
Uma ex-analista financeira da boutique de investimentos Centerview Partners levará à Justiça dos Estados Unidos a alegação de que foi demitida após solicitar um período garantido de nove horas de sono por noite para tratar transtorno de humor e ansiedade. A história foi trazida pelo jornal Financial Times.
Kathryn Shiber ingressou na Centerview em 2020, aos 21 anos, como analista júnior. Pouco após iniciar no cargo, a empresa estruturou um arranjo que reservava o intervalo entre meia-noite e 9h exclusivamente para descanso. Em contrapartida, ela permaneceria disponível para trabalhar nos demais horários, inclusive fins de semana.
Menos de três semanas após a implementação do acordo, Shiber foi desligada. Segundo a ação, o diretor de operações teria questionado a compatibilidade entre as exigências médicas da analista e a rotina típica de um banco de investimento.
Cinco sinais de que os EUA podem atacar o Irã a qualquer momento
Embora Washington não tenha anunciado uma ofensiva, os sinais indicam que os EUA estão construindo as condições políticas e estratégicas para agir contra o Irã
EUA dizem que China fez teste nuclear secreto em 2020
Washington afirma ter detectado sinal sísmico compatível com explosão de baixa intensidade em Lop Nur; Pequim nega
O julgamento está previsto para começar na próxima semana, em tribunal federal de Nova York. Em decisão anterior, o juiz Edgardo Ramos afirmou que há controvérsia legítima sobre se a disponibilidade irrestrita e jornadas longas e imprevisíveis são funções essenciais do cargo de analista.
Debate sobre cultura de trabalho
O caso ocorre em meio a críticas recorrentes às condições de trabalho em Wall Street. Em 2021, analistas do Goldman Sachs divulgaram apresentação interna relatando exaustão e privação de sono durante a pandemia, o que levou algumas instituições a adotar limites de jornada e folgas obrigatórias.
Na ação, a Centerview argumenta que seus profissionais juniores, assim como em outras instituições do setor, estão sujeitos a cargas horárias extensas e horários imprevisíveis.
A empresa sustenta que a janela de nove horas foi concebida como solução temporária e que não haveria acomodação razoável compatível com a necessidade de descanso regular.
Projeto estratégico e desligamento
À época da demissão, a funcionária atuava em um projeto de grande relevância para o banco. Após se desconectar depois da meia-noite sem avisar colegas seniores, foi advertida. Em seguida, comunicou formalmente ao departamento de recursos humanos sua necessidade médica de sono.
O banco passou a dispensá-la do trabalho no período noturno. Posteriormente, segundo documentos judiciais citados pelo Financial Times, a instituição avaliou que a ausência poderia afetar tanto o desempenho da analista quanto a dinâmica da equipe.
A ação também expõe detalhes pessoais. Em depoimento, advogados da Centerview questionaram funcionária sobre uso de redes sociais e histórico acadêmico. Ela nega qualquer irregularidade.
Pedido milionário
Shiber afirma que a demissão comprometeu sua trajetória profissional no setor financeiro. Ela busca salários que teria recebido ao longo da próxima década, remunerações retroativas e compensação por danos emocionais, o que pode alcançar milhões de dólares.
Desde o desligamento, declarou ter recebido cerca de US$ 582 mil em rendimentos, incluindo período em que trabalhou no grupo financeiro do Google.
Fundada em 2006 por Blair Effron e Robert Pruzan, a Centerview é considerada uma das principais boutiques de assessoria em fusões e aquisições dos EUA, com receita anual superior a US$ 2 bilhões, segundo o Financial Times.
The post Demitida após acordo para dormir 9h, analista financeira leva banco a julgamento appeared first on InfoMoney.
