
PEQUIM/CINGAPURA, 27 de abril (Reuters) – A China ordenou nesta segunda-feira que a Meta reverta a aquisição da startup de inteligência artificial Manus, avaliada em mais de US$ 2 bilhões, em um momento em que o país intensifica o escrutínio sobre os investimentos norte-americanos em startups nacionais de tecnologias de ponta.
A medida da Comissão Nacional de Desenvolvimento e Reforma destaca o compromisso da China em impedir que empresas dos Estados Unidos adquiram talentos e propriedade intelectual em IA, enquanto Washington tenta cortar o acesso de empresas de tecnologia chinesas a chips norte-americanos avançados.
O gabinete da comissão responsável pela análise da segurança dos investimentos estrangeiros afirmou que ‘proibirá o investimento estrangeiro na Manus, em conformidade com as leis e regulamentos, e exigirá que as partes envolvidas revertam a transação de aquisição’.
O comunicado não mencionou a Meta nem outros investidores estrangeiros na Manus.
A medida ocorre antes da cúpula planejada para meados de maio entre o presidente dos EUA, Donald Trump, e seu homólogo chinês, Xi Jinping, em Pequim. O Ministério do Comércio da China havia anunciado uma investigação sobre a operação em janeiro, dias depois de a Meta ter concluído a aquisição da startup em dezembro.
China: lucro industrial sobe 15,8% em março e 15,5% no 1º tri, na comparação anual
O resultado prolonga a sequência de altas iniciada em agosto de 2025.
Investidores da Manus deixaram a empresa após a aquisição pela Meta, disseram três fontes familiarizadas com o assunto. A China raramente exige o cancelamento de negócios corporativos após sua conclusão, o que demonstra o aumento da fiscalização regulatória em meio à competição tecnológica entre EUA e China.
Os dois cofundadores da Manus, o presidente-executivo Xiao Hong e o cientista-chefe Ji Yichao, foram convocados a Pequim para conversas com autoridades reguladoras em março e, posteriormente, proibidos de deixar o país, disseram cinco fontes familiarizadas com o assunto.
Xiao e Ji não responderam aos pedidos de comentários da Reuters.
Após receber um aporte de US$75 milhões liderado pela empresa de capital de risco norte-americana Benchmark em maio de 2025, a Manus fechou seus escritórios na China em julho, demitindo dezenas de funcionários.
Em seguida, transferiu suas operações para Cingapura sem buscar a aprovação dos reguladores chineses, disseram pessoas familiarizadas com o assunto.
Isso permitiu que a empresa controladora da Manus, a Butterfly Effect, se reincorporasse em Cingapura e contornasse as restrições de investimento dos EUA para empresas chinesas de IA, bem como as restrições regulatórias chinesas à transferência de propriedade intelectual e capital de empresas nacionais de IA para o exterior.
A equipe da Manus já se mudou para os escritórios da Meta em Cingapura, e os projetos estão prosseguindo apesar das proibições de saída impostas aos dois executivos, disseram duas fontes familiarizadas com o assunto.
O pedido da China para desfazer o acordo da Manus é o caso mais recente e notório de bloqueio de uma transação transfronteiriça por parte do país.
The post China manda Meta reverter compra da startup de IA Manus avaliada em mais de US$ 2 bi appeared first on InfoMoney.
