Pesquisadores da iniciativa de segurança SSD Secure Disclosure identificaram uma vulnerabilidade grave em processadores móveis da fabricante chinesa Unisoc. A brecha permite que invasores obtenham controle total sobre o núcleo do sistema operacional Android por meio de uma chamada de vídeo em redes 4G (VoLTE), desde que a vítima atenda à ligação. O relatório técnico com os detalhes do problema foi publicado nesta segunda-feira (17).
Os componentes da Unisoc equipam diversos aparelhos populares no mercado global, como os modelos E13 (Motorola), C33 (Realme) e Redmi A5 (Xiaomi). A fabricante, sediada em Xangai, na China, fornece semicondutores para marcas de tecnologia com presença comercial em mais de 140 países.
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A brecha ocorre por causa de uma falha de projeto no chip. O processador responsável pelo modem de telefonia e o processador principal do celular compartilham o mesmo espaço físico de memória, sem barreiras de proteção adequadas. Assim, invasores que operam uma rede privada de telefonia conseguem enviar dados corrompidos durante a ligação e transferir o código malicioso do modem direto para o núcleo do Android, no qual assumem privilégios máximos de administrador.
De acordo com o documento técnico da SSD Secure Disclosure, a ausência de divisão interna representa um risco crítico.
“Uma vulnerabilidade crítica foi identificada no firmware do modem da Unisoc que permite a execução de código arbitrário com privilégios de kernel a partir do contexto do modem”, identificou o relatório assinado pelo pesquisador independente “0x50594d”.
Durante o estudo, os especialistas relataram que tentaram alertar a empresa responsável pelos semicondutores antes da divulgação pública, mas não obtiveram retorno. “Tentamos entrar em contato com o fornecedor por meio de múltiplos canais (e-mail e LinkedIn), mas não conseguimos receber nenhuma resposta”, declarou a equipe da SSD Secure Disclosure, no relatório.
Histórico de alertas e riscos na indústria
O alerta divulgado complementa uma etapa anterior da pesquisa, publicada em março, que já demonstrava a execução remota de código no modem por meio de chamadas de vídeo adulteradas. O problema estrutural na Unisoc também já havia sido apontado por outros laboratórios de segurança.
Analistas da empresa de cibersegurança Kaspersky identificaram, em novembro de 2025, a mesma falta de isolamento de memória no chip Unisoc UIS7862A, utilizado em centrais multimídia de veículos. No estudo, os analistas afirmaram que “a exploração de apenas uma vulnerabilidade no lado do modem forneceu controle completo sobre todo o sistema”, situação que permitiu até a execução remota do jogo Doom na tela do painel veicular.
Segundo a SSD Secure Disclosure, o Boletim de Segurança do Android de agosto de 2026 e os comunicados públicos da Unisoc não trazem nenhuma solução para a falha até o momento. A consultoria destacou que os proprietários dos modelos vulneráveis não contam com medidas alternativas de mitigação e devem aguardar a distribuição de pacotes de correção de firmware preparados pelas fabricantes de seus celulares.
Por falar em universo digital, brecha de segurança crítica em sistema de vendas online da SAP vira alvo de ataques. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
