Ainda que o avanço do saneamento básico em Holambra tenha trazido impactos positivos nos últimos anos, a cidade ainda enfrenta um desafio: a desigualdade no acesso entre áreas urbanas e rurais. Enquanto o município alcançou 100% de atendimento na região urbana, cerca de 3 mil moradores ainda vivem sem acesso completo aos serviços, segundo um estudo do Instituto Trata Brasil.
O levantamento foi feito com base em dados públicos fornecidos por fontes como o Sistema Nacional de Informação e Saneamento, DataSus, Ministério do Trabalho e Renda, e o Ministério do Turismo.
Luana Siewert Pretto, presidente do Trata Brasil, explicou que o instituto tem uma metodologia que avalia os benefícios econômicos e sociais da universalização do saneamento básico no Brasil e que, recentemente, começou a ser aplicada em municípios.
“Nós escolhemos estudar Holambra porque é um município pequeno, que conseguiu na área urbana já atingir essa universalização. Então, o nosso objetivo sempre é utilizar cases para que eles possam servir de exemplo para outros municípios”, disse Luana.
De acordo com o estudo, entre 2013 e 2024, a ampliação do saneamento gerou mais de R$ 278 milhões em benefícios sociais, econômicos e ambientais para Holambra. Os impactos incluem melhorias na saúde, aumento da produtividade, fortalecimento do turismo e valorização imobiliária.
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Entre os principais resultados está a economia de cerca de R$ 6 milhões com a redução de afastamentos por doenças e internações no SUS (Sistema Único de Saúde). A melhoria ambiental, com a despoluição de corpos hídricos, também impulsionou o turismo, gerando ganhos estimados em R$ 431 mil.
“A redução de custo com saúde de R$ 6 milhões representa pessoas que deixam de ser internadas por doenças relacionadas à falta de saneamento básico, principalmente crianças na sua primeira infância e idosos. Esses grupos são os mais afetados, muitas vezes com a internação relacionada à falta de saneamento básico”, explicou a presidente da Trava Brasil.
O estudo aponta ainda aumento de R$ 17,2 milhões na produtividade e na renda do trabalho, além de valorização imobiliária que resultou em cerca de R$ 1,9 milhão em benefícios diretos à população.
Parte da população ainda não tem acesso à água tratada
Apesar dos avanços, o cenário ainda apresenta desafios. Em 2024, aproximadamente 19,5% da população, o equivalente a cerca de 3 mil pessoas, não tinha acesso à água tratada, enquanto 19,1% não contavam com coleta de esgoto. Esses déficits estão concentrados, principalmente, nas áreas rurais.
“Holambra é um município que conseguiu essa universalização na área urbana, mas ainda tem o desafio do rural, que é uma realidade de muitos municípios brasileiros. É um tema que a gente também quer chamar a atenção, de que o saneamento precisa ser para todos e não apenas na área urbana”, continuou Luana.
Como exemplo, a presidente do instituto explicou que quando os moradores de áreas rurais não têm acesso a saneamento, podem estar utilizando a água de poços com contaminação cruzada por conta da falta da coleta e tratamento de esgoto. Neste caso, essas pessoas muitas vezes podem estar enfrentando doenças que nem sabem que podem estar relacionadas a falta do saneamento.
“Historicamente, no saneamento básico do Brasil, a área rural ficou em segundo plano. Mas quando a gente tem uma realidade onde a área urbana está universalizada, o próximo passo é a área rural. Aí a gente precisa de políticas públicas, de priorização desse tema, para que o município esteja 100% universalizado e continue girando a economia com turismo, com valorização, com tudo que o município tem desfrutado”, explicou Luana.
A falta de acesso a saneamento para uma parcela de Holambra reflete uma realidade mais ampla no estado de São Paulo. Dados da PNAD Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua), do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), mostram que, em 2025, 94,5% dos domicílios tinham escoamento de esgoto por rede geral ou fossa séptica ligada à rede. No entanto, nas áreas rurais, esse índice cai para 22,7%, enquanto nas áreas urbanas chega a 97%.
Nas regiões rurais, a fossa séptica não ligada à rede é o tipo mais comum de esgotamento sanitário, representando 54,1% dos casos, seguida por outras formas, como fossas rudimentares e escoamento direto em áreas fluviais.
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O que esperar para o futuro?
De acordo com o Trata Brasil, a expectativa é que os avanços continuem gerando resultados positivos, em Holambra. Para os próximos anos, o saneamento pode trazer cerca de R$ 21 milhões adicionais em benefícios para o município.
Até 2040, a projeção é de que os ganhos alcancem R$ 25,2 milhões. A estimativa também aponta que, após 2040, cada R$ 1 investido em saneamento poderá gerar um retorno de R$ 2,40 em benefícios sociais.
“Com essa universalização até 2040, da área rural também, a gente poderia ter, por exemplo, mais R$ 365 mil em valorização imobiliária, mais R$ 395 mil em ganho com turismo, mais r$ 3,3 milhões em ganho com produtividade”, afirmou Luana.
*Com informações da EPTV Campinas
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