Em um mercado de redes sociais com produção intensa de conteúdo em texto ou vídeo, uma plataforma já bastante veterana segue ativa no mercado, se reinventando de acordo com as novidades. É o Pinterest, ambiente de referência até hoje para segmentos como moda, arquitetura e estilo de vida.
Com foco em publicação de fotos, ilustrações e materiais gráficos em geral para serem usados como portfólio, referência ou apenas mostrar o que é do seu interesse, a plataforma sobrevive mesmo de forma mais discreta e contra concorrentes de peso com propostas diferentes, como o Instagram.
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A trajetória desse serviço, porém, revela ainda mais detalhes sobre como ele funciona e que tipo de público foi atraído por essa proposta tão diferente. A seguir, conheça mais sobre a história do Pinterest e como ele sobrevive nessa indústria tão competitiva.
Como surgiu o Pinterest?
A trajetória do Pinterest começa em 2008 com um aplicativo chamado Tote, uma espécie de loja online conectada a vários estabelecimentos de vestuário, design e decoração.
Nele, além de fazer as compras, você podia salvar os itens que mais te chamavam a atenção e fazer tipo uma coleção virtual de imagens. Ou seja, ele era uma espécie de catálogo virtual, permitindo a busca e compra por produtos específicos, contando ainda com artigos para ler sobre o assunto e ficar por dentro da moda.
O projeto deu errado, especialmente pela dificuldade de encontrar financiamento e sem tanta popularidade em downloads, mas um recurso em especial era bastante elogiado e utilizado: na pesquisa da ferramenta, as pessoas estavam buscando não marcas específicas, mas termos gerais como nomes de produtos ou objetos em busca de referências.
Em novembro de 2009, esse recurso vira o foco de um novo projeto, e aí começa o desenvolvimento do que viria a ser o Pinterest. Porém, leva um ano até que a equipe poste a primeira foto da história da plataforma, um projeto de papelão com a imagem de um casal trocando beijos em uma bicicleta.
Quem criou a plataforma
O Pinterest nasce a partir de ideias e ações de três pessoas que entraram em fases diferentes do projeto: Ben Silbermann, Evan Sharp e Paul Sciarra.
Silbermann trabalhou na divisão do buscador da Google e, depois de alguns anos sentindo-se estagnado, abre uma desenvolvedora de software chamada Cold Brew Labs para captar ideias e recursos. Já Sciarra foi colega de universidade de Paul, deixou o emprego em uma empresa de investimentos para integrar a companhia e participou do lançamento do Tote.
O último a se juntar ao empreendimento foi Sharp. Ele se graduou em História e Arquitetura antes de trabalhar com design de produto no Facebook e se especializar em interfaces do usuário.
Dos três executivos, apenas Silbermann continua no Pinterest. Ele foi CEO de 2010 até junho de 2022, mas passou o cargo para Bill Ready e agora ocupa a cadeira de Presidente do Conselho de Administração não executivo.
Sharp deixou o cargo de Chief Design & Creative Officer em 2021 e não faz mais parte também do conselho da plataforma. Já Sciarra, que foi o primeiro gerente executivo, deixou as operações do Pinterest em 2012 para virar investidor.
Qual era a proposta inicial da rede social
O objetivo do Pinterest era ser um espaço de compartilhamento e armazenamento de fotos bonitas, curiosas, interessantes. Ele funciona como um mural de inspirações, em que o usuário pode criar categorias e buscar imagens relacionadas ao tema — como roupas, decoração, tatuagens e vários outros assuntos.
O nome da plataforma é uma mistura de “pin”, que é alfinete em inglês e representa também uma postagem salva, com “interest”, que é interesse. E a ideia era que você fizesse como se fosse um mural virtual, salvando lado a lado as imagens que mais chamavam a sua atenção e descobrindo novos conteúdos.
Dessa forma, quem queria fazer um projeto de reforma, planejar uma festa ou uma viagem, redecorar a casa ou pensar em uma mudança no visual acabava criando um perfil no Pinterest para organizar listas ou publicar os próprios trabalhos.
