A PF (Polícia Federal) indiciou 16 pessoas, entre elas o proprietário da Voepass, José Luiz Felício, pela queda do avião ATR 72-500 que matou 62 pessoas em Vinhedo, em 9 de agosto de 2024. Além dele, também foi indiciado o diretor de manutenção, Eric Cônsoli, apontado por ter uma grande influência dentro da empresa antes da crise provocada pelo acidente e pelo encerramento das atividades.
Entre os indiciados estão profissionais com experiência e formação nos setores de aviação e engenharia aeronáutica. Segundo a investigação, eles são apontados como responsáveis pelo acidente ou como pessoas que contribuíram para a tragédia por ação ou negligência.
Veja os nomes dos indiciados pela Polícia Federal pela queda do avião:
- Edson Serra Martins – Comandante do Voo PTB 2293 que não reportou a falha em TLB.
- Luciano Alves de Macedo – Comandante do Voo PTB 2204 que não reportou a falha em TLB.
- Oderlino de Campos Figueiredo – Despachante Operacional dos Voos (DOV) PTB 2293 e 2204
- John Major Viana – Despachante Operacional do Voo (DOV) PTB 2282
- Marcos Hiroyuki Sato – Despachante Operacional do Voo (DOV) PTB 2283 – voo do sinistro)
- Alex de Souza Leandro – Mecânico do pernoite responsável pelo Daily Check do PS-VPB
- William Schmidt Agatz – Gerente do CCO (Centro de Controle Operacional) da empresa
- Juliano Flores Pacheco – Gerente do MCC (Maintance Control Center)
- Raphael Limongi de Figueiredo – Chefe do CCO (centro de controle operacional
- Marcel Sarquis Moura – Diretor de Operações
- Tiago Passucci Morani- Gerente de Engenharia/Inspetor Chefe
- Carlos Alberto Costa – diretor de manutenção
- Eric Consoli – diretor técnico
- Rafael Gimenez Rodrigues – Piloto Chefe e responsável pelo FOQA
- David da Costa Faria Neto – Diretor de Segurança Operacional
- José Luiz Felício Filho – Diretor Presidente da Voepass
O relatório final do inquérito esta sendo apresentado pela Polícia Federal na tarde desta quinta-feira (6), durante entrevista coletiva. Acompanhe aqui
A investigação criminal tem como objetivo apurar se houve condutas que configuram crime e identificar eventuais responsáveis pelo acidente com o avião. O trabalho é diferente da apuração conduzida pelo Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos ), que tem caráter técnico e preventivo, voltado à identificação dos fatores que contribuíram para a tragédia, sem atribuição de culpa.
Com a conclusão do inquérito, o relatório será encaminhado ao MPT (Ministério Público Federal), que decidirá se oferece ou não denúncia à Justiça contra os investigados.
Em nota, a Voepass informou que aguardará a divulgação oficial do relatório da Polícia Federal para conhecer integralmente seu conteúdo antes de se manifestar.
Após a divulgação do relatório técnico do Cenipa, em julho deste ano, a empresa afirmou que o acidente foi o episódio mais grave de sua história e destacou que prestou assistência às famílias das vítimas desde os primeiros momentos após a tragédia.
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Conversas da cabine integram investigação
No fim de junho, representantes das famílias das vítimas tiveram acesso à transcrição das conversas registradas na cabine do avião. O material integra o laudo elaborado pelo INC (Instituto Nacional de Criminalística), utilizado como base para o inquérito da Polícia Federal.
Os diálogos eram considerados um dos principais elementos da investigação por permitirem reconstituir os momentos finais do voo, incluindo as comunicações dos pilotos sobre o sistema de degelo da aeronave, um dos pontos centrais das apurações.
O que investigou o Cenipa
Paralelamente ao trabalho da Polícia Federal, o Cenipa realizou uma investigação técnica para identificar os fatores que contribuíram para o acidente.
Entre os procedimentos realizados pelo órgão estão a análise das caixas-pretas, exames nos motores e no sistema de degelo, avaliação das condições meteorológicas, entrevistas com pilotos, mecânicos e outros profissionais, estudos sobre milhares de voos da mesma frota, testes em simuladores e análises de registros de manutenção e certificações da aeronave e da tripulação.
Após a divulgação do relatório da PF, familiares das vítimas pretendem ingressar com uma ação coletiva de responsabilidade civil por danos morais.
Relembre o acidente
O acidente com o avião ocorreu em 9 de agosto de 2024, quando um ATR 72-500, matrícula PS-VPB, fazia o voo entre Cascavel (PR) e o Aeroporto Internacional de Guarulhos (SP).
A aeronave da Voepass caiu sobre o quintal de uma residência em um condomínio de Vinhedo. As 62 pessoas a bordo — 58 passageiros.

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