A gente sabe que a crise de memórias virou um “pesadelo real” quando as empresas que conseguem manter os preços não são mais capazes de fazer isso.
Posso até discordar de mim mesmo, mas esse talvez seja o melhor momento para comprar um iPhone novo. E falo isso em um momento crítico da crise de memórias, já que diversos fabricantes estão aumentando os seus preços para o consumidor. Nem a Apple escapou, mas as coisas podem ficar ainda piores no ano que vem.
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Diversos modelos do iPad e do Mac ficaram mais de R$ 5 mil mais caros nesta quinta-feira (25) e isso chega como uma espécie de “aviso”:
- O notebook mais barato da companhia ficou até 16% mais caro no Brasil, conforme aponta levantamento do TecMundo;
- O MacBook Neo, lançado como a versão “de entrada” e “acessível” da empresa, saltou de R$ 7.299 para R$ 8.499 no modelo mais básico;
- Na versão com mais armazenamento, esse notebook agora custa até R$ 9.699;
- Quase R$ 10 mil em um notebook que era para ser “barato” chega com aquele sentimento de derrota.
Mas sejamos claros: esses são os preços sugeridos pela Apple em suas lojas oficiais. No varejo, o “MacBook baratinho” já foi visto por cerca de R$ 4,3 mil, que é normalmente onde as pessoas costumam comprar. Os reajustes anunciados nesta semana, é claro, certamente chegarão também às lojas gerais.
O iPhone segue ileso por enquanto. Nenhum dos sete modelos disponíveis no catálogo atual da Apple sofreu alterações de preços até agora, mas provavelmente o smartphone também não ficará de fora dessa festa de mau gosto.
Segundo estimativas das empresas de mercado e consultorias, a Apple também deve realizar reajustes nos preços do smartphone. No modelo iPhone 17 Pro, o acréscimo seria de até 18,2%. Esses aumentos, inclusive, podem ser refletidos na próxima geração (iPhone 18) que deverá ser anunciada em setembro deste ano.
Vai se criando um clima terrível
Eu não diria que estamos passando por um momento de incerteza. As coisas — no caso, todos esses aumentos — já são bem reais há pelo menos seis meses. Tim Cook, CEO da Apple, tinha dito recentemente que isso era “inevitável”.
“Estamos fazendo o possível para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados para nós e temos tentado proteger nossos clientes desses aumentos, mas a situação se tornou insustentável”, afirmou.
Em um novo comunicado, ao se referir ao aumento expressivo nos custos de RAM e armazenamento, a Apple disse que nunca viu um aumento tão grande e tão rápido de um componente.
A culpa desses aumentos expressivos em toda a indústria de eletrônicos de consumo tem nome: a inteligência artificial (IA).
“A indústria de eletrônicos de consumo enfrenta um desafio sem precedentes. A rápida expansão dos data centers de IA gerou um aumento extraordinário na demanda por memória e armazenamento. Nunca vimos o preço de um componente subir tanto e tão rápido”, afirma a Apple.
A empresa ainda reforça: “chegamos a um ponto em que precisamos começar a aumentar os preços de diversos produtos”. Isso basicamente sugere que mais aumentos estão previstos, mas que a empresa parece trabalhar de forma cadenciada para não encarecer todo o catálogo de uma só vez.
Um fato não há como negar: as principais fabricantes de memórias estão cobrando mais caro por produtos de consumo e atendendo mais os data centers e outras empresas de IA. Por um lado, nós ficamos com produtos muito mais caros. Por outro, esses fabricantes ganham muito dinheiro.
O pior está por vir
A gente meio que já sabia. O aumento exponencial nos preços de memórias RAM e SSDs, por exemplo, já vinha afetando e muito o mercado de computadores. As peças individuais sofreram aumentos consecutivos no último semestre, mas um estudo recente da TrendForce afirma que só no primeiro trimestre de 2026 os preços do setor de DRAM subiram 81%.
O cenário que estamos vivendo agora é um tanto entristecedor. Se já está difícil fazer algum upgrade no PC, trocar de notebook ou comprar um celular novo, as estimativas indicam que só lá para 2028 veremos “preços normais” de novo. Comprar um videogame novo, então, é tão complicado quanto. Nintendo e Xbox são ótimos exemplos recentes de aumentos de preços.
Trago mais uma notícia desanimadora: nós, consumidores, não conseguimos competir com esses gigantes da indústria da IA. Tanto que a Micron, uma das maiores fabricantes de memórias do planeta, desistiu da sua marca Crucial — que vendia RAM e SSD para consumidores — para focar na indústria de IA.
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Mas isso é preocupante por um motivo ainda mais específico. Analistas de mercado acreditavam que, ao menos nos smartphones, somente duas empresas conseguiriam “segurar” melhor essa crise e até evitar repassar os custos ao consumidor: Samsung e Apple. A sul-coreana já precisou reajustar os preços e, agora, a norte-americana.
A Apple é muito mais conservadora quando a gente fala de precificação — e acho que todo mundo aqui do Brasil sabe que os produtos deles não são nada baratos. Mas eles não costumam sequer dar descontos em épocas festivas do ano, muito menos possuem aquele histórico de aumentar os preços de produtos depois do lançamento.
Quando a gente olha por esse ângulo, dá para entender melhor que a crise das memórias chegou em um estágio crítico para o consumidor. Não digo isso como uma forma de alarmar ninguém. Os preços já não estão bons, mas as projeções indicam que esse nem deve ser o pior momento para se comprar um eletrônico novo mesmo. Sendo até um pouco mais claro: é melhor comprar agora antes de vermos preços ainda mais absurdos nas lojas.
Se todos esses aumentos são temporários ou não, a gente ainda não sabe. Mas eu não duvido nada de vermos o primeiro iPhone da história que custa mais de R$ 20 mil em breve. E eu nem estou falando do tão aguardado e suposto iPhone dobrável: se o 17 Pro Max de 2 TB que custa hoje R$ 18.499 tiver um aumento de 18% como especulado, seu preço dispara acima dos R$ 21,8 mil.
