A Ford F-150 Shelby Super Snake Sport entra em sua segunda geração nos Estados Unidos defendendo um formato que as montadoras tradicionais quase abandonaram. A picape de cabine simples renuncia ao trabalho pesado e uso no fora de estrada para focar no desempenho, transformando-se em um veículo esportivo de 821 cv.
A carroceria com duas portas tem suas vantagens. A carroceria mais curta e leve favorece a relação peso-potência e diminui a torção da carroceria em acelerações fortes, características que favorecem o comportamento dinâmico. É uma receita focada em asfalto que a Shelby já havia testado na geração anterior do modelo, comercializada entre 2020 e 2023, e que agora retorna atualizada sobre a plataforma mais recente da picape.
O preço da potência dobrada

O conjunto mecânico utiliza como ponto de partida o motor V8 5.0, que originalmente entrega 405 cv na linha de produção da Ford. A preparadora norte-americana dobra essa capacidade por meio de um compressor mecânico de projeto próprio. Para sustentar o novo regime de trabalho, o motor recebe um trocador de calor de alumínio superdimensionado, injetores de combustível de maior vazão e novas velas de ignição. O sistema de escapamento também é recalibrado para otimizar o fluxo de gases e entregar um ronco mais encorpado.
A adequação do chassi figura como a etapa mais complexa do projeto, visto que utilitários não têm geometria de suspensão voltada para contornar curvas em alta velocidade. A suspensão foi completamente revista, adotando altura reduzida em relação ao solo e amortecedores ajustáveis do tipo coilover. O eixo traseiro recebe barras de tração adicionais para evitar que a força torça os feixes de mola em arrancadas mais bruscas.
Ajustes aerodinâmicos e de chassi
A aderência no asfalto fica a cargo de pneus de alta performance da Michelin, montados em rodas de liga leve de 22 polegadas. Isso inviabiliza o uso da picape em estradas de terra ou canteiros de obra, mas há o reforço de um sistema de freios redimensionado pela marca Baer para suportar frenagens intensas.

As alterações visuais cumprem funções aerodinâmicas antes das estéticas. O capô exibe uma tomada de ar funcional para alimentar o compressor, enquanto os para-lamas dianteiros abrigam saídas que aliviam a pressão de ar na caixa de roda. A carroceria pode receber cinco opções de cores, sempre atravessada por faixas longitudinais. A cabine perde a simplicidade original e adota pedaleiras de alumínio, detalhes em fibra de carbono e revestimentos de couro nos bancos.
Custo da exclusividade
A produção restrita a apenas 500 unidades resulta em preço elevado. A versão superalimentada parte de US$ 115.795 no mercado norte-americano, valor que equivale a R$ 588.296 em conversão direta. Essa cifra é suficiente para comprar uma Ford F-150 Tremor no Brasil. Nos Estados Unidos, o valor cobrado pela Shelby representa mais que o dobro de uma F-150 XL de cabine simples.
