
As exportações de chocolate, cacau e derivados “made in Brazil” avançou 86,1% em mercados selecionados, e somou quase US$ 1 bilhão entre 2021 e 2025. Os dados fazem parte do “Estudo de Acesso a Mercado Cacau e Chocolate”, da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), divulgado com exclusividade ao InfoMoney.
Segundo Igor Gomes, coordenador de Acesso a Mercado da ApexBrasil e um dos responsáveis pelo levantamento, o resultado foi impulsionado por um salto na qualidade da produção nacional e por vantagens em acordos comerciais, especialmente no Mercosul.
Neste período, o maior avanço das exportações foi em chocolate e outras preparações alimentícias com cacau recheado, que cresceu 340%. Em seguida vem o cacau em pó sem adição de açúcar ou edulcorantes (254%) e outras preparações alimentícias de farinhas sêmolas, com até 40% de cacau (129%).
Mas, em volume de negócios, o principal item exportado foi a manteiga e o óleo de cacau, que somaram US$ 452,8 milhões no período.
| Exportação de chocolate, cacau e derivados de 2021 a 2025 (US$ milhões) | ||
| Produtos | Total (2021 a 2025) | Variação (2021 a 2025) (%) |
| Chocolate e outras preparações alimentícias com cacau recheadas em tabletes barras e paus | 10,5 | 340,0% |
| Cacau em pó sem adição de açúcar ou outros edulcorantes | 205,5 | 254,2% |
| Outras preparações alimentícias de farinhas sêmolas amidos féculas ou de extratos de malte sem cacau ou contendo menos de 40% de cacau em peso | 31,1 | 129,7% |
| Pasta de cacau total ou parcialmente desengordurada | 10,9 | 100,0% |
| Chocolate e outras preparações alimentícias com cacau não recheadas em tabletes barras e paus | 54,1 | 64,0% |
| Manteiga gordura e óleo de cacau | 452,8 | 63,9% |
| Outras preparações alimentícias com cacau em blocos ou barras com peso > 2 kg | 9 | 57,1% |
| Outros chocolates e preparações alimentícias contendo cacau | 135,4 | 18,8% |
| Pasta de cacau não desengordurada | 18,6 | -14,0% |
| TOTAL | 927,9 | 86,10% |
Alta na cotação do cacau
Apesar do volume expressivo em negócios, o salto histórico nas cifras de exportação reflete também o cenário global de alta nas cotações. Impulsionada pelas quebras de safra do cacau e pela inflação do açúcar, a variação de preço dos produtos disparou e inflou o volume financeiro transacionado.
A cotação da tonelada do cacau comercializada na Bolsa de Nova York, por exemplo, estava em torno de US$ 2 mil a US$ 3 mil de janeiro de 2022 até outubro de 2023, e começou a subir. O primeiro pico foi em abril de 2024, quando chegou à média de US$ 10 mil a tonelada. Nos meses seguintes, houve um leve recuo, mas os preços ainda estavam acima de US$ 6 mil. Ao final de 2024, a commodity bateu o patamar de US$ 12,5 mil dólares por tonelada (média mensal de US$ 10,5 mil), tornando-se o ativo de maior valorização naquele ano.
Gomes reconhece que o pico de preços das commodities influencia os valores totais exportados. Mas pondera que o avanço das vendas ao exterior é estrutural e vem sendo amparado pela evolução da indústria nacional, com aumento da qualidade e competitividade.
Cacau evolui na qualidade e competitividade
E um dos segredos dessa competitividade está no campo. A planta do cacau cultivada no Brasil é mais nova em determinadas regiões de produção. Por isso, ela consegue entregar uma qualidade superior, em muitos casos. Além disso, o sistema de produção nacional confere uma resiliência estratégica, segundo Gomes. “A gente consegue exportar em algumas épocas do ano em que outros competidores têm baixa na produção ou quebra de safra”, avalia o coordenador.
Essa base permite que a indústria explore nichos. Gomes destaca que programas da ApexBrasil têm focado em promover a exportação de chocolates finos, conhecidos no mercado internacional sob o conceito “bean to bar” (do grão à barra), o que ajuda a consolidar a imagem de excelência do produto nacional no exterior.
Tarifas nos EUA zeradas e o horizonte europeu
Além do aumento da qualidade, que contribui para a competitividade, a entrada dos produtos brasileiros no exterior depende do acesso aos mercados, e a chave para isso são as tarifas alfandegárias.
O mercado que mais teve avanço nas exportações brasileiras foi o dos Estados Unidos, com aumento de 60,8% entre 2024 e 2025. Lá, a tarifa é zero para o cacau e a manteiga de cacau. Os derivados específicos, como cacau em pó, possuem taxas menores, na casa de 52 centavos de dólar por quilo, afirma Gomes.
Na contramão, a União Europeia aplica exigências mais duras. Enquanto o cacau bruto entra no bloco europeu com tarifa zero, derivados como a pasta e a manteiga de cacau encaram alíquotas de até 9,6%. Já para produtos acabados (chocolates), o estudo aponta encargos que chegam a 13,4%, além de tarifas “intracota” de 38%.
A esperança do setor está depositada na diplomacia internacional. Com a entrada em vigor do Acordo Mercosul-União Europeia, o cenário mudará drasticamente.
Assim que os termos do acordo estiverem vigentes, a projeção é de que as tarifas cheguem a zero em dez anos.
Na América do Sul, acordos como o do Mercosul já garantem tarifa zero para exportações ao Uruguai e ao Chile, com o acordo de complementação econômica 35 (Ace-35).
| Principais destinos das exportações brasileiras (2021-2025) | |||
| Produto | Mercados-alvo analisados | Faturamento (2021-2025) | Destaques Recentes (2024-2025) |
| Cacau e Derivados | EUA, Chile e União Europeia | US$ 694,1 milhões | EUA (+60,8%); União Europeia (-10%) |
| Chocolates | Chile, Uruguai, EUA, UE e Reino Unido | US$ 240,2 milhões | Reino Unido (+40,8%); Uruguai (+27,9%); UE (+23,6%) |
De olho nas oportunidades do mercado externo e sabendo da alta concorrência, dominada por grandes marcas, a ApexBrasil estruturou uma rede de suporte para os exportadores brasileiros.
Além dos estudos da área de inteligência de mercado, há o Programa de Qualificação para Exportação (PEIEX). “O programa prepara o exportador de A a Z para ele entender o que tem que fazer para exportar e quais mercados são os mais promissores”, pontua Gomes.
Essa frente técnica trabalha lado a lado com a promoção comercial que insere empresas brasileiras em feiras e rodadas de negócios internacionais, fortalecendo a presença do cacau e do chocolate verde-amarelo nas prateleiras globais.
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