
O Brasil está no grupo de países emergentes que precisa manter atenção redobrada ao déficit em conta corrente para evitar deterioração das contas externas no longo prazo, alerta o Goldman Sachs. Nesta semana, o governo elevou o imposto de importação sobre mais de mil itens para, entre outros objetivos, melhorar a situação das contas externas.
A conta corrente é responsável por registrar transações com o resto do mundo como exportações, importações, pagamentos de juros e lucros enviados ao exterior. Quando o país gasta mais dólares do que recebe nesses itens, há déficit, e isso precisa ser financiado por entrada de capital estrangeiro.
Para avaliar a saúde das contas externas, o Goldman Sachs usa a Posição Internacional de Investimentos Líquida (NIIP), que é a diferença entre o que o país tem em ativos no exterior e o que deve para estrangeiros. Uma NIIP muito negativa indica maior vulnerabilidade externa.
“Definimos uma conta corrente sustentável como aquela que estabiliza a posição líquida de ativos externos — capturada pela NIIP — em uma parcela viável do PIB no longo prazo”, diz o banco em relatório.
Isso significa que o Brasil não tem muito espaço para déficits elevados e repetidos sem que a sua dívida externa líquida cresça em relação ao tamanho da economia. Isso exige que o país mantenha déficits controlados ou até caminhe para superávits em momentos de maior estresse externo.
Em janeiro de 2026, a conta corrente registrou um déficit de cerca de US$ 8,4 bilhões, valor maior do que o de janeiro do ano anterior. Já o acumulado em 12 meses até janeiro indica um déficit em torno de 2,9% do PIB, em linha com níveis recentes, mas ainda relevante para o monitoramento externo.
O déficit recente combina fatores como saldo de exportações menor em alguns meses, déficits em serviços e renda primária (juros e lucros enviados ao exterior), apesar de entradas de investimento estrangeiro ajudarem a equilibrar o balanço de pagamentos.
O diagnóstico do Goldman para emergentes como grupo é mais positivo hoje do que em décadas passadas. A maioria dos países reduziu sua vulnerabilidade externa após crises nos anos 1990 e 2000.
“Nos últimos anos, a maioria dos emergentes melhorou suas posições externas, estabilizando suas NIIPs em níveis que permitem déficits moderados no longo prazo.”
Ou seja, muitos conseguem sustentar déficits pequenos sem risco imediato de crise cambial. As exceções mais citadas no relatório incluem Ucrânia, Romênia e Egito, além do Brasil, com desequilíbrios mais caros de financiar.
O relatório alerta também para a evolução dos saldos globais: “Antecipamos que os desequilíbrios globais se ampliarão ainda mais, em grande parte devido ao aumento do superávit em conta corrente da China.”
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