
DUBAI, 18 Fev (Reuters) – A saída do diretor executivo da gigante portuária DP World, de Dubai, é a maior repercussão no Oriente Médio dos documentos do Departamento de Justiça dos EUA que mostram que o financista Jeffrey Epstein tentou construir uma poderosa rede de figuras políticas e líderes empresariais em toda a região.
A DP World anunciou na sexta-feira que Sultan Ahmed Bin Sulayem havia renunciado ao cargo de diretor executivo e presidente. A decisão foi tomada depois que o nome de Bin Sulayem apareceu nos arquivos de Epstein, disseram duas fontes com conhecimento direto do assunto à Reuters, no momento em que a relação dele com o falecido criminoso sexual condenado enfrenta um escrutínio cada vez maior.
Em sua correspondência, Bin Sulayem discutiu relações sexuais com mulheres com quem Epstein o ajudou a se conectar. Em um email datado de 9 de novembro de 2007, Bin Sulayem disse a Epstein que havia conhecido uma dessas mulheres em Nova York, cujo nome ele não revelou e com quem disse não ter feito sexo.
“Sim, após várias tentativas durante vários meses, conseguimos nos encontrar em Nova York”, escreveu ele, acrescentando que houve um mal-entendido porque “ela queria NEGÓCIOS! enquanto eu só queria SEXO!”.
O governante de Dubai também emitiu na sexta-feira um decreto nomeando um novo presidente para a Corporação de Portos, Alfândegas e Zona Franca de Dubai, uma das várias funções que Bin Sulayem desempenhava.
A Reuters conseguiu analisar de forma independente apenas alguns dos arquivos de Epstein relacionados a Bin Sulayem e não conseguiu determinar o que especificamente levou à sua saída da DP World, embora as fontes tenham afirmado, sem fornecer mais detalhes, que estava relacionado aos arquivos.
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Bin Sulayem não respondeu aos pedidos da Reuters para comentar sua saída. A DP World se recusou a comentar.
Em uma troca de emails, Epstein descreveu Bin Sulayem como engraçado, confiável e um apreciador da boa culinária. Epstein comentou que Bin Sulayem, que é muçulmano, não bebe e reza cinco vezes por dia.
Uma fotografia sem data que aparece em um email e está disponível publicamente mostra Epstein cozinhando com Bin Sulayem e os dois parecendo relaxados juntos. O nome completo da pessoa para quem Epstein enviou a foto não foi divulgado.
Bin Sulayem não comentou publicamente a descrição de Epstein ou os emails sobre sua relação com ele.
Ser citado no arquivo não é prova de atividade criminosa. Mas depois que membros do Congresso dos Estados Unidos disseram que o nome de Bin Sulayem aparecia em arquivos divulgados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ), ele enfrentou novas perguntas de alguns dos financiadores da DP World sobre suas interações passadas.
REDE DE CONTATOS
O grande acervo de documentos divulgados pelo DOJ, incluindo mensagens de texto e emails, também mostra que o Oriente Médio não foi exceção aos esforços de Epstein para usar sua riqueza para construir relacionamentos com pessoas proeminentes na política, finanças, academia e negócios em todo o mundo.
A Reuters não conseguiu determinar o grau de sucesso de Epstein em influenciar seus contatos no Oriente Médio e se seus conselhos foram seguidos.
Os documentos do DOJ analisados pela Reuters mostram que Epstein tentou aconselhar líderes empresariais e figuras políticas do Catar durante o bloqueio de 2017-21 ao Catar por Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Barein e Egito, sob acusações de que Doha não conseguia conter os laços com o Irã e apoiou o terrorismo, o que o Catar negou.
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