Pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia capaz de multiplicar folículos capilares em laboratório a partir de uma pequena amostra retirada do próprio paciente. A técnica pode ampliar as possibilidades de tratamento para pessoas com calvície avançada e para pacientes que perderam os cabelos durante o tratamento contra o câncer.
Desenvolvida por uma equipe do Instituto de Biologia (IB) e da Faculdade de Ciências Médicas (FCM) da Unicamp, a pesquisa surgiu de uma demanda recorrente observada por cirurgiões especializados em transplante capilar, que frequentemente precisam informar aos pacientes que o procedimento não pode ser realizado por falta de folículos suficientes para o implante.
Como a técnica funciona da Unicamp?
Segundo a pesquisa, a técnica consiste na coleta de 50 a 120 folículos do próprio paciente. Em seguida, o material é levado para laboratório, onde passa por um processo que separa diferentes tipos de células, como queratinócitos, células-tronco e células mesenquimais.
Essas células são cultivadas até se multiplicarem e, depois, organizadas em estruturas tridimensionais que reproduzem o comportamento dos folículos naturais e dão origem a novos fios.
Segundo André Lopes Ferreira, doutorando do IB da Unicamp e integrante da equipe responsável pelo estudo, o fato de utilizar células do próprio paciente reduz o risco de rejeição e amplia significativamente as possibilidades do transplante.
“Tiramos a matéria-prima da própria pessoa, diminuindo, assim, a possibilidade da rejeição. Se pegarmos parte dos folículos daquela pessoa e expandirmos no laboratório, teremos muito mais folículos para conseguir fazer o transplante. Dessa forma, as pessoas que não são elegíveis porque não têm área doadora acabam tendo uma oportunidade”, afirmou.
Além de ampliar o acesso ao tratamento, a tecnologia também pode tornar a cirurgia mais rápida e eficiente. Com a expansão realizada em laboratório, o médico receberia os folículos já preparados para o implante, o que resultaria em um procedimento de cerca de duas horas.
Hoje, um transplante capilar convencional pode durar entre oito e dez horas, já que os folículos precisam ser retirados e implantados manualmente, um a um.
Técnica da Unicamp pode ajudar pacientes oncológicos
Outra aplicação considerada promissora envolve pacientes que passarão por quimioterapia. Segundo a pesquisa, antes do início do tratamento, seria possível coletar e armazenar folículos capilares para que, futuramente, eles fossem multiplicados e utilizados na recuperação dos cabelos perdidos.
Para Wagner Fávaro, professor do IB da Unicamp, essa possibilidade pode representar um importante apoio emocional durante o tratamento oncológico.
“Para quem enfrenta um tratamento difícil como o de câncer, saber que poderá recuperar o cabelo lá na frente pode trazer um alívio enorme para enfrentar a doença”, disse.

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Pesquisa ainda enfrenta desafios
Embora os resultados sejam animadores, a pesquisa ainda precisa superar desafios. Por exemplo, é preciso garantir que os folículos produzidos em laboratório mantenham as mesmas características dos fios originais do paciente, como cor, textura e curvatura.
A equipe responsável acredita que isso seja possível por trabalhar com células do próprio folículo, mas o protocolo definitivo ainda está sendo aperfeiçoado.
Quando a técnica será usada em humanos?
Neste momento, os estudos seguem na fase de testes em laboratório. A previsão é que a etapa pré-clínica seja concluída em cerca de 18 meses, incluindo experimentos em animais. Somente depois disso a tecnologia poderá avançar para os testes em seres humanos, seguindo exigências regulatórias antes de chegar à população.
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