Poucos personagens marcaram tanto a história dos consoles quanto o pequeno dragão roxo criado nos anos 1990. Ao longo de mais de duas décadas, Spyro passou por diferentes estúdios, estilos de jogo e até reinvenções completas de sua identidade visual, sempre mantendo o carisma que o transformou em um dos primeiros e maiores mascotes do primeiro PlayStation.
Antes do anúncio de Spyro: A Realm Beyond, o novo capítulo que promete reacender a franquia após anos sem nada inédito, o dragãozinho já havia protagonizado mais de uma dezena de jogos, entre títulos principais, spin-offs e até uma trilogia remasterizada que reapresentou o personagem a uma nova geração.
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Por isso, vamos relembrar como tudo começou, por que o primeiro jogo fez tanto sucesso, qual foi o papel da Insomniac Games nessa trajetória e, por fim, listar cada um dos jogos lançados até hoje, em ordem cronológica. Confira!
Como surgiu a franquia Spyro?
A ideia de Spyro nasceu no fim dos anos 1990, quando o mercado de jogos de plataforma em 3D começava a se consolidar graças a sucessos como Super Mario 64 e Crash Bandicoot. A pequena desenvolvedora Insomniac Games decidiu apostar em um projeto mais ambicioso com um personagem capaz de competir com os grandes mascotes da época.
Assim nasceu o conceito do dragãozinho explorando um mundo repleto de colecionáveis, inimigos simples e uma jogabilidade que tirava vantagem das habilidades únicas de Spyro.
Curiosamente, Spyro quase não foi roxo. Nos primeiros testes, o personagem tinha uma tonalidade esverdeada, mas a equipe percebeu que essa cor o deixava confundido com a vegetação dos cenários. A mudança para a nova cor, além de resolver o problema visual, acabou se tornando uma das marcas registradas mais reconhecíveis do personagem.
O primeiro jogo chegou ao mundo em setembro de 1998, dando início a uma franquia que se tornaria um dos pilares do catálogo exclusivo do PlayStation.
O sucesso do dragão roxo no primeiro PlayStation
Spyro the Dragon chamou atenção justamente por oferecer algo relativamente raro no início da era 3D: cenários amplos e abertos, nos quais o jogador podia explorar livremente em busca de gemas, ovos de dragão e dragões presos em cristais, sem a necessidade de seguir um caminho estritamente linear.
Essa sensação de liberdade, controles precisos e o visual vibrante, renderam ao jogo elogios da crítica e gerou uma legião de fãs.
Felizmente, o game também foi muito bem sucedido na parte comercial, considerando que vendeu 5 milhões de cópias. Isso abriu caminho para duas sequências diretas ainda no mesmo PS1: Spyro 2: Ripto’s Rage! e Spyro: Year of the Dragon, que aprimoraram a fórmula original com novas habilidades, personagens jogáveis e mundos ainda maiores.
Juntos, esses três jogos formam o que os fãs costumam chamar de trilogia clássica ou trilogia da Insomniac, considerada por muitos o auge da franquia.
A participação da Insomniac Games na criação da série
A Insomniac Games foi responsável não apenas por criar Spyro, mas por definir toda a identidade da série em seus primeiros anos. Foi a equipe do estúdio que desenvolveu a tecnologia usada para construir os cenários semiabertos que se tornaram a marca registrada dos primeiros jogos, permitindo que os jogadores explorassem cada fase em um ritmo próprio.
Depois de lançar Spyro the Dragon, a desenvolvedora deu continuidade ao projeto com Spyro 2: Ripto’s Rage! em 1999 e Spyro: Year of the Dragon em 2000, ambos ainda para o primeiro consoles da Sony.
Esses três jogos foram os únicos da franquia desenvolvidos inteiramente pela Insomniac, já que, ao final da trilogia, o estúdio decidiu encerrar sua participação na série para se dedicar a um novo projeto: Ratchet & Clank, que se tornaria outro grande sucesso da companhia no PlayStation 2.
A partir daí, a franquia Spyro passou a ser conduzida por outros estúdios contratados pela Universal Interactive e, mais tarde, pela Vivendi Universal Games, mantendo o personagem vivo mesmo sem seus criadores originais à frente do desenvolvimento. É claro que nem todos os games lançados desde então receberam o mesmo carinho da crítica ou dos fãs, mas o amor pelo dragãozinho nunca deixou de existir na indústria.
