A Dacia revelou os primeiros detalhes do Dacia Striker, seu novo crossover que chega ao mercado Europeu com a missão de expandir a presença da marca romena entre os carros médios. O modelo adota uma receita pouco ortodoxa, misturando o teto baixo de um sedã, a traseira alongada de uma perua e a altura em relação ao solo típica de um SUV.
A marca tem um objetivo: abocanhar uma fatia de mercado que hoje transita entre os SUVs tradicionais e os hatches médios, ajudando a elevar a participação da Dacia no segmento de 20% para 33% nos próximos quatro anos – uma das metas estratégicas da fabricante.
O modelo começa a ser vendido no mercado europeu com preços partindo de menos de 25.000 libras esterlinas (cerca de R$ 174.500 em conversão direta ao câmbio atual, valor inicial pouco abaixo do cobrado pelo Renault Boreal no Brasil).
Silhueta de perua e vão livre de utilitário esportivo
Em vez de criar um SUV alto e pesado, a Dacia desenhou um carro de 1,53 m de altura (cerca de 7 cm mais baixo que a média dos SUVs médios da categoria), o que resultou em um coeficiente aerodinâmico de 0,29, número bastante favorável para conter os índices de emissões. Com 4,62 m de comprimento, o Dacia Striker repete exatamente o porte de uma perua média tradicional, facilitando o espaço para pernas e a capacidade de carga.

O que aproxima o Striker dos SUVs está na parte inferior da carroceria. O vão livre em relação ao solo é de 19 cm nas versões de tração dianteira e chega a 20 cm nas configurações com tração integral. As rodas de série começam em 17″, mas o catálogo oferece conjuntos de 18 e 19″ para preencher as caixas de roda.
Visualmente, o crossover é o encarregado de estrear a nova assinatura luminosa em formato de “T” da marca, em LED, posicionada nas extremidades dianteira e traseira. Na frente, os faróis são interligados por uma grade em preto brilhante com o logotipo ao centro. Na traseira, uma barra preta horizontal ostenta o nome da fabricante em relevo e conecta as lanternas, reforçando a sensação de largura do carro. Para destacar as aptidões fora de estrada, as molduras das caixas de roda e as proteções dos para-choques são feitas de um composto plástico texturizado que dispensa pintura e resiste melhor a riscos, de acordo com a fabricante.
Motor 1.8 híbrido promete rodar 80% do tempo no modo elétrico

Para lidar com a concorrência chinesa e as novas regras antipoluição, o modelo aposta forte na eletrificação. O conjunto Hybrid 155 alia um motor 1.8 a gasolina de 110 cv a dois motores elétricos, sendo um de propulsão com 50 cv e um gerador de alta tensão. Com um câmbio automático com quatro marchas sem embreagem e bateria de 1,4 kWh, a marca afirma que o veículo pode rodar até 80% do tempo no modo elétrico no ambiente urbano. O peso do Striker, na faixa de 1.400 kg joga a favor da eficiência do conjunto.
Para quem busca algum talento no fora de estrada, o Dacia Striker Hybrid 150 4×4 soa mais convincente. O sistema emprega um motor 1.2 turbo de 142 cv e 23,4 kgfm com tecnologia híbrida-leve de 48V no eixo dianteiro. Na traseira, um motor elétrico independente de 31 cv e 8,9 kgfm fornece a tração integral sob demanda. O conjunto, que equipará o Renault Boreal e a picape Niagara no Brasil, entrega 152 cv combinados e desacopla o eixo traseiro em rodovias para poupar combustível, garantindo fôlego extra em terrenos de baixa aderência por meio dos modos de condução desenvolvidos para neve, lama e areia.
Cabine tecnológica e proposta familiar

Por dentro, o painel assume um desenho de linhas horizontais, priorizando botões físicos e atalhos rápidos. A central multimídia se apoia em uma tela de 10,1 polegadas com espelhamento sem fio e atualizações de trânsito em tempo real, enquanto o quadro de instrumentos digital projeta as informações com efeito de profundidade 3D em um visor de 7 polegadas.
O porta-malas tem 600 litros e piso modular dividido em três partes, permitindo dividir o compartimento para evitar que bagagens soltas fiquem rolando pelo piso, além de criar uma superfície nivelada quando o encosto traseiro é deitado.

Mesmo a versão intermediária do Dacia Striker, chamada de Expression, tem rodas de liga leve de 17 polegadas, ar-condicionado digital de duas zonas, freio de estacionamento eletrônico com função Autohold e saídas de ar para o banco traseiro com duas portas USB adicionais. Acima dela, a versão Extreme tem teto solar panorâmico, controle de descida, detalhes externos em tom bronze, bancos revestidos em tecido sintético lavável e tapetes de borracha reciclada. Já a versão Journey adiciona banco do motorista com ajustes elétricos, assentos dianteiros e volante aquecidos, carregador de celular por indução e a tampa do porta-malas com abertura elétrica.

Em segurança, todas as configurações trazem de série o pacote de assistências ADAS, incluindo frenagem autônoma de emergência, assistente de permanência em faixa e leitor de placas de velocidade.
A chegada do crossover às concessionárias europeias será pautada pelo custo-benefício. Distante do Brasil por ostentar os emblemas da Dacia, o utilitário funciona como um ótimo termômetro para os próximos projetos híbridos nacionais da Renault, que serão baseados no Boreal e na Niagara.
