A adoção de ferramentas de inteligência artificial (IA) para atividades de programação gerou gastos muito acima do previsto dentro da Amazon, segundo reportagem publicada pelo Financial Times na última quinta-feira, 30. De acordo com o jornal, funcionários da empresa relataram casos de estouros de orçamento considerados “catastróficos”, incluindo um projeto que consumiu US$ 1,8 milhão ao utilizar o modelo Claude Sonnet, da Anthropic, para relacionar informações de autores às listagens de produtos da plataforma de comércio eletrônico.
A tarefa, descrita como rotineira, ultrapassou em 860% o orçamento inicialmente previsto. Segundo o Financial Times, a empresa levou cinco meses para identificar o excesso de gastos. Um funcionário sênior da Amazon afirmou ao jornal que “é difícil descobrir quanto custa qualquer coisa [relacionada à IA]”.
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Os relatos indicam que o caso não foi isolado. Ainda de acordo com o Financial Times, a Amazon gastou inesperadamente US$ 541 mil no desenvolvimento de ferramentas de auditoria financeira e outros US$ 134 mil em um projeto que utilizava IA para melhorar a velocidade de entrega da rede logística.
Engenheiros seniores ouvidos pelo jornal afirmaram que erros de programação que antes eram “trivialmente baratos” passaram a ser “catastroficamente caros” com o uso dessas ferramentas.
Outros projetos também tiveram custos acima do esperado
A reportagem afirma que os episódios refletem uma preocupação crescente entre empresas que ampliaram o uso de agentes de IA nos últimos anos. A mudança no modelo de cobrança das desenvolvedoras de IA, que passaram a cobrar pelo volume de tokens processados em vez de assinaturas fixas, também elevou os custos de utilização dessas tecnologias. O Financial Times cita ainda o caso de uma empresa que teria desembolsado cerca de US$ 500 milhões em taxas de uso do Claude durante apenas um mês.
Segundo a publicação, a Amazon chegou a incentivar internamente o uso intensivo de IA por meio de um ranking que classificava funcionários de acordo com a frequência de utilização das ferramentas. Esse sistema foi desativado em maio, após o aumento das preocupações com os custos. O episódio ocorre em um contexto em que a empresa tem reduzido seu quadro de funcionários para direcionar investimentos à tecnologia e à inteligência artificial.
Procurada pelo Financial Times, a Amazon afirmou que os casos apresentados não representam a realidade da companhia. “Selecionar exemplos isolados e isolados em que as equipes estão aprendendo umas com as outras e apresentá-los como algo corriqueiro não reflete a forma como as equipes da Amazon em toda a empresa estão usando a IA”, declarou um porta-voz ao jornal.
