Foi-se o tempo em que famílias mais numerosas apelavam às minivans. Quem ainda faz questão pode recorrer à última representante delas, a Kia Carnival, que custa R$ 684.990 e leva nove pessoas. Não precisa de tantos lugares? Mesmo sendo SUVs, os BYD Atto 8 e GWM Wey 07 têm muito espaço para a família e um nível de equipamentos incomum na faixa dos R$ 400.000 e ainda são híbridos plug-in. Audi, BMW e Mercedes não têm nada parecido na faixa de preço desses SUVs.
O BYD Atto 8 custa R$ 399.990 e está posicionado imediatamente acima do Song Plus Premium (R$ 299.800). É o único híbrido de sete lugares da BYD e estreia no Brasil a nova linguagem de design dos carros da linhagem Dinasty. Isso vai além dos faróis divididos e das luzes diurnas integradas com a barra frontal.

A carroceria tem uma série de elementos disruptivos, como o para–choque dianteiro pintado de cima a baixo e as “guelras” nas portas dianteiras, que nada mais são do que peças plásticas que imitam saídas de ar. As vedações inferiores dos vidros laterais são embutidas, praticamente invisíveis para quem observa o carro e causam muito boa impressão.
A traseira do Atto 8 não é tão interessante assim, talvez por ser mais limpa que a de outros BYD. Para evitar uma maçaneta ou botões na tampa, o mecanismo da abertura elétrica (algo padrão neste segmento) está inconvenientemente posicionado sob a régua da placa, uma posição baixa que também é uma área suja. É isso: melhor apertar a chave ou passar o pé por baixo da traseira para abrir.


O Wey 07 nem se parece com outros carros da GWM no Brasil e a intenção é essa mesmo: é o único carro da divisão de luxo Wey à venda por aqui. Custa R$ 429.000 e não passa despercebido nas ruas. Também tem faróis divididos, mas é o “nariz” formado pelo para-choque avançado o que mais atrai a atenção.
O Wey 07 tem carroceria mais alta, grandes vidros laterais e linha de cintura bem marcada por um vinco que se estende até as enormes lanternas traseiras, que de tão grandes podem ser vistas pela lateral. Elas conferem certa distinção num momento em que praticamente todo SUV tem lanternas integradas.


Passageiros à vontade Se as fotos não deixaram isso evidente, saiba que os dois SUVs chineses são enormes, têm porte equivalente a Audi Q7, BMW X7 e Volvo XC90. Mas o Wey 07 é maior: são 5,16 metros de comprimento, 1,98 m de largura, 1,81 m de altura e 3,05 m de entre-eixos. E o Atto 8, por sua vez, mede 5,04 m de comprimento, 2 m de largura, 1,76 m de altura e 2,95 m de entre-eixos. A diferença ajuda na desenvoltura do carro no dia a dia.




No Wey 07, quem fica à vontade são os passageiros. É um carro com seis lugares, o que resulta em bancos individuais com amplos ajustes elétricos, aquecimento, ventilação e massagem também na segunda fila, que ainda reclinam e estendem apoio para as pernas. A terceira fila oferece bom espaço mesmo para adultos. O acesso ao fundão é feito por entre os assentos da segunda fila.
A preocupação com o conforto dos passageiros chega ao nível de cortinas nos vidros traseiros, uma terceira zona de temperatura para o ar-condicionado, que ventila pelo teto, e há compartimento térmico que pode ser ajustado, podendo fazer o papel de uma estufa ou de um freezer.
O GWM traz painel bem minimalista, com poucos botões mesmo no volante. Os porta-objetos são grandes, mas o acabamento bege decepciona: no painel, não é macio e o compartimento com tampa dobrável, no console, ficou manchado em algum momento por ficar exposto ao sol enquanto recolhida. O interior preto é opcional, no entanto.


O BYD, sim, tem sete lugares e disposição convencional. Por isso, a segunda fila vem com ajuste elétrico só na longitudinal, mas há uma zona de temperatura própria, saídas de ar no teto e aquecimento nos bancos. Para acessar a terceira fila é preciso rebater o banco e o espaço para as pernas ali atrás é 10 cm menor do que no GWM. O Atto 8 traz vidros traseiros de privacidade, escurecidos de fábrica, que a legislação brasileira permite há pouco tempo.
O painel do BYD tem padrão de acabamento mais parecido com o de carros alemães. A faixa horizontal com desenhos geométricos e as estreitas saídas de ar camufladas na seção inferior são boas sacadas. Seu volante exibe mais botões, o que facilita o uso, e os poucos comandos no console garantem acesso rápido a volume do som e modos de condução.


