A estudante de medicina Analice Parizzi, de 23 anos, publicou um vídeo em suas redes sociais com a trend “Será que…?”, que já soma 51 mil visualizações. No conteúdo, ela ironiza o fato de ser moradora da região do Ouro Verde, periferia de Campinas, e cursar medicina na Unicamp – assista ao vídeo abaixo.
A trend consiste em dançar e dublar ao som de uma música da Madonna, repetindo a frase “Será que…?”, geralmente em tom irônico ou questionando estereótipos. O vídeo já ultrapassa 5 mil curtidas e acumula cerca de 400 comentários.
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Vídeo questiona estereótipos
Na publicação, Analice levanta questionamentos sobre expectativas sociais, como o fato de pessoas duvidarem que alguém da periferia possa ingressar em um curso concorrido como medicina.
Ela também aborda a questão das cotas e desigualdade de oportunidades. Entre as frases destacadas no vídeo, estão:
“Talvez o problema nunca foi capacidade, e sim oportunidade. E, talvez, a humanização que a gente tanto busca na medicina esteja onde ninguém quer enxergar”, disse.
Segundo a estudante, a ideia do conteúdo foi usar o humor como forma de crítica social e representatividade.
“Eu gosto muito de contar sobre a minha trajetória. Nessa trend, vi a oportunidade de fazer isso de forma lúdica, com elementos bem contrastantes, abordando com humor uma crítica social e brincando com as expectativas do público, além de promover identificação”, afirmou.
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Trajetória da jovem é marcada por desafios
Analice ingressou na Unicamp em 2019 por meio do ProFIS (Programa de Formação Interdisciplinar Superior), voltado a estudantes de escolas públicas. Ela conseguiu a vaga após obter a maior nota da sua escola no Enem.
Em 2021, garantiu ingresso no curso de medicina após se destacar no programa, ficando entre as melhores médias.
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Filha de uma família humilde, a estudante conta que os pais se mudaram para Campinas em busca de melhores oportunidades, após uma crise de desemprego em Birigui, cidade natal da estudante.
Durante a trajetória escolar, ela enfrentou dificuldades estruturais na rede pública, além de episódios de bullying e racismo. Para se preparar para o vestibular, conciliou a rotina de estudos com longos deslocamentos diários.
Desafios continuam na universidade, diz estudante
Mesmo após conquistar a vaga em medicina, Analice relata que as dificuldades persistiram, principalmente em relação à permanência no curso.
A estudante chegou a utilizar até seis ônibus por dia para ir à universidade, em trajetos que podiam durar mais de três horas. A desigualdade também ficou evidente no ambiente acadêmico, segundo ela, ao comparar sua realidade com a de colegas que já possuíam equipamentos e materiais de alto custo.
“A desigualdade ficava escancarada quando eu via meus colegas com um kit médico completo, tablets e iPads de última geração logo no primeiro ano, e eu apenas com lápis e caneta, só conseguindo comprar um tablet este ano”, finaliza.
Apesar disso, ela segue na graduação e, agora, usa as redes sociais para dar visibilidade à própria história e inspirar outras pessoas de origem semelhante.
Agora, sua irmã também está na segunda graduação da Unicamp, no curso de arquitetura. Logo após aprovação, se mudaram para o Jardim Santa Cândida recentemente .
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