
Enquanto o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) é disputado pelos dois candidatos mais bem colocados nas pesquisas que medem a disputa pelo governo de Pernambuco, o senador e pré-candidato à Presidência pelo PL Flávio Bolsonaro encontra entraves para a consolidação de uma chapa no estado. A dificuldade na formulação de uma aliança em torno do bolsonarista ocorre após um racha no diretório estadual da sigla culminar na desfiliação do ex-ministro do Turismo Gilson Machado em janeiro deste ano.
O PL de Pernambuco é comandado atualmente pelo ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira, que conta com o apoio do irmão e deputado federal André Ferreira e o aval do presidente nacional do partido, Valdemar Costa Neto. Anderson assumiu o posto após Machado ser preso em julho do ano passado, acusado de ter tentado emitir um passaporte português para o tenente-coronel Mauro Cid — condenado pela trama golpista — e auxiliado um plano de fuga para o ex-ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro.
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A saída do ex-ministro do PL se deu após ele não encontrar espaço dentro da legenda para concorrer ao Senado — espaço que pode ficar com Anderson Ferreira, atualmente sem cargo em Brasília, em uma aposta da sigla para atrair o voto conservador no estado. Machado se filiou ao Podemos no mês seguinte e anunciou candidatura à Câmara, além de subir o tom contra a antiga legenda.
Anotações feitas por Flávio durante reuniões na sede do PL, que vieram a público na semana passada, indicam o desejo da legenda de costurar uma chapa junto a Raquel Lyra (PSD). O entorno da governadora, no entanto, rechaça a possibilidade.
O PL chegou a ser parte da gestão Lyra, mas a aliança foi desfeita. Há o entendimento no governo de que o partido de Bolsonaro é rachado no estado e tem pouca capilaridade política, motivo pelo qual o apoio não traria benefícios à campanha dela pela reeleição. Lyra deve enfrentar o prefeito de Recife, João Campos (PSB), que lidera as pesquisas.
Os registros de Flávio também indicam o interesse em apoiar ao Senado o ex-prefeito de Petrolina e atual presidente estadual do União Brasil, Miguel Coelho, e o deputado federal Mendonça Filho (União). O caminho, no entanto, ainda não foi selado. Enquanto o parlamentar se apresenta como pré-candidato à reeleição na Câmara, Coelho tem manifestado nos bastidores que apostará na neutralidade, sem apoiar nenhum dos candidatos ao Planalto, ao menos no primeiro turno.
Anderson Ferreira defende que as anotações “demonstram a preocupação do partido em encontrar o melhor caminho em Pernambuco”, principalmente no cenário “atípico” no qual os dois principais candidatos ao governo disputam o apoio de Lula.
— Não tenho a menor dúvida de que teremos, sim, uma estrutura política capaz de trabalhar a candidatura de Flávio. Ele certamente obterá uma resposta positiva do eleitorado pernambucano, assim como ocorreu com seu pai — diz o dirigente, que defende ser “natural” o debate no partido durante a formulação da chapa.
Ferreira aponta que o PL realiza debate sobre as eleições de outubro desde o ano passado e a construção de alianças “deverá ser feita a partir de um direcionamento nacional”.
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