John Ternus deve assumir oficialmente o cargo de CEO da Apple na terça-feira (1º) e terá como um dos primeiros desafios à frente da empresa a renovação de uma parte significativa de sua cúpula executiva. Segundo informações do jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, a sucessão de Tim Cook deverá ser acompanhada por uma ampla reformulação na liderança da companhia.
A mudança ocorre em um cenário diferente daquele encontrado por Cook quando chegou ao comando da Apple, em 2011. De acordo com Gurman, Cook contou, durante sua ascensão à posição de CEO, com a estabilidade de um grupo de executivos experientes que o apoiavam. Ternus, atual responsável pela área de engenharia de hardware, deverá assumir uma empresa na qual vários integrantes da alta liderança estão próximos da aposentadoria.
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Parte da transição já foi antecipada com contratações recentes para posições importantes, entre elas as de diretor financeiro e diretor de operações. Ainda assim, segundo Gurman, boa parte dos demais executivos que ocupam cargos de comando na Apple está na faixa dos 60 anos e deverá ser substituída gradualmente. A expectativa é que Ternus conduza esse processo ao longo dos próximos três anos.
Executivos históricos devem deixar a companhia
A análise de Gurman é particularmente direta ao descrever o envelhecimento da atual cúpula da companhia: “[…]muitos dos executivos de Cook permaneceram na empresa até o início ou final dos seus 60 anos (tornando-se bilionários, ou algo próximo disso, ao longo do caminho)”. Entre os nomes que podem deixar a Apple está Johny Srouji, vice-presidente sênior de hardware e responsável por uma transformação importante na estratégia de chips da companhia.
Srouji liderou a integração dos chips próprios da Apple e de outras áreas de hardware durante o processo de redução da dependência da Intel. A saída do executivo é especulada desde pelo menos dezembro do ano passado, segundo as informações citadas por Gurman. O movimento seria especialmente relevante porque a Apple está avançando em novas gerações de processadores, incluindo os chips M5 Ultra e M6, enquanto rumores apontam para futuros M7, M7 Pro e M7 Max.
Outro nome que pode deixar a empresa é Deirdre O’Brien, que entrou na Apple em 1988 e acumula atualmente a liderança da área de varejo com a vice-presidência de Pessoas, equivalente à área de recursos humanos. Segundo Gurman, O’Brien tem amplo conhecimento da estrutura interna da companhia e comandou parte das operações durante a pandemia de Covid-19, mas também estaria próxima de deixar o cargo.
Luca Maestri, ex-diretor financeiro da Apple, também aparece entre os executivos que podem sair. Substituído recentemente por Kevan Parekh na posição de CFO, Maestri passou a ocupar o cargo de vice-presidente de Serviços Corporativos. Segundo Gurman, ele continua supervisionando áreas da companhia e sua saída também é esperada em breve. O processo de renovação ainda pode atingir Greg Joswiak, conhecido internamente como “Joz”, que entrou na Apple em 1986 e trabalhou nos primeiros computadores Macintosh.
Joswiak é atualmente uma das principais figuras do marketing da Apple e, segundo a empresa, participou da construção da área desde os primeiros anos do Macintosh. Gurman afirma que Bob Borchers, braço direito de Joswiak, também avalia se aposentar. Como possíveis sucessoras, a Apple estaria considerando Lilian Rincon, recém-nomeada chefe de marketing de inteligência artificial (IA), e Kaiann Drance, que há anos lidera o marketing do iPhone. Para Ternus, a sucessão representa, portanto, não apenas a troca de CEO, mas uma reformulação de uma geração inteira de executivos.
