Campinas tem uma média de 95 veículos novos emplacados por dia em 2026. O número significa que, a cada 15 minutos, aproximadamente um veículo 0 km é registrado na cidade. Entre janeiro e julho, foram 20.114 emplacamentos, segundo levantamento da Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave).
O volume considera carros, motos, comerciais leves, caminhões e ônibus. E são justamente os dois primeiros segmentos que concentram a maior parte dos novos veículos: 11.980 automóveis e 5.772 motocicletas foram emplacados nos sete primeiros meses do ano.
Juntos, carros e motos representam 17.752 veículos, aproximadamente 88% dos emplacamentos registrados em Campinas no período.
O crescimento acontece em meio a um trânsito que já apresenta períodos de congestionamento na cidade. Para o especialista em mobilidade urbana e professor de engenharia Luiz Vicente Melo, o aumento do transporte individual contribui para deixar a circulação mais difícil.
“Nós estamos presenciando nos últimos 10 anos um aumento gradativo do trânsito na cidade de Campinas. Isso tem aumentado e estendido o tempo que esse congestionamento fica”, afirma.
95 veículos novos por dia
Os 20.114 veículos emplacados entre janeiro e julho representam uma média de aproximadamente 2.874 novos registros por mês.
Quando o número é distribuído pelos dias do período, chega-se à média de 95 veículos por dia. Em uma escala ainda menor, o ritmo equivale a um novo emplacamento a cada 15 minutos.
O dado se refere aos veículos novos registrados em Campinas e não significa que todos eles estejam circulando diariamente pelas ruas da cidade. Mas, para o especialista, quanto maior a utilização do transporte individual, maior é a pressão sobre a circulação.
“Esse impacto, com esse maior número de vendas e o uso intensivo do transporte individual, ele corrobora, ele faz com que as pessoas utilizem esse trânsito. Ele fica cada vez mais difícil de circular”, explica Melo.
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Carros representam quase 60% dos emplacamentos
Os automóveis de passeio são responsáveis pela maior parte dos veículos novos registrados em Campinas. Foram 11.980 carros entre janeiro e julho, o equivalente a 59,5% do total.
Na prática, quase seis em cada dez veículos 0 km emplacados na cidade no período são automóveis.
As motos aparecem na sequência, com 5.772 unidades, ou 28,6% dos registros.
Os comerciais leves somaram 2.007 emplacamentos, enquanto foram registrados 289 caminhões e 66 ônibus.
Emplacamentos em Campinas de janeiro a julho
- Automóveis: 11.980
- Motos: 5.772
- Comerciais leves: 2.007
- Caminhões: 289
- Ônibus: 66
- Total: 20.114

Motos já são quase 30% dos veículos novos
As motocicletas chamam atenção pela participação no total de emplacamentos.
Das 20.114 unidades registradas em Campinas nos sete primeiros meses do ano, 5.772 são motos.
Isso representa 28,6% do total, ou seja, quase três em cada dez veículos novos emplacados na cidade são motocicletas.
Para o especialista, esse crescimento também precisa ser considerado na discussão sobre mobilidade, já que o aumento da quantidade de veículos individuais interfere na circulação.
Por que mais veículos podem deixar o trânsito mais difícil?
Segundo Melo, o crescimento dos veículos individuais acontece dentro de um cenário em que diferentes fatores podem estimular a escolha pelo automóvel e pela motocicleta.
Ele cita a transformação no mercado de veículos, incluindo o aumento das vendas de veículos eletrificados, incentivos para a compra de automóveis e a redução do IPVA das motocicletas.
Ao mesmo tempo, aponta uma diferença em relação ao transporte coletivo.
“Nós estamos ainda com o transporte coletivo com um aumento anual, muitas vezes, da tarifa. Então esse desbalanço está fazendo com que as pessoas migrem para o transporte individual e acaba desfavorecendo o transporte coletivo”, afirma.
Na avaliação dele, o resultado é um aumento da pressão sobre o trânsito.
“Querendo ou não, é um crescimento que, logicamente, impacta na fluidez do trânsito”, diz.