Os dois SUVs familiares têm sistemas muito bem-vindos no dia a dia: head-up display e quadro de intrumentos digital integrados com os mapas (Google Maps, Waze ou navegador nativo). GWM e BYD estão espalhando essa integração por toda a sua gama de produtos neste ano. É curioso, também, como as novas interfaces das duas centrais multimídia são parecidas entre si. O BYD tem 15,6” na central e 10,25” nos instrumentos, enquanto a central do GWM tem 14,6” e os instrumentos são mostrados em uma tela de 12,3”.


Não parece, mas existe uma diferença importante entre as motorizações. Ambos são híbridos plug-in que têm um motor 1.5 turbo a gasolina como peça central para ampliar a autonomia, um motor elétrico dianteiro e um traseiro independente, que garante a tração integral.
O Atto 8 totaliza 488 cv e 68,8 kgfm, com os motores dianteiros gerenciados por um câmbio eCVT. Já sua bateria de 35,6 kWh permite autonomia elétrica de 111 km (Inmetro). Seu desempenho é bom, precisando de 5,5 s para chegar aos 100 km/h. Também são do BYD as melhores médias de consumo: 10,6 km/l na cidade e 10,4 km/l na estrada com gasolina, sempre em modo híbrido.




Um atributo positivo do Atto 8 é a suspensão Disus-C, com amortecedores ajustáveis. Pode-se escolher o modo Conforto e Sport, e ainda controlar a forma como o sistema compensa a inclinação da carroceria. O controle nas curvas realmente faz diferença, mas a suspensão em si não filtra tão bem as imperfeições do piso nem no modo Conforto. No geral, o comportamento do Atto 8 lembra muito o Song Plus e não passa o rodar refinado que se espera dele.
O Wey 07 totaliza 517 cv e 83,6 kgfm com seus dois motores elétricos e usa um câmbio DHT de quatro marchas para gerir a força na tração dianteira. Sua bateria de 42,5 kWh permite rodar até 128 km em modo elétrico. Além de ser mais potente, o Wey é 105 kg mais leve (2.545 kg contra 2.650 kg) e tira vantagem: chega aos 100 km/h em 4,9 s. No entanto, gasta mais gasolina, com média urbana de 10,2 km/l e rodoviária de 8,5 km/l – frustrante para um híbrido.
O GWM não tem nenhum ajuste na suspensão, tampouco as molas pneumáticas que podem ser vistas nos grandes SUVs alemães. Só que o seu conjunto convencional consegue entregar um nível de conforto muito parecido com esse padrão, mesmo usando rodas aro 21”– mesma medida do BYD. O Wey 07 esconde melhor as menores imperfeições da via, mas deixa a carroceria inclinar mais nas curvas. Não chega a ser tão ruim para um carro de vocação familiar, mas não combina tanto com as respostas da direção, mais rápidas que no BYD.
O GWM Wey 07 não é perfeito e custa quase 10% mais caro que o rival, mas é mais equipado e transpira sofisticação em vários aspectos, do rodar à forma como trata seus passageiros. O Atto 8 tem evoluções frente aos outros BYD, mas no convívio mais parece um Song Plus com sete lugares do que um SUV premium posicionado em patamar superior. Pelo conjunto, o Wey vence o comparativo.
Veredicto
Enquanto o BYD Atto 8 é um bom híbrido de sete lugares, o GWM Wey 07 proporciona itens de SUVs de alto luxo, como geladeira, massagem e persianas laterais por R$ 29.000 a mais. Ainda é mais barato que um Volvo XC60.
ATTO 8 ★★★★
WEY 07 ★★★★☆
Avaliação
CONSTRUÇÃO E ACABAMENTO
Ambos surpreendem nos encaixes e no isolamento, mas só o GWM usa couro nappa, melhor ao toque. Os dois carros estavam com as portinholas de abastecimento e recarga montadas desalinhadas e o GWM já tinha peça do painel queimada pelo sol.
