O mercado de smartphones segue sofrendo os efeitos da atual crise de chips de memória e a situação não parece ter data para melhorar. Um novo estudo da Omdia traz mais detalhes sobre as consequências desse momento de mercado na categoria.
O relatório confirma um temor da indústria: os segmentos mais baratos de celulares são mesmo os mais afetados pela alta no preço desses componentes. A tendência mais pessimista é de que os aparelhos que custam menos de US$ 400 nos Estados Unidos tenham vendas até 22% menores do que no ano anterior.
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A categoria, que em conversão direta de moeda seria o equivalente a pouco mais de R$ 2 mil, corresponde a aparelhos intermediários — como o Samsung Galaxy A36 e o Xiaomi Redmi Note 15 Pro no lançamento, por exemplo.
Por que os mais baratos sofrem mais?
Como explica a Omdia, smartphones mais baratos são mais afetados pela crise de chips por naturalmente terem uma margem bastante limitada de orçamento: para manter o preço baixo e ter alguma margem de lucro, é preciso que o valor dos componentes também esteja reduzido.
- No atual preço e com a tendência de alta ainda em andamento, chips de memória podem corresponder a 60% dos custos de fabricação e peças de um smartphone intermediário;
- Como forma de manter essa margem e o lucro gerado pela venda em quantidade, muitas fabricantes estão “rebaixando” a categoria de outras peças ou negociando novos preços em áreas como telas e módulos de radiofrequência;
- Mesmo com essa estratégia, nomes fortes dessa categoria (como Oppo, vivo, Honor e Xiaomi) já confirmaram ao menos um aumento de preços;
“À medida que os custos de memória continuam remodelando a economia dos smartphones, as fabricantes precisarão equilibrar com mais cuidado a acessibilidade de preços, lucratividade e competitividade dos produtos”, diz o estudo.
Modelos premium podem compensar perdas
No geral, o setor de smartphones pode encolher até 12% no geral ao longo de 2026. Porém, o setor de aparelhos acima dos US$ 400 pode seguir o caminho contrário e até crescer 5,7% durante o ano, em uma movimentação que a Omdia também explica no levantamento.
De acordo com o relatório, consumidores de produtos premium tendem a ser menos “sensíveis a mudanças de preços” e mantêm as aquisições mesmo com leves variações no valor cobrado.
Além disso, o custo de fabricação de modelos mais caros é mais equilibrado e distribuído entre outros componentes. Outro ponto favorável é a maior flexibilidade nessa categoria para adotar uma tecnologia diferente de painel sem afetar tanto o resultado final ou a margem de lucro, por exemplo.
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