A polêmica envolvendo um suposto “prazo de validade” para jogos digitais nos consoles da Sony continua sem respostas claras. Após relatos de jogadores de PlayStation 5 e PlayStation 4 sobre um possível sistema de verificação de licença a cada 30 dias que obriga o console a ficar online, a empresa ainda não divulgou um posicionamento oficial — e o silêncio tem alimentado ainda mais dúvidas na comunidade.
O Voxel entrou em contato com a divisão PlayStation Brasil para esclarecer a situação, mas não obteve resposta até o momento da publicação desta reportagem. Nas redes sociais, jogadores seguem tentando entender se o recurso faz parte de uma nova política de DRM ou se tudo não passa de um erro introduzido em atualizações recentes do sistema.
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Enquanto isso, relatos e testes realizados por criadores de conteúdo e grupos de preservação de games indicam que algum tipo de verificação adicional realmente pode estar em funcionamento, mas tudo também pode ser um bug.
O que se sabe sobre o suposto DRM de 30 dias no PlayStation
A discussão começou no fim de semana, após usuários notarem que jogos digitais adquiridos após a última atualização na loja do PlayStation passaram a exibir informações relacionadas a prazo de validade da licença. Em alguns casos, a interface indicaria que o acesso poderia expirar caso o console ficasse muito tempo sem se conectar à internet.
Segundo investigações feitas por comunidades dedicadas à preservação de jogos, como o grupo DoesItPlay e o Modder Hardware, compras feitas antes de março de 2026 parecem não ser afetadas e tudo pode ser apenas um bug. Já títulos adquiridos após esse período estariam vinculados a uma verificação periódica de licença que exige conexão online ao menos uma vez por mês.
O sistema estaria vinculado com a renovação de licenças e não tira o jogo digital da conta do consumidor. Ou seja, desde que o usuário ligue o console na internet para validação, o game poderá ser aberto normalmente.
Vale ressaltar que a aparição do “prazo de validade” não é um padrão no PS4 e PS5. Aqui no Voxel, eu testei jogos novos e antigos em ambos os consoles, e títulos recém-adquiridos após a atualização ainda não apresentam o contador.
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Embora isso não represente um problema para a maioria dos jogadores — já que muitos consoles permanecem conectados à internet — a situação levantou preocupações. Afinal, a questão toca em um assunto delicado: a preservação de jogos.
O que dizem os testes?
Alguns criadores de conteúdo tentaram reproduzir o problema para entender como o sistema funciona. Um dos testes mais citados envolve remover a bateria CMOS do console, componente responsável por manter as configurações de data e hora da placa-mãe.
Ao fazer isso em um PlayStation 5, o criador de conteúdo John Spawn relatou que dois jogos digitais comprados recentemente exibiram uma mensagem de erro ao tentar iniciar sem conexão com os servidores da plataforma. O sistema indicava que não era possível verificar a licença do conteúdo naquele momento.
Curiosamente, jogos mais antigos presentes na mesma biblioteca não apresentaram o mesmo problema, o que reforçou a hipótese de que a mudança estaria relacionada apenas a compras recentes.
O Voxel testou o sistema no PS4 e PS5 Pro, com jogos novos e antigos, mas não obteve a nova “data de validade” em games recentes. Um sistema similar apareceu apenas no game Infamous Second Son, no PS4, que estava disponível na PS Plus, mostrando que a validade expirou em 2023.
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Quando o console está offline, o sistema do PS5 também exibe botões para “Restaurar Licença” quando o dispositivo não está com as permissões de uso sem internet habilitadas. No entanto, se o console está configurado como principal em sua conta, é possível abrir games digitais sem internet no videogame.
Caso o modo offline esteja habilitado na conta, o jogador só precisa pressionar o botão de Restaurar licença para o game funcionar. Em um caso, foi necessário abrir e fechar duas vezes para tudo operar normalmente sem internet.
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Por outro lado, caso o PS5 não esteja habilitado como principal na conta, o jogo exige conexão na internet para validação. É importante ressaltar que esse tipo de processo é normal e existente em diferentes plataformas.
Respostas do suporte aumentam a confusão
Na tentativa de esclarecer a situação, alguns jogadores recorreram ao suporte oficial do PlayStation, o que deixou tudo ainda mais confuso. As respostas recebidas têm sido contraditórias, o que aumentou as dúvidas sobre o assunto.
Em alguns casos, mensagens atribuídas ao atendimento online indicavam que o “timer de 30 dias” seria um recurso intencional. Em outros, agentes afirmaram que não existe qualquer obrigação de reconectar os consoles periodicamente para continuar acessando jogos digitais.
Para complicar ainda mais o cenário, parte dessas respostas foram dadas por bots de atendimento automatizado com IA, o que levanta dúvidas sobre a confiabilidade das informações fornecidas. Enquanto alguns sistemas do tipo são alimentados com informações verídicas, eles podem simplesmente entrar em estado de devaneio e inventar respostas para tentar solucionar questões do usuário.
Ou seja, até o momento, uma resposta definitiva sobre o contador de validade não foi dada pela Sony.
Comunidade teme impacto na preservação de jogos
Sem uma explicação oficial da dona da PlayStation, a discussão se espalhou por fóruns e redes sociais. Parte dos jogadores teme que um sistema desse tipo possa dificultar a preservação de jogos digitais no futuro, especialmente caso servidores sejam desligados ou plataformas deixem de receber suporte.
Outros acreditam que o recurso pode ter sido implementado para combater fraudes ou abusos envolvendo reembolsos, compartilhamento de contas e desbloqueios. Ainda assim, sem confirmação da empresa, essas hipóteses permanecem apenas como especulação.
Por enquanto, o que existe é um cenário de incerteza: testes sugerem que algum tipo de verificação de licença existe, mas ninguém sabe exatamente como ele funciona, tampouco se a mudança foi planejada ou liberada por engano em atualizações recentes do sistema.
Com isso em mente, a dica é que os consumidores fiquem atentos e cobrem a empresa por respostas. O Voxel segue tentando retorno da Sony sobre a situação e atualizará a matéria caso tenha novidades.