Todos os jogos de Spyro em ordem de lançamento
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Caso você saber mais sobre a trajetória do dragãozinho ou até saber quais títulos tem vontade de jogar antes do lançamento de Spyro: A Realm Beyond, basta conferir nossa lista completa com todos os games de Spyro.
Spyro the Dragon (1998)
O jogo que deu início a tudo foi lançado exclusivamente para o PlayStation em setembro de 1998. Na trama, o vilão Gnasty Gnorc transforma praticamente todos os dragões do Reino dos Dragões em estátuas de cristal, cabendo a Spyro e à sua companheira Sparx, percorrer os diferentes mundos do reino para libertar todo mundo e, no fim, enfrentar o próprio Gnasty Gnorc.
A jogabilidade tinha uma exploração livre, coleta de gemas e ovos, além das habilidades características do dragão, como o sopro de fogo, a investida e o voo planado, elementos que se tornariam a base de toda a franquia.
Spyro 2: Ripto’s Rage! (1999)
Também conhecido como Gateway to Glimmer em algumas regiões, o segundo jogo levou Spyro e Sparx a um universo totalmente novo, o reino de Avalar, depois que os dois acidentalmente atravessam um portal. Lá, eles se veem envolvidos no conflito entre os habitantes locais e o pequeno e poderoso feiticeiro Ripto.
O jogo expandiu a fórmula original com novas mecânicas, como natação e escalada, além de introduzir personagens que se tornariam recorrentes na série, como o caçador Hunter e a fada Zoe.
Spyro: Year of the Dragon (2000)
Encerrando a trilogia desenvolvida pela Insomniac Games, Year of the Dragon acontece durante uma celebração que ocorre a cada doze anos no Reino dos Dragões, quando novos ovos de dragão são gerados. Uma misteriosa feiticeira rouba todos os ovos, obrigando Spyro, Sparx e o amigo Hunter a persegui-la.
Essa aventura trouxe novos personagens jogáveis, cada um com habilidades próprias, como a canguru Sheila, o pinguim voador Sargento Byrd, o yeti Bentley e o macaco Agente 9, ampliando bastante a variedade de jogabilidade em relação aos títulos anteriores.
Spyro: Season of Ice (2001)
Primeiro jogo da franquia não desenvolvido pela Insomniac Games, Season of Ice chegou ao portátil Game Boy Advance sob responsabilidade da Digital Eclipse. A história se passa como uma continuação alternativa dos eventos da trilogia original, com Spyro precisando resgatar fadas capturadas e congeladas pelo vilão Grendor.
Por conta das limitações técnicas do portátil, o jogo adotou uma perspectiva isométrica em vez do 3D completo dos títulos de PlayStation.
Spyro 2: Season of Flame (2002)
Sequência direta de Season of Ice, também lançada para Game Boy Advance, Season of Flame mantém o formato isométrico do antecessor. Desta vez, Ripto retorna como vilão e está por trás do sequestro de vagalumes mágicos espalhados pelos diversos reinos.
Apesar de ser vista por parte da crítica como uma evolução em relação ao primeiro jogo portátil, a produção recebeu críticas quanto aos controles, considerados imprecisos para o estilo de câmera utilizado.
Spyro: Enter the Dragonfly (2002)
Marcando a estreia da franquia nos consoles de nova geração da época, Enter the Dragonfly foi lançado para o PlayStation 2 e GameCube. A história mostra um grupo de dragões e libélulas comemorando um rito de passagem quando um feitiço de Ripto dá errado e espalha as libélulas por diferentes reinos, cabendo a Spyro reuni-las novamente.
Apesar da expectativa gerada pelo salto de geração, o jogo foi lançado com uma quantidade significativa de falhas técnicas, o que resultou em uma recepção mista.
Spyro: Attack of the Rhynocs (2003)
Conhecido também como Spyro Adventure em algumas regiões, este foi o terceiro e último jogo da franquia desenvolvido pela Digital Eclipse para Game Boy Advance.
Na trama, uma falha em uma máquina permite que Ripto retorne aos Reinos dos Dragões após os acontecimentos de Enter the Dragonfly, e Spyro precisa recuperar o “coração” de cada uma das terras para impedir os novos planos do vilão. O jogo manteve a perspectiva isométrica típica da série portátil.
