O WhatsApp iniciou os testes de uma ferramenta desenvolvida para proteger usuários contra fraudes sem comprometer a privacidade das conversas, conforme divulgou a Meta em comunicado em seu blog de engenharia nesta quarta-feira (12). Chamado de “Alerta de Golpe”, o recurso opcional usa um modelo de inteligência artificial (IA) que roda diretamente no aplicativo do celular para identificar abordagens suspeitas enviadas por números fora da lista de contatos.
A tecnologia avalia a estrutura da conversa e os padrões do texto no aparelho, sem enviar o conteúdo das mensagens para os servidores do aplicativo ou da Meta. Quando o sistema detecta uma tentativa de fraude, exibe um aviso visível apenas para quem recebe o texto, sem notificar o remetente. A partir desse alerta, o usuário pode bloquear o contato, denunciar a conversa ou marcar o chat como confiável para desativar novos avisos naquele bate-papo.
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Em comunicado, os pesquisadores da big tech destacaram a motivação para o desenvolvimento da ferramenta e os avanços que permitiram a novidade:
“Como as táticas de golpes continuam a evoluir, de falsificação de identidade a engenharia social e iscas geradas por inteligência artificial, nós também estamos em constante evolução para que nossas proteções fiquem à frente dos golpistas, ao mesmo tempo em que protegemos as mensagens pessoais com criptografia de ponta a ponta. Avanços recentes em modelos de inteligência artificial no dispositivo tornaram possível executar uma classificação de texto precisa inteiramente no hardware do celular, sem os prejuízos de desempenho, bateria ou tamanho que antes tornavam isso inviável”, descreveram.
Para evitar que uma versão adulterada do sistema chegue a um usuário específico, a empresa implementou uma camada extra de auditoria externa em parceria com a Cloudflare. Cada atualização da IA passa por um registro prévio em um livro de transparência público e imutável antes da liberação.
Como funciona a arquitetura do sistema
A Meta detalhou, no comunicado, os pilares que sustentam a novidade. Segundo a empresa, o Alerta de Golpe foi projetado para respeitar as garantias fundamentais da criptografia de ponta a ponta, mantendo o modelo e as mensagens apenas no dispositivo, sem envio automático de relatórios e com controle integral por parte do usuário. “Nem a Meta nem o WhatsApp podem entregar um modelo específico para uma pessoa específica. Todas as versões são publicadas em um registro público de transparência antes de serem implantadas”, analisou a equipe.
A Meta utiliza um sistema de análise estatística que coleta apenas dados genéricos, como o número de vezes que os alertas apareceram na tela e quais atitudes as pessoas tomaram. As informações passam por processamento protegido e recebem ruídos numéricos para garantir que nenhum dado individual seja identificado ou rastreado. Os usuários podem conferir o histórico de verificações na seção de configurações do aplicativo.
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O recurso está em fase de testes limitados na versão beta e recebe contribuições da comunidade de especialistas em segurança. A empresa não divulgou uma data de lançamento para o público geral, pois o sistema passará por avaliações durante todo o período de testes.
Signal implementa verificação automática
No mesmo período, o aplicativo de mensagens Signal também anunciou um reforço na proteção dos usuários. A plataforma apresentou a verificação automática de chaves criptográficas, uma ferramenta criada para complementar o sistema de números de segurança que já existia no aplicativo.
A novidade faz checagens independentes para confirmar que nenhuma pessoa não autorizada intercepta as conversas. O sistema funciona em segundo plano e analisa se a chave de uma conta sofreu alteração sem o conhecimento do dono, situação que pode ocorrer em tentativas de invasão na infraestrutura do aplicativo.
A checagem utiliza registros de transparência auditados por organizações independentes, como Cloudflare e Trail of Bits. O recurso vem ativado por padrão, mas pode ser desativado por quem prefere manter apenas a conferência manual.
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