo-relevo e dois porta-copos de bom tamanho. Os bancos representam o único pacote opcional disponível para o modelo no Brasil: de série, trazem as áreas centrais em tecido com a clássica estampa xadrez, em preto, cinza e vermelho. Eles também têm ajustes manuais e aquecimento.

Por R$ 15.000 a mais, no entanto, é possível ter revestimento sintético em tons mais claros, como da unidade disponibilizada pela marca para testes. Com o novo acabamento, ele também inclui sistema de ventilação e ajustes elétricos com memória para três motoristas diferentes, mantendo o aquecimento já existente.
Ainda no visual interno, mas já invadindo o assunto equipamentos, há as telas do modelo. A do quadro de instrumentos tem 10,2” e layout simples, embora funcional. A multimídia se destaca do painel com suas 12,9” e é moderna, com alta qualidade de imagem e funcionamento eficiente, além de ter Android Auto e Apple CarPlay sem fio. Em sua base, há comandos sensíveis ao toque para volume e ajustes de temperatura do ar, que é digital de três zonas.

O pacote de série inclui ainda chave presencial, teto solar elétrico, carregador de celular por indução, volante com aquecimento e som Harman Kardon de nove alto-falantes com 480 watts.
No pacote de segurança e assistências, há ACC, frenagem automática de emergência, alertas de pontos cegos, assistente de permanência em faixa e seis airbags. Por fim, há câmera apenas traseira (sem sistema 360°) e freio de estacionamento eletrônico, mas sem função auto hold. Faltas graves para o preço cobrado.

Ainda no interior, embora o Golf seja um hatch médio, não espere por grandes diferenças no espaço. Nos bancos traseiros, duas pessoas de aproximadamente 1,75 m viajarão com espaço apenas suficiente para as pernas. Não cogite levar um ocupante central, já que o túnel central é alto e o console, com as saídas e os controles de temperatura do ar, invade. O porta-malas também não se destaca com seus 344 litros.
Para o Brasil, como há apenas a configuração GTI, a falta de espaço interno pode ser justificada pela proposta de esportivo.

‘Made in BR’
A especificação brasileira do Golf GTI é menos potente em relação à alemã, já testada por nós anteriormente. Ele tem o mesmo motor 2.0 turbo EA888 a gasolina, com injeção direta e indireta de combustível, mas com 245 cv e 37,7 kgfm. Na prática, são 20 cv a menos para que o modelo siga as normas brasileiras de emissões (Proconve L8) e esteja apto à gasolina local. O torque não é alterado, bem como o câmbio, um DSG (automatizado de dupla embreagem) com sete marchas. A tração é dianteira.

Com esse conjunto, o modelo foi de 0 a 100 km/h em 6 s, nos nossos testes – apenas 0,3 s mais lento do que o modelo alemão. Na prática, não se vê diferença no desempenho, que continua empolgando em saídas a partir da inércia ou em retomadas, tudo feito de maneira eficiente e rápida – também graças ao câmbio de decisões certeiras.
Nas retomadas, as diferenças foram pequenas, mais lentas em apenas 0,4 s de 40 a 80 km/h, também 0,4 s de 60 a 100 km/h e, em 0,2 s de 80 a 120 km/h. Junto às acelerações o ronco tem destaque, com um tom grave e os divertidos “DSG Fart”, explosões no escapamento no momento das trocas de marcha causadas pela interrupção na queima do combustível.

Nas reduções, há ainda estouros, especialmente se o veículo estiver no modo Sport – além dele, estão disponíveis o Eco, o Comfort e o Individual, que alteram parâmetros de acelerador, direção e câmbio.
A condução do GTI é outra característica que atravessa todas as suas gerações. O modelo tem uma dirigibilidade prazerosa, com a direção direta e um ajuste de suspensão que faz com que o carro pareça estar andando sob trilhos, tamanha é a estabilidade. Mesmo em curvas fechadas e velocidades mais altas, não há nenhuma intenção de perda de controle. A suspensão é mais firme, como deve ser para um esportivo, mas não é dura. Isso permite que o GTI seja utilizado no dia a dia de forma dócil.

Isso também é possível pela boa altura em relação ao solo e pelo bom consumo de combustível: nos nossos testes, o modelo teve médias de 9,8 km/l na cidade e 13,2 km/l na estrada. Elogiáveis para um esportivo.
O novo Golf GTI é irretocável quando o assunto é desempenho e dirigibilidade, além de visual e acabamento que quase nos convencem de que os R$ 430.000 fazem sentido. Mas algumas economias em itens “básicos” fazem repensar.

Veredicto
O Golf GTI tem dirigibilidade e desempenho para não se colocar defeitos, mesmo com 20 cv a menos, e pode ser dócil para o dia a dia. Porém, cobra caro e deixa de lado itens essenciais por custar tanto e ter um posicionamento tão “exclusivo”.
Ficha técnica – VW Golf GTI
Motor: diant., 4 cil., turbo, transv., 1.984 cm3, injeção direta, gasolina, 245 cv a 5.000 rpm, 37,7 kgfm a 1.600 rpm
Câmbio: aut., dupla embreagem, 7 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica; diâm. de giro, 12 m
Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.)
Freios: disco ventilado
Pneus: 225/40 R18
Dimensões: comprimento, 428,9 cm; largura, 207,3 cm; altura, 144,6 cm; entre-eixos, 263,1 cm; porta-malas, 344 litros; tanque de combustível, 50 litros; peso, 1.450 kg
Testes Quatro Rodas – VW Golf GTI
Aceleração
0 a 100 km/h – 6 s
0 a 1.000 m – 25,4 s / 211,8 km/h
Velocidade máxima – 250 km/h*
Retomadas
D 40 a 80 km/h – 2,9 s
D 60 a 100 km/h – 3,3 s
D 80 a 120 km/h – 3,7 s
Frenagens
60/80/120 km/h a 0 – 14,5/24,5/53,9 m
Consumo
Urbano – 9,8 km/l
Rodoviário – 13,2 km/l
Ruído interno
Neutro/RPM máx. – 69,6 / 85,2 dBA
80/120 km/h – 85,3 / 89,9 dBA
Aferição
Velocidade real a 100 km/h – 96 km/h
Rotação do motor a 100 km/h – 1.700 rpm
Volante – 2 voltas
Seu bolso
Preço básico – R$ 430.000
Garantia – 3 anos