Carros de aplicativos também entram na conta
Outro fator citado pelo especialista é a renovação da frota utilizada por motoristas de aplicativos.
Segundo Melo, incentivos para a renovação desses veículos podem fazer com que mais automóveis estejam circulando ao mesmo tempo.
“Nós também tivemos um incentivo relacionado à renovação da frota de quem tem aplicativos de transporte. Isso faz com que o número de automóveis circulando ao mesmo tempo aumente consideravelmente esse trânsito”, afirma.
Para ele, uma maior quantidade de veículos individuais também pode aumentar a exposição a situações de risco.
“Isso também aumenta a possibilidade de riscos de acidentes, que é o que nós estamos presenciando também, semanalmente, nos finais de semana, em função dessa maior exposição dos veículos individuais no trânsito”, diz.
Especialista defende alternativas ao carro e à moto
Diante do crescimento dos veículos, Melo afirma que simplesmente aumentar o espaço destinado aos automóveis não é suficiente para resolver o problema.
“Nós precisamos deixar de ampliar as vias, retirar canteiro central para colocar alguma faixa de rodagem. Aumentar essas rodovias que estão chegando na cidade de Campinas só estimula o uso maior ainda dos automóveis e motocicletas”, afirma.
Para ele, o planejamento urbano precisa considerar outras formas de deslocamento.
“Nós precisamos fazer com que o planejamento urbano favoreça também não somente o transporte público, como também a mobilidade ativa”, explica.
Entre as alternativas, o especialista cita deslocamentos a pé, bicicletas e veículos elétricos de micromobilidade, com integração às ciclofaixas, ciclovias e terminais de ônibus.

Trânsito pode ficar mais longo ao longo do dia
Melo também defende uma melhor gestão do tráfego para acompanhar o crescimento do transporte individual.
“Porque se nós só estimularmos o transporte individual, a tendência é que vai crescer cada vez mais. E esse trânsito que ainda hoje tem os seus períodos, ele vai ficar o período integral e isso vai afetar a qualidade de vida das pessoas”, alerta.
Para o especialista, dados sobre como a população se desloca podem ajudar a encontrar alternativas ao uso individual dos veículos.
A discussão ganha importância diante do ritmo registrado em Campinas: 95 novos veículos emplacados por dia, em média, nos primeiros sete meses de 2026.
Mais de 3 mil veículos foram emplacados só em julho
Em julho, foram registrados 3.163 veículos novos em Campinas.
Desse total:
- 1.979 eram automóveis;
- 741 eram motos;
- 373 eram comerciais leves;
- 63 eram caminhões;
- 7 eram ônibus.
Somente carros e motos somaram 2.720 emplacamentos no mês, o equivalente a aproximadamente 86% do total de julho.
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O que diz a Emdec
Procurada, a Emdec informou que Campinas tem adotado medidas para estimular o transporte coletivo e meios sustentáveis. Em julho, a cidade alcançou mais de 132 km de rotas cicloviárias e, entre 2021 e 2026, foram construídos 65,74 km de rotas para ciclistas. A empresa também citou os projetos Revivacidade e Caminhos do Brincar, voltados à priorização de pedestres.
Na área do transporte público, a Emdec destacou a operação gradativa de sete linhas BRT entre 2022 e 2023, com adesão de cerca de 73 mil passageiros, além da renovação da frota. Segundo a empresa, serão 137 ônibus novos ou seminovos em 2026, enquanto outros 267 foram incorporados nos últimos cinco anos. Campinas também deverá receber o Trem Intercidades (TIC) São Paulo-Campinas e o Trem Intermetropolitano (TIM) Jundiaí-Campinas.
A empresa informou ainda que a nova licitação do transporte público prevê a renovação de 100% da frota, incluindo os veículos do BRT, com ar-condicionado, Wi-Fi, tomadas USB, câmeras CFTV, GPS e computador de bordo.
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