A Prefeitura de Campinas apresentou nesta quarta-feira (17) um pacote de ações estratégicas para reduzir os impactos de eventos climáticos extremos na cidade. As medidas envolvem diferentes áreas da Administração municipal e foram elaboradas diante da possibilidade de ocorrência de um fenômeno El Niño de intensidade moderada a forte nos próximos meses.
Segundo a Prefeitura, as iniciativas estão alinhadas ao Plano Local de Ação Climática e ao Plano Local de Resiliência e Redução de Riscos de Desastres e têm como objetivo proteger a população, a infraestrutura urbana e os serviços públicos.
Há uma previsão de El Niño de moderado a forte que realmente nos preocupa. Temos várias ações em andamento na atuação climática. Vamos implantar 21 estações de monitoramento, ampliar o programa de microflorestas, inaugurar novos reservatórios de água para combate a incêndios e avançar com parques lineares para reduzir riscos de alagamentos – afirmou.
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El Niño preocupa autoridades
De acordo com a meteorologista Ana Ávila, do Cepegri (Centro de Pesquisas Meteorológicas e Climáticas Aplicadas à Agricultura) da Unicamp, ainda não há consenso sobre a intensidade do próximo El Niño, mas os modelos indicam a possibilidade de um evento de moderado a forte.
O fenômeno pode aumentar a ocorrência de ondas de calor, períodos de seca, incêndios florestais e episódios de chuva intensa. O coordenador regional e diretor da Defesa Civil de Campinas, Sidnei Furtado, destacou que o município tem ampliado a integração entre diferentes órgãos para responder a situações de emergência.
A reação operacional, o envolvimento das equipes foi fundamental para lidar com a situação. Foi uma lição definitiva que nós tivemos. Agora estamos mais preparados e é um trabalho contínuo de aprimoramento das medidas e das ações. A natureza sempre pode surpreender” explicou.
Monitoramento e alertas
Entre as medidas anunciadas está a instalação de 21 novas estações meteorológicas distribuídas pelos 18 setores de risco da cidade. O investimento previsto é de R$ 350,7 mil. O primeiro equipamento já foi instalado no MIS (Museu da Imagem e do Som).
A prefeitura também prevê a ampliação da emissão de alertas para a população por meio de celulares e painéis digitais espalhados pela cidade.
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Escolas e hospital terão climatização
Outra frente de atuação será a adaptação dos equipamentos públicos às ondas de calor.
Entre as ações previstas estão:
- Climatização do Hospital Ouro Verde, com investimento estimado em R$ 3,5 milhões e conclusão prevista para novembro de 2026;
- Climatização de 42 escolas municipais a partir de agosto, com investimento de R$ 4,9 milhões;
- Troca dos telhados de 50 escolas municipais, medida que pode reduzir em até 20% a sensação térmica dentro das unidades;
- Plantio de árvores em escolas localizadas em regiões mais vulneráveis ao calor.
Refúgios climáticos e novos bebedouros
A prefeitura também pretende criar uma rede de refúgios climáticos para acolher a população durante períodos de calor extremo.
Os espaços deverão contar com áreas climatizadas, sombra, bebedouros e estrutura de apoio. Bibliotecas, praças e outros equipamentos públicos poderão integrar a rede.
Combate a incêndios
Campinas também vai ampliar as ações voltadas à prevenção e combate a incêndios. Entre as medidas está a entrada em funcionamento do reservatório de água da Mata de Santa Genebra, prevista para ocorrer até o fim deste mês.
A cidade também prevê a implantação de mais 15 microflorestas até março de 2027. Atualmente, Campinas já possui 27 áreas desse tipo, com cerca de 36 mil mudas de árvores plantadas.

Obras contra enchentes
No campo da infraestrutura, a prefeitura anunciou a implantação de três parques lineares na região central da cidade, com início previsto para 2027.
As obras integram o programa de macrodrenagem e têm como objetivo reduzir os riscos de alagamentos.
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