Spyro: A Hero’s Tail (2004)
Desenvolvido pela Eurocom e lançado para PlayStation 2, Xbox e GameCube, A Hero’s Tail nos apresenta um antigo Dragão chamado Red, que retorna com poderes ampliados. Red traz Gnasty Gnorc de volta e começa a espalhar cristais sombrios pelos reinos.
O jogo tentou recuperar parte dos conceitos e da liberdade de exploração dos primeiros títulos de PlayStation, ainda que a recepção da crítica tenha sido mais morna em comparação à trilogia original.
Spyro Orange: The Cortex Conspiracy (2004)
Lançado para Game Boy Advance, este título é um crossover direto entre os universos de Spyro e Crash Bandicoot, funcionando com Crash Bandicoot Purple: Ripto’s Rampage, lançado ao mesmo tempo.
Diferente dos jogos isométricos anteriores da franquia no portátil, aqui Spyro viaja pelo universo de Crash em um formato de rolagem lateral, uma mudança significativa na forma como da série.
Spyro: Shadow Legacy (2005)
Em 2005, Shadow Legacy foi lançado para o Nintendo DS, aproveitando os recursos de tela dupla e de toque do portátil. O jogo se distancia um pouco da fórmula clássica ao introduzir elementos de RPG, com sistema de níveis e habilidades que evoluem conforme o progresso do jogador.
Foi também o último título a manter a estética e o tom mais leve característicos da trilogia original antes da chegada de uma versão bem mais sombria do personagem.
The Legend of Spyro: A New Beginning (2006)
Com A New Beginning, a franquia passou por uma reformulação completa, adotando um tom mais sério e uma narrativa focada nas origens do dragãozinho roxo. Desenvolvido pela Krome Studios, o jogo apresenta Spyro descobrindo aos poucos seus verdadeiros poderes enquanto enfrenta Cynder, uma dragoa controlada por forças malignas.
A jogabilidade também mudou de forma considerável, com maior ênfase em combos corporais, ataques elementais e uma progressão de habilidades mais próxima de jogos de ação do que dos plataformas da trilogia original.
The Legend of Spyro: The Eternal Night (2007)
Sequência direta de A New Beginning, The Eternal Night dá continuidade à história ao apresentar Gaul, o Rei dos Macacos, como novo antagonista em ascensão.
O jogo manteve a base de combate introduzida no título anterior, mas adicionou a habilidade de manipular o tempo por curtos períodos, chamada de Dragon Time, criando novas possibilidades tanto para exploração quanto para os embates contra chefes. Assim como seu antecessor, o jogo teve recepção dividida.
The Legend of Spyro: Dawn of the Dragon (2008)
Encerrando a trilogia reformulada, Dawn of the Dragon se passa alguns anos após os eventos de The Eternal Night e reúne Spyro e sua antiga adversária Cynder como aliados, ambos ligados por correntes de energia criadas pelo Dark Master Malefor.
Desenvolvido pela Etranges Libellules, o jogo foi o primeiro da franquia a permitir voo livre a qualquer momento, além de introduzir um modo cooperativo em que um segundo jogador podia assumir o controle de Cynder. A produção foi bem recebida, sendo considerada um bom encerramento para essa trilogia.
Spyro Reignited Trilogy (2018)
Depois de quase uma década de silêncio da franquia principal, a Activision, anunciou em abril de 2018 o lançamento de Spyro Reignited Trilogy. A coletânea reúne remakes completos dos três primeiros jogos da Insomniac Games, totalmente refeitos com gráficos modernos, novas animações e trilha sonora regravada, mantendo, no entanto, a estrutura original de fases e objetivos.
O lançamento para PlayStation 4 e Xbox One aconteceu em novembro de 2018, seguido por versões para PC e Nintendo Switch no ano seguinte. A coletânea foi recebida com grande entusiasmo por fãs e crítica, sendo apontada como o retorno mais bem-sucedido do dragão roxo desde o fim da era clássica, e pavimentando o caminho para o anúncio de Spyro: A Realm Beyond anos mais tarde.
Gostou de conhecer melhor os jogos de Spyro em ordem de lançamento? Deixe seu comentário nos dizendo quais games já experimentou e quais ainda tem vontade de jogar antes da chegada de Spyro: A Realm Beyond!
