Diz o ditado que quem quer ser tudo acaba não sendo nada. O Citroën Aircross XTR tem atributos para querer ser um SUV e sete lugares para incorporar uma minivan. Ele também apresenta um certo refinamento superficial, com um visual mais jovial que sua concorrente Chevrolet Spin. Mas, afinal, o que ele é e quais são seus pontos positivos?
Mesmo com múltipla personalidade, a primeira sedução do Aircross pode ocorrer pelo bolso. A versão XTR é a topo de gama do carro sete lugares mais barato do Brasil, comercializada por R$ 156.490, mas ofertada sempre com desconto por R$ 134.790 no site da marca. Em termos de comparação, o preço da Chevrolet Spin Premier, opção mais cara da minivan concorrente, sai por R$ 165.590.
O Aircross está sempre equipado com o motor T200, o 1.0 turbo flex, associado ao câmbio automático CVT de sete marchas simuladas, que entrega até 130 cv e 20,4 kgfm. É o mesmo conjunto utilizado em outros carros pela Stellantis, como Fiat Pulse e Fastback, para citar.
Ele entrega o esperado para esse tipo de motor e porte e vai de 0 a 100 km/h em 10 segundos com gasolina e 9,5 segundos com etanol. A velocidade máxima é de 197 km/h. Apesar do capô ter uma manta acústica, o motor é ruidoso. O carro tem respostas lentas para para mudanças de faixa e em curvas.

Durante o teste, o computador de bordo anotou 9 km/l na cidade e 15,1 km/l na estrada, sempre com gasolina. Segundo dados do Inmetro, ele faz 12,6 km/l na estrada e 11 km/l na cidade com gasolina. Com etanol, o Aircross alcança 8,9 km/l na estrada e 7,6 km/l na cidade.
Seu concorrente é menos potente e faz números melhores na estrada. Ele é equipado com motor 1.8 flex aspirado com câmbio automático de seis marchas, que rende 111 cv e 17,7 kgfm. Ele faz 13,1 km/l e 10,1 km/l na estrada e cidade, respectivamente, com gasolina, e 9,1 km/l e 7,1 km/l, nas mesmas métricas com etanol.

A lista de tecnologias de assistência ao motorista para a versão XTR engloba partida em rampa, câmera de ré, limitador e regulador de velocidade e monitoramento de pressão de pneus. Em relação à segurança, há quatro airbags (dois frontais e dois laterais dianteiros). É possível notar a ausência de ADAS. O Chevrolet Spin Premier ao menos pode oferecer alerta de colisão frontal, indicação de distância do veículo da frente e frenagem automática de emergência em baixa velocidade. Um dos motivos por sair mais caro.
SUV, minivan ou nenhum dos dois?
O Aircross parece maior do que é, mas tem o tamanho de um SUV compacto, como um Hyundai Creta (4,33 m). São 4,32 m de comprimento, 1,79 m de largura, 1,67 m de altura e 2,67 m de distância entre-eixos. No entanto, o que concede a ele aspectos de SUV e a tranquilidade para superar rampas são: a altura de 23 centímetros diante do solo, o ângulo de entrada de 23,6º e o ângulo de saída de 21,1º.

A suspensão dianteira do Aircross é do tipo independente (McPherson), enquanto a traseira utiliza eixo de torção tradicional. Porém, o conjunto empregado no carro não dá a sensação de SUV. O carro chacoalha bastante, principalmente ao passar em valetas ou em ruas mais desgastadas.
Outro aspecto que chama atenção está no sobrenome XTR, a qual remete a versões aventureiras da Citröen. Na prática, trata-se de um visual cheio de molduras de plástico, adesivos e apliques, mas que ao mesmo tempo mescla com detalhes em preto brilhante. Uma solução simples, mas que faz o carro até chamar certa atenção por onde passa.

