
No quinto dia de conflito no Oriente Médio, o Irã anunciou o adiamento do velório do líder supremo do país, Ali Khamenei, morto em um ataque de Israel e dos EUA ainda nos primeiros momentos da guerra. A cerimônia estava marcada para esta quarta-feira (4), mas foi cancelada horas antes para uma “readequação de infraestrutura” devido ao grande número de participantes. Ainda não há nova data para o funeral.
Após a morte de Khamenei, sua sucessão parecia incerta, mas veio à tona nesta quarta-feira que seu filho, Mojtaba Khamenei, está vivo e é o favorito a assumir o poder no Irã. Depois do ataque de Israel à Assembleia de Especialistas, não se sabia se os possíveis sucessores haviam sido mortos.
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Os Estados Unidos realizaram um ataque submarino a um navio militar do Irã que estava na costa do Sri Lanka.
Israel também atacou alvos em Teerã e um complexo residencial em Baalbeck, no Líbano. Posteriormente, o país emitiu um alerta de evacuação para o sul do Líbano.
A Arábia Saudita, os Emirados Árabes Unidos, o Catar e o Kuwait afirmaram terem sido atacados pelo Irã neste quinto dia de guerra na região.
Números:
- Segundo autoridades iranianas, o número de mortes no país chegou a 1.045;
- Ao menos 87 morreram no ataque ao navio iraniano na costa do Sri Lanka, 32 foram resgatados com vida e outras 61 estão desaparecidas;
- Quatro pessoas morreram no ataque israelense ao Líbano e outras seis ficaram feridas.
Israel ameaça
Com a notícia de que o filho de Khamenei é o favorito para assumir o poder no Irã, o ministro da Defesa de Israel afirmou que o próximo líder supremo iraniano será assassinado, independente de quem for o escolhido.
“Qualquer dirigente eleito pelo regime terrorista iraniano para continuar liderando o plano de destruição de Israel, ameaçando os EUA, o mundo livre, os países da região e reprimindo o povo iraniano, será alvo de assassinato. Não importa seu nome, nem onde ele se esconda”, publicou Israel Katz em suas redes sociais.
EUA garantem ter superioridade sobre o Irã
Por sua vez, o presidente americano, Donald Trump, comentou a incerteza da participação do Irã na Copa do Mundo, que terá os EUA como uma de suas sedes. “Eu realmente não me importo [se o Irã participar]. Acho que o Irã é um país muito derrotado. Eles estão à beira do colapso”, disse Trump em entrevista ao site Politico.
Outra autoridade americana que se manifestou nesta quarta foi o secretário de Defesa, Pete Hegseth, que afirmou que os EUA estão vencendo o Irã e podem lutar pelo tempo que for necessário. “Nossas defesas aéreas e as de nossos aliados têm bastante margem de manobra. Podemos sustentar essa luta facilmente pelo tempo que for necessário”, afirmou Hegseth.
Hegseth disse ainda que os EUA mataram uma autoridade iraniana que chefiava uma unidade responsável por uma suposta conspiração para assassinar o presidente Donald Trump. Por fim, o secretário americano afirmou que os Estados Unidos estão investigando o ataque a uma escola primária no Irã que deixou 168 mortos, a maioria crianças. Ele, porém, não deu mais informações.
Autoridades iranianas negam negociações
O governo do Irã negou que esteja em contato com a CIA, agência de inteligência dos EUA, em negociações secretas pelo fim do conflito. A informação havia sido publicada pelo jornal americano The New York Times. “Pura falsidade e guerra psicológica”, disse uma fonte do Ministério da Inteligência do Irã.
A Guarda Revolucionária iraniana afirmou que tem “controle total” do Estreito de Ormuz. O local é estratégico para o transporte de petróleo e, por isso, foco crescente de tensões.
Em outro tópico, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araqchi, disse ao seu homólogo do Catar, Mohammed bin Abdulrahman al-Thani, que os ataques com mísseis iranianos que atingiram o país eram na verdade direcionados aos interesses dos EUA. O representante do Catar, porém, “rejeitou categoricamente” a afirmação e pediu o fim dos ataques iranianos.
Tensão entre EUA x Espanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, acusou Trump de “jogar roleta russa” com o destino de milhões de pessoas. Sánchez já havia criticado anteriormente a ação americana e israelense no Oriente Médio.
A manifestação do espanhol gerou reação dos EUA, que ameaçaram cortar todo o comércio com o país europeu. A ameaça levou líderes europeus a se manifestarem em apoio à Espanha. Mais tarde, a Casa Branca declarou que o governo espanhol concordou em cooperar com as Forças Armadas americanas.
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