
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) de Sorocaba (SP) teria “fabricado” um buraco em uma rua da cidade para que o prefeito Rodrigo Manga (Republicanos) gravasse um vídeo para as redes sociais. A “obra” teria custado ao menos R$ 19,7 mil aos cofres públicos, segundo um dossiê elaborado por servidores do próprio Saae.
O vídeo em questão, de 19 segundos, foi publicado em 9 de abril. Nas imagens, uma pessoa critica dois buracos em vias diferentes de Sorocaba: um “pequeno” e o que teria sido produzido artificialmente. Na sequência, o prefeito aparece, empurra o ator contratado para dentro da vala aberta pelos funcionários e fala com a população sobre benfeitorias realizadas na cidade, principalmente na área de saneamento, encerrando com um convite para que pessoas se mudem para o município.
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O documento enviado ao g1 aponta que 15 funcionários, duas empresas terceirizadas e sete veículos foram mobilizados para produzir o buraco artificial na via pública. O material também cita possível falsidade ideológica, com registros de atendimento e ordens de serviço supostamente falsos, além de desvio de finalidade e prejuízo financeiro ao setor público.
De acordo com o dossiê, ordens de serviço teriam sido criadas apenas para justificar a intervenção no local, o uso dos servidores e o pagamento às empresas privadas. Em um dos procedimentos, foi solicitada a abertura de um poço de vistoria presente na via em que o buraco foi feito. No entanto, as fotos de “antes e depois” anexadas à justificativa da obra — obtidas pelo portal — são idênticas, indicando que a tampa sequer foi movimentada.
O caso foi denunciado ao Ministério Público de São Paulo pelo vereador Raul Marcelo (PSOL), sob suspeita de uso da máquina pública para autopromoção nas redes sociais. O pedido menciona possível improbidade administrativa, além de falsidade ideológica, falsificação de documentos públicos e emprego irregular de verba pública.
Em nota, a prefeitura de Sorocaba afirmou apenas que o buraco foi aberto para uma obra de manutenção da rede de esgoto e que os trabalhos foram concluídos no mesmo dia, seguindo “todos os protocolos legais”, com registros em documento para garantir a rastreabilidade da intervenção realizada.
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