Os extras também incluem faixa verde no capô e na coluna “C”, aerofólio traseiro, barras de teto (apenas estéticas), emblema XTR nas portas e na tampa do porta-malas e um adesivo da versão nas soleiras. Para carroceria, apenas a cor Preto Perla Nela é gratuita. Para ter a opção em Branco Banquise com o teto preto, são mais R$ 2.900. Há ainda a versão Cinza Artense com teto preto por R$ 3.890.
A identidade do carro também aparece na carroceria bem vincada e no desenho das luzes do DRL em led. Os faróis altos e de neblina são halógenos. Os retrovisores são da cor do teto e apresentam repetidores. Atrás, as lanternas têm formato de “C”. As rodas de liga leve aro 17 são calçadas com pneus de uso misto 215/60 R17. Os freios têm disco ventilado na frente e tambor atrás.

Ao entrar no Citroën Aircross XTR é possível notar uma mistura de materiais. Houve uma economia, principalmente nas portas, como o uso de plástico rígido, sendo que ao centro há preto brilhante e materiais mais macios. No painel ocorre a mesma coisa, com preto brilhante e materiais mais suaves na “altura dos olhos”, isso sem contar nas costuras em verde, presentes também nos bancos dianteiros, que têm a inscrição XTR.
À disposição do motorista, há poucos botões aparentes e de visualização fácil, como os presentes no painel para o ar-condicionado e no volante para troca de música, volume, rádio/multimídia e comandos no quadro de instrumentos, que tem tela de 7 polegadas de TFT. Os botões escondidos atrás do volante à esquerda estão: trava de abertura de janela, modo sport, trava de portas e limitador de velocidade.
O volante de três raios, os pedais cromados e o apoia braço para o motorista são pontos positivos e ajudam na condução. Porém, os bancos são muito rígidos e não proporcionam total conforto.

A central multimídia de 10 polegadas é a mesma utilizada em C3 e Basalt. O sistema é ligeiramente lento, mas conecta fácil, seja por cabo ou bluetooth por meio do Apple Car Play ou Android Auto. O sistema de som contempla seis alto-falantes e apresenta pequenas distorções, mesmo em volumes baixos.

Na segunda fileira, os bancos têm bom espaço. Há uma saída de ar-condicionado no teto e dois carregadores USB-C. Um dos grandes atributos do carro seria a terceira fileira com dois assentos extras. Eles existem, mas são impraticáveis para adultos. Pessoas com mais de 1,80 m de altura terão dificuldades para entrar e ficar nestes bancos por muito tempo. Com os sete assentos não existe porta-malas. Mas, com eles rebatidos há 493 litros (VDA).

O Citroën Aircross entrega sete lugares para ser minivan, mas com limitações. É um SUV pela sua altura diante do solo, ângulos de entrada e saída e posição de dirigir alta, mas o projeto como um todo parece que não tem essa finalidade. O carro tem pontos positivos para conquistar o consumidor, como preço, economia e certa personalidade, mas o problema é que ele quer ser um carro (ou vários carros) que ele não é. Parece um projeto com crise de identidade – a ponto de ter removido o “C3” do nome no último ano. Talvez, por isso que o Aircross venda bem menos que a Chevrolet Spin. Foram 343 emplacamentos em julho do Citroën ante 1.854 do modelo da Chevrolet.
Ficha Técnica – Citroën Aircross XTR
Motor: gas/eta., diant., transv., 3 cil., 999 cm³, potência: 125 cv (gas) e 130 cv (eta), torque: 20,3 kgfm
Câmbio: automático CVT, 7 marchas, tração dianteira
Direção: elétrica
Suspensão: McPherson (diant.), Eixo de torção (tras.)
Freios: disco ventilado (diant.), tambor (tras.)
Pneus: 215/60 R17
Dimensões: compr., 432 cm; larg., 179,6 cm; alt., 167,7 cm; entre-eixos, 267,5 cm; peso, 1.272 kg; porta-malas, 493 litros (com terceira fileira removida); tanque, 47 l
Desempenho*: 0 a 100 km/h, 10 s (gas), 9,5 s (eta); veloc. máx., 195 km/h (gas), 197 km/h (eta) *Dados de fábrica
