A CPFL Paulista identificou 346 casos de furto e outras irregularidades envolvendo o consumo de energia elétrica na região de Campinas durante o primeiro semestre deste ano. O balanço divulgado pela concessionária aponta que 454 mil kWh foram recuperados no período.
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Segundo a empresa, o volume corresponde à energia necessária para abastecer aproximadamente 180 residências durante um ano.
Somente em Campinas, as equipes encontraram 183 irregularidades entre janeiro e junho. As fiscalizações resultaram na recuperação de 269,4 mil kWh, quantidade equivalente ao consumo anual de cerca de 106 imóveis residenciais.
As ocorrências são identificadas a partir de inspeções realizadas pelas equipes, análises técnicas e denúncias. Em algumas situações, as ações também contam com a participação das forças de segurança.
‘Gatos’ e adulteração de medidores
Entre as irregularidades encontradas estão as ligações clandestinas, popularmente chamadas de “gatos”, além da adulteração de medidores e outras intervenções feitas para reduzir ou impedir o registro do consumo real de energia.
Segundo a CPFL, além do prejuízo provocado pelo desvio, as instalações clandestinas podem comprometer a rede elétrica e colocar moradores e trabalhadores em risco.
“A identificação dessas irregularidades vai muito além da recuperação da energia desviada. Estamos falando de situações que podem comprometer a segurança das instalações, afetar a qualidade do fornecimento, colocar em risco quem realiza a intervenção e também as pessoas ao redor, além das nossas equipes que precisam intervir nos medidores e estes podem gerar riscos de segurança em função das manipulações. Por isso, o combate às fraudes e aos furtos é uma atuação permanente da companhia”, afirma Victor Rios, gerente de Recuperação de Energia e Receita da CPFL Energia.
Por serem feitas sem critérios técnicos, as alterações clandestinas podem provocar sobrecarga e oscilações na rede, interrupções no fornecimento, curtos-circuitos, incêndios e choques elétricos.
Furto de energia é crime
A concessionária destaca ainda que as perdas provocadas por fraudes e furtos podem ter reflexos sobre o sistema elétrico. Parte das chamadas perdas não técnicas é considerada nos processos de revisão tarifária conduzidos pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).
“Parte das perdas não técnicas, classificação que engloba furtos e fraudes, é considerada nos processos de revisão tarifária da Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL). Portanto, combater essas práticas também é uma forma de contribuir para um sistema mais eficiente e justo para todos”, explica Rios.
O furto de energia é crime previsto no Código Penal. Segundo a Lei nº 15.397/2026 a pena é de até seis anos de reclusão.
Fiscalização usa tecnologia e denúncias
Para identificar possíveis fraudes, a CPFL também utiliza sistemas de medição e monitoramento, equipamentos instalados em locais protegidos e dispositivos que permitem acompanhamento remoto do consumo.
Denúncias feitas pela população também podem levar à realização de inspeções. Segundo a concessionária, as informações podem ser encaminhadas de forma anônima pelos canais de atendimento da empresa.
“Essas soluções ajudam a ampliar a segurança das instalações, a confiabilidade dos dados de medição e a assertividade das ações em campo. É um trabalho que combina tecnologia, inteligência e fiscalização para reduzir irregularidades e preservar a qualidade do serviço”, afirma Rios.
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Um esquema de furto de materiais elétricos foi desarticulado pela Polícia Civil do Estado de São Paulo durante investigação da 1ª DIG (Delegacia de Investigações Gerais) de Campinas. Segundo a Polícia, os crimes envolviam o desvio de equipamentos de um depósito da CPFL Energia e já haviam causado prejuízo superior a R$ 155 mil.
Parte dos materiais furtados estava sendo utilizada em uma instalação elétrica clandestina em uma empresa na cidade de Vinhedo. No local, o responsável pelo estabelecimento confessou que contratou o serviço utilizando os equipamentos desviados e foi preso em flagrante por receptação.
As investigações levaram os policiais a outros envolvidos no esquema. Em um dos endereços, um homem tentou se esconder no forro da residência, mas acabou se rendendo após a chegada de equipes do Grupo de Operações Especiais da Polícia Civil.
Dentro do imóvel, os agentes encontraram relógios de energia, equipamentos da CPFL, cinco simulacros de arma de fogo e cédulas falsas.
Em outro local ligado ao grupo, os policiais apreenderam mais materiais elétricos, uniformes da concessionária e um sistema usado para “zerar” hidrômetros da Sociedade de Abastecimento de Água e Saneamento S/A.
Energia furtada e prisões
Durante a operação, a polícia também identificou furto de energia elétrica em um dos imóveis investigados.
Um dos suspeitos pagou fiança e foi liberado, enquanto outro permaneceu preso e deve responder por furto de energia, receptação qualificada, participação em organização criminosa e posse de moeda falsa. Ele aguarda audiência de custódia.
Todo o material apreendido durante a investigação foi reconhecido e devolvido à CPFL Energia, segundo a polícia.
O que diz a CPFL?
Em nota, a CPFL informou que acompanhou a operação conduzida pela Polícia Civil em Campinas ontem. Segundo a concessionária, as investigações, ainda em andamento, apuram a atuação de uma associação criminosa especializada no furto e posterior venda de equipamentos do depósito da empresa. A quadrilha também teria se especializado em fraude de medidores e instalações clandestinas de energia.
Ainda de acordo com a empresa, além de prejuízos aos clientes, com interrupções no fornecimento de energia, os furtos de materiais e de energia geram risco à segurança da população, já que a manipulação indevida de cabos e equipamentos da rede de distribuição pode causar acidentes graves, até mesmo fatais.
A CPFL afirmou ainda que reforça a importância de operações conjuntas com as polícias e que colabora integralmente com as autoridades para o esclarecimento dos fatos.
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