O Grupo Renault realmente desistiu do Kwid E-Tech. Depois de tirar o subcompacto elétrico da linha no Brasil, a divisão de baixo custo Dacia apresenta a nova geração do Spring, que passou a ser uma opção mais barata ao Twingo E-Tech, usando a mesma arquitetura e motorização.
A nova geração do Spring estreia em um momento oportuno para a Dacia. Com as novas tarifas impostas pela União Europeia para os veículos produzidos na China, o hatch passou a ser produzido na Eslovênia, na mesma linha de montagem que o Twingo.
O modelo anterior utilizava a plataforma CMF-AEV e vinha importado da China. Agora, a nova geração adota a arquitetura RG-EV, derivada da base AmpR Small usada em carros como o Renault Twingo E-Tech e o Renault 5 E-Tech.
A alteração de estrutura resultou em novas proporções para o hatch. O carro mede agora 3,85 m de comprimento, o que representa um ganho de 15 cm em relação ao antecessor, além de ser 18 cm mais largo. Com esse porte, o modelo fica 6 cm mais longo que o irmão de plataforma Renault Twingo E-Tech. O peso em ordem de marcha foi contido em 1.212 kg.
O motor elétrico dianteiro veio emprestado do Twingo e gera 81 cv de potência com 17,9 kgfm de torque. A aceleração de zero a 100 km/h ocorre em 12,1 segundos, enquanto a velocidade máxima é limitada eletronicamente a 130 km/h.
A energia vem de uma bateria de fosfato de ferro-lítio (LFP) de 27,5 kWh, que rende autonomia de até 250 km no ciclo WLTP. Em estações de carga rápida de 50 kW em corrente contínua, o componente leva 28 minutos para ir de 15% a 80%. Já em um carregador de parede residencial de 7 kW em corrente alternada, a recarga equivalente consome 2 horas e 55 minutos.

A cabine mantém o espaço para quatro ocupantes, mas aproveita o entre-eixos ampliado para oferecer melhor acomodação. O porta-malas comporta 337 litros, volume que chega a 1.283 litros com o banco traseiro bipartido rebatido. Há ainda a opção de um compartimento sob o capô dianteiro com 18 litros extras, útil para guardar cabos de carregamento.
Apesar das linhas serem semelhantes às do Twingo, o Spring traz um acabamento mais barato, recorrendo a plásticos rígidos e tecidos simples nos bancos para conter os custos de produção. O painel traz um quadro de instrumentos digital de 7″ de série. Nas versões de topo chamadas Journey, a central multimídia possui tela de 10,1″. A opção de entrada Expression substitui o sistema de som por um suporte integrado para celular.

A Dacia confirmou que todas as configurações do modelo custarão abaixo de 20.000 euros antes dos incentivos governamentais. Na conversão direta, o valor equivale a cerca de R$ 120.000, posicionamento semelhante ao cobrado no Brasil por modelos elétricos de entrada como BYD Dolphin Mini.
O valor representa um salto significativo na comparação com a geração antiga importada da China, comercializada em promoções na Alemanha a partir de 11.900 euros (aproximadamente R$ 73.000). A geração anterior continuará em linha temporariamente como alternativa de menor custo até que o novo hatch se estabeleça no mercado europeu no início de 2027.