Como o Pinterest se tornou um sucesso?
O projeto começa mesmo a ganhar força em março de 2011, com o lançamento do app para iPhone, que foi um verdadeiro sucesso. Já no final deste ano, o Pinterest se torna uma das dez redes sociais mais famosas dos Estados Unidos — acima de um certo serviço chamado Instagram, ainda jovem e básico em possibilidades.
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Em 2012, a empresa recebe o seu primeiro investimento de grande porte totalizando US$ 100 milhões, além de chegar ao marco de 11,7 milhões de usuários únicos, um grande número para a época.
Foi nesse período que foi lançada a versão em português do Brasil da plataforma, além dos painéis privados para quem deseja salvar conteúdos sem deixar a lista pública.
A chegada dos recursos de compra e venda
É só a partir de 2014 que a rede social começa a gerar receita própria, vendendo espaços para anunciantes e permitindo ainda que empresas promovam Pins para ampliar o alcance deles em buscas.
Um ano depois, ela amplia as possibilidades de receita com um recurso que lembra o aplicativo original que deu origem ao Pinterest.
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A funcionalidade é a dos Pins Compráveis, ou Pins de produto. Como o nome já entrega, são imagens que levam você a comprar um item exibido na rede, direcionando o usuário para o site da loja a partir de um link direto.
Isso tornou o Pinterest uma espécie de canal de vendas, para além de ser um espaço de ideias. Ele não virou exatamente um comércio eletrônico, mas facilitou transações para outros aplicativos e ajudou a atrair vendedores de roupas, artesanato, arte e outros temas.
Quais são os principais recursos do Pinterest?
Ao longo dos anos, o Pinterest adicionou diferentes funcionalidades nos Pins e formatos especiais de postagens, ampliando a experiência de interação com a rede social. Alguns destaques incluem:
- o Feed personalizado, uma página inicial que usa algoritmos para recomendar novos Pins com base em seus interesses de navegação, como outros Pins salvos;
- os Pins Avançados, que sincronizam informações de um site ou blog com uma postagem no Pinterest;
- a Pesquisa Orientada, que são guias descritivos que conduzem quem faz uma pesquisa na plataforma ainda sem saber exatamente o que está procurando ou que termos usar na busca;
- a Busca visual via câmera, em que você pode enviar uma fotografia ou usar a fotos tiradas naquele momento pelo celular para encontrar imagens semelhantes;
- usar as Pastas Compartilhadas em projetos conjuntos, para que mais de uma pessoa adicione Pins para inspirações e pesquisas.
Como a plataforma está hoje em dia?
Em termos estratégicos, o Pinterest nos últimos anos deixou de competir apenas como uma rede social de inspiração visual, como ela foi conhecida ao longo do tempo, e segue bastante ativa como uma referência no setor gráfico e visual.
Agora, ela se posiciona como uma plataforma de descoberta visual inteligente, reunindo mecanismos de busca, curadoria algorítmica, inteligência artificial (IA) e comércio eletrônico na mesma plataforma.
O serviço não adotou objetivos como fazer amizades e permitir a viralização de posts, como outros rivais de conteúdos visuais. Porém, ele passou a oferecer recursos para usuários comuns ou criadores de conteúdo antes restritos a contas comerciais ou a formatos específicos.
Eles incluem mais ferramentas de edição para Pins, inclusão de links e até uma forma simplificada de criação de vídeos. Além disso, a adição de funcionalidades e ilustrações de IA ampliou o escopo da plataforma, mas também trouxe pontos negativos.
O aumento da quantidade de imagens artificialmente gerou muitas críticas, a ponto do Pinterest criar filtros que podem restringir a quantidade desses conteúdos no seu feed. A falta de curadoria no acervo também rende polêmicas, como o armazenamento de documentos pessoais e de identificação de brasileiros.
Que fim levou o Google+, rede social que prometia muito e virou um grande flop? Descubra nesta matéria!
