Ruy Magalhães, São Paulo (SP)
Seu pensamento não está errado e a relação entre as unidades de potência (kW) e de medida de energia (kWh) realmente é essa. Mas o engenheiro Wanderlei Marinho, especialista em carros elétricos e membro do conselho da SAE Brasil (em português, Sociedade dos Engenheiros Automotivos), lembra que, no mundo real, existem diversas variáveis que devem ser levadas em consideração. Logo, a conta não é resolvida com uma simples divisão de valores.
“O carro raramente usa potência máxima o tempo todo. Isso só ocorre em acelerações intensas ou em alta velocidade constante. Em uso urbano ou rodoviário normal, o consumo médio pode variar entre 15 e 20 kWh por 100 km, o que dá uma autonomia de 300 a 400 km com essa bateria”, explica o especialista.
Além disso, a energia da bateria alimenta todos os sistemas elétricos do veículo, desde ar-condicionado, sensores, unidades de controle eletrônico (ECUs) e telas, por exemplo. Também entram nessa conta a eficiência dos conversores de energia (conversores DC-DC; inversor DC-AC) e o tipo de bateria de lítio (lítio-níquel-manganês-cobalto; lítio-ferro-fosfato; entre outras).
Outro fator que interfere é o clima. A bateria precisa estar a uma temperatura ideal para funcionar bem e seu desempenho é diretamente afetado pelo calor ou frio. O frio e o calor intensos afetam o desempenho do carro elétrico nas vias urbanas e rodovias. As células precisam operar em uma janela de temperatura ideal para entregar força e eficiência máximas.
“Em temperaturas muito baixas, por exemplo, ela vai extrair muito menos potência”, explica Marinho. O sistema restringe o envio de energia para proteger o componente, impedindo o esgotamento rápido da carga mesmo sob forte aceleração.
