O MPSP (Ministério Público do Estado de São Paulo) decidiu processar a Nutratta, uma fábrica de nutrição animal, que é acusada de causar a morte de dezenas de cavalos e o adoecimento de centenas de bichos em um haras de Indaiatuba e em outras cidades da região. Uma ação civil pública que visa responsabilizar a fabricante foi ajuizada pela Promotoria de Justiça do Consumidor na última sexta-feira (22). A empresa pode pagar indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos.
Segundo o Mapa (Ministério da Agricultura e Pecuária), ao longo de 2025, foram registradas pelo menos 238 mortes de equinos em diferentes estados do país. Em um haras de Indaiatuba, foram confirmadas 29 mortes e cerca de 120 cavalos adoecidos. Além disso, também foram relatados óbitos e adoecimentos em Campinas, Itu, Porto Feliz, Volta Redonda e Jaboticatubas.
A fábrica de ração foi procurada pela reportagem, porém não houve retorno das solicitações até esta matéria ser publicada. Quando houver uma posição esta matéria será atualizada com a nota. As redes sociais da empresa estão ativas, mas o site está fora do ar.
Os primeiros casos de intoxicação surgiram no dia 21 de abril do ano passado, no Rio de Janeiro, e a primeira morte foi registrada no dia 23 do mesmo mês, em São Paulo. Os cavalos estavam aparentemente saudáveis, mas de repente passaram a apresentar sinais neurológicos agudos, que evoluíam rapidamente para a morte. Na época, os cavalos apresentaram:
- Desorientação;
- Alteração de comportamento;
- Alteração do sono;
- Mudanças na locomoção.
Empresa é acusada de usar resíduos contaminados
Segundo as investigações, a Nutratta usou resíduos de soja contaminados com alcalóides pirrolizidínicos na fabricação de rações para cavalos, bovinos, suínos e aves. Laudos laboratoriais e necropsias apontaram que as substâncias estavam presentes em concentrações até 2.600 vezes superiores ao limite considerado seguro para cavalos.
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Contaminação pode ter atingido cadeia alimentar humana
De acordo com o processo, além de ter prejudicado os cavalos, a contaminação ainda pode ter atingido a cadeia alimentar humana. Isso porque a mesma linha de produção era utilizada para fabricar ração bovina sem mecanismos eficazes de controle de contaminação cruzada.
Ainda segundo a ação, o Mapa alertou para o risco de transmissão dos alcalóides tóxicos por leite, carne e fígado de cavalos alimentados com os produtos contaminados.
Fábrica de ração para cavalos pode pagar indenização de R$ 10 mi
Na ação, o MPSP pede o pagamento de uma indenização de R$ 10 milhões por danos morais coletivos, além de:
- Bloqueio de ativos dos réus;
- Proibição da retomada das atividades da fábrica antes do cumprimento das exigências do Mapa;
- Recall dos produtos contaminados.
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