ATTO 8 ★★★★
WEY 07 ★★★★
TECNOLOGIA
Os dois estão equivalentes agora que a BYD passou a ter integração com Google em suas telas e carregador wireless de 50 W. Só o Wey 07 estaciona sozinho, o que é bem-vindo para seu porte.
ATTO 8 ★★★★☆
WEY 07 ★★★★★
VIDA A BORDO
O fato de o Wey 07 só ter seis lugares pode ser uma desvantagem, mas isso beneficia todos os passageiros. É o carro com mais itens de conforto e conveniência e também com o maior espaço.
ATTO 8 ★★★★☆
WEY 07 ★★★★★
RENDIMENTO
O Atto 8 é mais econômico em modo híbrido, enquanto o Wey 07 consome menos no modo elétrico. Como o GWM tem tanque de 79 litros, o motorista não percebe como é gastão em estrada.
ATTO 8 ★★★★
WEY 07 ★★★☆
COMPORTAMENTO DINÂMICO
Se o Atto 8 controla a carroceria muito bem, o Wey 07 proporciona maior conforto e parece mais adequado às irregularidades das vias brasileiras. Mas o BYD não passa a sensação de “banheira”.
ATTO 8 ★★★★
WEY 07 ★★★★
SEGURANÇA
Sistemas eletrônicos de ambos se equivalem em quantidade e precisão: em ambos as assistências são invasivas e alarmistas, um convite a desligá-las.
ATTO 8 ★★★☆
WEY 07 ★★★☆
SEU BOLSO
O Wey 07 é mais caro, mas entrega a diferença de preço em conteúdo e desempenho.
ATTO 8 ★★★★☆
WEY 07 ★★★★★
Ficha Técnica
| BYD ATTO 8
Motor: gasolina, diant., transversal, 1.498 cm³, 16V, 156 cv a 6.000 rpm, 22,9 kgfm a 4.500 rpm; elétricos, 271 cv, 32,1 kgfm; 271 cv, 36,7 kgfm |
GWM Wey 07 Motor: flex, dianteiro, transversal, 1.499 cm³, 16V, 150 cv a 5.500 rpm, 23,4 kgfm a 1.500 rpm; dois elétricos, 184 cv, 30,6 kgfm e 299 cv, 30,6 kgfm Potência combinada: 517 cv Bateria: íons de lítio, 42,5 kWh recarga a 60 kW (DC) Câmbio: automático DHT, 4 m, tração integral Direção: elétrica Suspensão: McPherson (diant.), multilink (tras.) Freios: disco ventilado (diant.), disco sólido (tras.) Rodas e pneus: liga leve, 265/45 R21 Dimensões: comprimento, 516,8 cm; largura, 198 cm; altura, 180,5 cm; entre-eixos, 305 cm; peso, 2.545 kg; porta-malas, 640/239 litros; tanque, 79 litros |
Teste Comparativo Quatro Rodas
| Aceleração | Byd Atto 8 | GWM Wey 07 |
| 0 a 100 km/h | 5,5 s | 4,9 s |
| 0 a 1.000 m | 25,7 s / 198,1 km/h | 24,7 s / 197,2 km/h |
| Velocidade máxima | 200 km/h* | 200 km/h* |
| Retomadas | ||
| D 40 a 80 km/h | 2,4 s | 2,7 s |
| D 60 a 100 km/h | 3,4 s | 3,2 s |
| D 80 a 120 km/h | 4,3 s | 5,9 s |
| Frenagens | ||
| 60/80/120 km/h a 0 | 14,2/25/56 m | 14,2/25,2/57 m |
| Consumo | ||
| Urbano | EV 4,8 km/kWh – HEV 10,6km/l | EV 4,6 km/kWh – HEV 10,2 km/l |
| Rodoviário | EV 4 km/kWh – HEV 10,4 km/l | EV 3,6 km/kWh – HEV 8,5 km/l |
| Ruído interno | ||
| Neutro/RPM máx. | 46,5 (carregando)/ – dBA | 52 (carregando)/ – dBA |
| 80/120 km/h | 59,9 / 66,7 dBA | 61 / 65,2 dBA |
| Aferição | ||
| Velocidade real a 100 km/h | 98 km/h | 98 km/h |
| Rotação do motor a 100 km/h | 43 kW | – |
| Volante | 2,7 voltas | 2,5 voltas |
| SEU Bolso | ||
| Preço básico | R$ 399.990 | R$ 429.000 |
| Garantia | 6 anos | 5 anos |
ERGONOMIA

–ATTO 8
A: 169 cm (diant.) / 165 cm (tras.) / 155 cm (3ª fila) B: 94 cm (diant.) / 92 cm (tras.) / 89 cm (3ª fila) C: 102 cm (diant.) /91 cm (tras.) / 80 cm (3ª fila)
WEY 07
A: 168 cm (diant.) / 166 cm (tras.) / 159 cm (3ª fila) B: 101 cm (diant.) / 100 cm (tras.) / 92 cm (3ª fila) C: 101,5 cm (diant.) / 98,5 cm (tras.) / 90 cm (3ª fila)
ASSISTÊNCIA AO MOTORISTA

Atto 8
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Wey 07
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