O Caoa Changan CS75 rendeu à QUATRO RODAS inúmeros e-mails e mensagens nos últimos meses. Isso porque ele foi, sem dúvidas, um dos carros mais flagrados pelas ruas brasileiras desde meados de 2025. E parece haver motivos para isso: segundo a Caoa, o modelo passou por um extenso processo de tropicalização para agradar ao brasileiro.
Agora, o CS75 chega às lojas em versão única, a Infinity, por R$ 199.990 e sem adotar qualquer tipo de eletrificação. Isso o coloca contra SUVs médios a combustão como Jeep Compass, VW Taos, Toyota Corolla Cross e Renault Boreal, embora o chinês seja maior do que todos eles e tenha preço de versão topo de linha de SUVs compactos.
O design do Caoa Changan CS75 segue as tendências globais. Na dianteira, os faróis full LED com assinatura luminosa em traços horizontais se conectam por uma barra de LED, complementando a grade em preto brilhante, um detalhe alinhado às preferências do público brasileiro – segundo a marca.
A traseira exibe lanternas interligadas com elementos verticais que remetem a barras equalizadoras de som. As rodas de 20 polegadas com acabamento diamantado e pneus Pirelli Zero All Season são as maiores entre os rivais. Há também maçanetas retráteis. O rack de teto cinza adiciona funcionalidade, suportando até 30 kg.
O Caoa Changan CS75 é o maior modelo do segmento. São 4,77 metros de comprimento, 1,91 m de largura e 1,70 m de altura, com um entre-eixos generoso de 2,80 m. Isso o torna superior em tamanho a veículos como Jeep Commander e Haval H6.

Três telas e acabamento “chinês”
Por dentro, o CS75 vai bem em tecnologia e sofisticação. O painel integra um conjunto de três telas em uma única superfície: um quadro de instrumentos de 10,3 polegadas, uma central multimídia de 14,6 polegadas e uma tela exclusiva para o passageiro de 12,3 polegadas.
A conectividade é garantida com Android Auto e Apple CarPlay, além da função de espelhamento de GPS no quadro de instrumentos. Na tela do passageiro, há possibilidade de ver notícias e assistir a vídeos no YouTube, por exemplo.

Os bancos dianteiros têm ajustes elétricos, ventilação, aquecimento e massagem, com o do motorista contando ainda com memória e função de entrada/saída facilitada. O banco do passageiro tem o cinto de segurança integrado, permitindo a reclinação total sem afetar a segurança. Os passageiros traseiros também têm saídas de ar-condicionado e bancos com aquecimento e ventilação.
Outros destaques incluem teto panorâmico, câmera 360 graus com “chassi transparente”, console central refrigerado, carregador por indução e um sistema de som Pioneer de 14 alto-falantes.

Em termos de segurança, o SUV vem completo com um completo pacote ADAS, que inclui controle de cruzeiro adaptativo (ACC), frenagem automática de emergência, assistentes de permanência e correção de faixa, assistente semiautônomo de estacionamento e alertas de pontos cegos.
O acabamento segue o padrão de carros chineses, e isso é bom. Há materiais emborrachados e/ou com revestimento sintético em praticamente todas as áreas onde os olhos veem e as mãos tocam. No console central e nos painéis de porta há ainda apliques que imitam madeira cinza. Dispensáveis.

Conforto e espaço de sobra
As medidas externas do CS75 se refletem no interior. Há espaço de sobra para os ocupantes da segunda fileira, mesmo que eles sejam mais altos, e ainda é possível levar um terceiro ocupante ao centro, já que o assoalho é plano e o console central não invade a área destinada às pernas. Por ser um carro largo, três pessoas não viajarão tão apertadas.
O banco traseiro tem ainda à disposição duas posições diferentes de inclinação, além de saída de ar-condicionado e USB – porém, são apenas uma saída de ar e uma porta USB (ao menos, é do tipo C). Chama atenção o quesito conforto dos bancos, de espuma macia e com revestimento agradável ao toque.
Seu porta-malas oferece 610 litros de capacidade com o assoalho em posição superior. Com o assoalho em um nível inferior libera-se mais espaço e a capacidade sobe para 725 litros.
Sem eletrificação, mas precisa?
Diferenciando-se de muitos SUVs chineses que chegam ao mercado brasileiro com motores híbridos, o Caoa Changan CS75 aposta apenas em um motor a combustão. O motor é o 1.5 turbo flex que já equipa o Uni-T, com 180 cv de potência e 29,2 kgfm de torque, com calibração exclusiva para o Brasil – além do fator flex.
Com câmbio automático Aisin de oito marchas e a tração dianteira a aceleração de 0 a 100 km/h prometida pela marca é de 8,5 segundos. A escolha por não lançar uma versão híbrida de imediato visou acelerar a chegada do CS75 ao país, embora a Caoa Changan estude futuras opções eletrificadas.

O desempenho é suficiente para o modelo. As acelerações são boas em saídas e retomadas, sem esforço exagerado (nos quesitos movimento e ruído) e sem perda de fôlego. O câmbio tem trocas suaves e rápidas. Na prática, não se sente falta de um sistema híbrido, a princípio, até pelo bom consumo. Segundo a marca, junto ao Inmetro, as médias são de 10,5 km/l na cidade e 12,3 km/l na estrada, com gasolina.
A Caoa Changan enfatiza a “tropicalização” do CS75, com ajustes específicos para as condições das estradas brasileiras. O conjunto de amortecedores, por exemplo, recebeu calibração exclusiva. A suspensão independente nas quatro rodas, com sistema multilink na traseira, promete maior conforto e estabilidade ao dirigir o SUV. E cumpre.

Ele tem movimentos suaves, mas firmes, sem balanços ou inclinações exageradas da carroceria, como costumam ser em marcas chinesas recém-chegadas ao Brasil. Não chega a ser rígida como dos modelos da GWM, por exemplo.
Veredicto
O Caoa Changan CS75 parece errar ao não ter motorização híbrida, mas pode ser um acerto para se manter o bom preço. Isso, sim, dá destaque ao modelo: com preço de SUV compacto, o modelo tem espaço de sobra e um nível de conforto e tecnologia que não se vê em sua faixa.
