O custo da cesta básica em Campinas teve um salto expressivo em março e atingiu R$ 831,77, segundo levantamento do Observatório PUC-Campinas. O aumento foi de 7,12% em relação a fevereiro — a maior variação mensal desde o início da série histórica, em setembro de 2022.
Na comparação com o mês anterior, o valor subiu R$ 55,31. Em fevereiro, o custo médio dos itens essenciais estava em R$ 776,46.
O que explica a alta
De acordo com o economista Pedro de Miranda Costa, do Observatório PUC-Campinas, o avanço nos preços é resultado de um conjunto de fatores, tanto internos quanto externos. Um deles é o impacto indireto de tensões no Oriente Médio, que pressionam o preço do diesel e, consequentemente, encarecem o transporte de mercadorias.
Como o frete tem peso relevante no custo final dos alimentos, qualquer aumento no combustível tende a ser repassado ao consumidor.
“Para você transportar um quilo de batata e um quilo de computador, o custo do transporte é basicamente o mesmo. Só que um quilo de computador vale algumas dezenas de milhares de reais. E um quilo de batata vale poucos reais. Então, o impacto relativo do transporte no preço do produto é maior”, explica o economista.
Outro fator apontado é a queda atípica registrada em fevereiro. Segundo o especialista, o comportamento esperado para 2026 já era de alta nos alimentos, o que torna a variação de março ainda mais acentuada.
Produtos que puxaram o aumento
Entre os itens da cesta, alguns tiveram papel decisivo na elevação do índice. O tomate foi o principal destaque, com alta de 51,98% no período.
A explicação está na combinação entre entressafra e tendência de valorização do produto ao longo do ano.
“Ele é um item que oscila muito, e juntou o fato de que essa época do ano é uma época de entressafra, e com uma tendência de alta, ele disparou. O feijão e o leite também sofreram com isso”, afirma Costa.
Impacto no orçamento
Com o novo valor, a cesta básica passa a comprometer 51,3% do salário mínimo, atualmente fixado em R$ 1.621. Ou seja, mais da metade da renda de um trabalhador é destinada apenas à alimentação básica.
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Como é calculada a cesta
O levantamento considera 13 itens alimentícios, com quantidades estabelecidas por um decreto-lei de 1938, que define o consumo necessário para garantir condições mínimas de alimentação a um trabalhador adulto ao longo de um mês.
Entre os produtos analisados estão:
- Açúcar (3 kg)
- Arroz (3 kg)
- Café (600 g)
- Farinha (1,5 kg)
- Feijão (4,5 kg)
- Leite (7,5 litros)
- Manteiga (750 g)
- Óleo (750 ml)
- Banana (90 unidades)
- Batata (6 kg)
- Carne (6 kg)
- Pão francês (6 kg)
- Tomate (9 kg)
A metodologia segue os parâmetros do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos, adaptados aos hábitos de consumo da região Sudeste.
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Metodologia da pesquisa
Para chegar ao valor da cesta em Campinas, os pesquisadores analisaram os preços praticados em 28 supermercados localizados em bairros no entorno do centro da cidade.
O Observatório PUC-Campinas acompanha mensalmente a evolução dos preços desde setembro de 2022, utilizando sempre a mesma metodologia para garantir a comparabilidade dos dados ao longo do tempo.
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