O Ford Mustang Dark Horse SC desembarcou no Brasil em exemplar único para acelerar no circuito de Interlagos, em São Paulo, durante o Festival Interlagos. Foi lá, no templo do automobilismo brasileiro, onde pudemos ter um primeiro contato com o esportivo – que, retornou ao estande da marca logo em seguida.
O Mustang Dark Horse SC foi desenvolvido em parceria com a divisão Ford Racing para ocupar o espaço deixado pelo antigo Shelby GT500, situando-se exatamente entre o Dark Horse convencional vendido no mercado brasileiro e o Mustang GTD – que é um carro GT3 legalizado para as ruas.
Em termos práticos, o Dark Horse SC funciona como a opção mais potente da linha sem exigir o investimento exorbitante cobrado pelo GTD. A marca trabalhou para transformar o muscle car em um carro funcional para voltas rápidas em autódromos, favorecendo sua estabilidade e aerodinâmica, mas também o arrefecimento dos seus sistemas sob regime severo.
Não é por acaso que o capô seja, todo feito de alumínio e fixado com travas, tenha uma grande saída de ar. O fluxo de ar que passa por ali otimiza o arrefecimento do motor e paralelamente ajudava na aerodinâmica. A remoção de uma proteção nesta saída de ar do capô também proporcionou um aumento no downforce e cria uma área aberta 60% maior.
No assoalho, painéis inferiores direcionam o fluxo de ar para resfriar os freios e o eixo traseiro. Para a traseira, a unidade importada ao Brasil ainda tem o aerofólio de fibra de carbono, que é um dos opcionais disponíveis para a versão. Só esta peça gera 281 kg de sustentação negativa a 290 km/h.
Grande parte das mudanças estéticas foram motivadas pelo motor, um V8 5.2 supercharged em vez de um 5.0 aspirado, que foi calibrado para render 795 cv e 91,3 kgfm. São 35 cv e cerca de 4,8 kgfm a mais em comparação ao antigo GT500, além de uma vantagem de 295 cv sobre o Dark Horse convencional.

A força é enviada às rodas traseiras por meio de uma transmissão automatizada de dupla embreagem com sete marchas fornecida pela Tremec. Este era exatamente o mesmo câmbio do GT500.
Diferente do modelo básico, a Ford optou por não disponibilizar o câmbio manual de seis marchas para esta versão, justificando a decisão pela busca de tempos menores em pistas fechadas. O conjunto mecânico inclui ainda um cardã feito em fibra de carbono e diferencial traseiro com sistema próprio de arrefecimento.
Dinâmica e aerodinâmica de pista
O supercharger ainda cai muito bem em um motor V8. Compressores mecânicos elevam a admissão de ar conforme a rotação do motor, de forma mais progressiva do que um turbocompressor faria. Ao mesmo tempo, o compressor deixa o motor livre para trabalhar em altíssimas rotações.

O conta-giros, aliás, toma grande parte do quadro de instrumentos. Pudera, o Dark Horse SC consegue explorar o fôlego do motor V8 até além dos 8.000 rpm antes de reduzir para tomar a curva seguinte. Neste momento, o esforço passa a ser dos freios Brembo com pinças dianteiras monobloco com seis pistões na dianteira e com quatro pistões na traseira. Não é por acaso que a aerodinâmica do carro força a passagem de ar por eles.
A dinâmica das últimas encarnações do Ford Mustang em nada tem a ver com as mais antigas. O cupê é naturalmente bom de pilotar, mas os aprimoramentos desta versão deixaram ele plantado no asfalto e muito mais responsivo na pista, não só em termos de aceleração mas também nas respostas aos comandos da direção.
Essa percepção pode ser explicada pela suspensão com amortecedores MagneRide adaptativos, que têm calibração eletrônica e molas com maior rigidez específicos para o SC. Mas as mudanças vão muito além.

Peças de aço, como os braços de controle dianteiros e as mangas de eixo, deram lugar a peças de alumínio forjado, adicionando também uma barra de amarração superior em magnésio. O carro que está no Brasil ainda tem rodas de fibra de carbono, o que também contribui com uma redução da massa não suspensa, melhorando as respostas da suspensão. As próprias rodas mais leves também podem podem melhorar a aceleração do carro e as respostas da direção.
A bitola bitola dianteira alargada em 1,3 cm aumenta o suporte do carro em curvas, enquanto os pneus Michelin Pilot Sport Cup 2 R nas medidas 305/30 R20 à frente e 315/30 R20 atrás fazem o carro grudar no asfalto. Esses pneus sempre acompanham as rodas de fibra de carbono.
O nível de precisão deste Mustang faz ele chegar às sensações entregues por alguns supercarros com motores tão grandes quanto V10 e V12, ou de um Porsche 911 GT3, todos eles aspirados. Só que o ronco grave deste motor V8 dá um outro tempero às acelerações. A Ford, no entanto, não divulga o tempo de 0 a 100 km/h do Dark Horse SC.

Foi uma volta rápida, mas chamou a minha atenção o acabamento em Alcantara no volante e nas portas, elementos que o SC herda do Mustang GTD. A cabine ainda tem fibra de carbono no painel.
Nos Estados Unidos, o Ford Mustang Dark Horse SC parte dos US$ 108.485 (cerca de R$ 607.000 em conversão direta). Quando equipado com o Track Pack, salta para US$ 144.985 (aproximadamente R$ 811.000). No Brasil, o Mustang Dark Horse convencional custa R$ 649.000. A Ford não fala em trazer a versão mais potente ao Brasil, mas confirmou o relançamento do Mustang GT Performance como opção mais barata – o preço ficará ao redor dos R$ 550.000.
