
O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, se reúne nesta quinta-feira, em São Paulo, com a governadora do Distrito Federal (DF), Celina Leão (Progressistas), para discutir a situação do BRB (Banco de Brasília), que enfrenta dificuldades financeiras, atraso na divulgação de resultados e questionamentos sobre sua gestão.
O encontro ocorre em meio à pressão do Banco Central para que o banco regularize sua situação, reforce o capital e apresente balanços atrasados. O BRB também enfrenta problemas de liquidez, ou seja, dificuldades para manter recursos disponíveis no curto prazo, o que aumenta a preocupação de reguladores e investidores.
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Nesta quarta-feira, Celina afirmou que ainda não há definição sobre eventual ajuda do governo federal ao banco, mas indicou que evitar interferências já seria positivo.
— Eu não sei se existe necessidade (de apoio), se eles vão fazer, mas eu acho que, se não atrapalhar, já ajuda muito — disse. Segundo ela, o diálogo entre as instituições é o principal caminho para atravessar o momento.
Na semana passada, após reunião com o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o governo sinalizou que não pretende assumir o controle do BRB nem fazer um socorro direto. Uma alternativa discutida é a venda de ativos para instituições como a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil, além de bancos privados.
Banco Master no centro da crise
Boa parte da crise atual do BRB está ligada à sua relação com o Banco Master. Nos últimos anos, o banco público concentrou grande parte de suas operações na compra de carteiras de crédito da instituição privada.
Esse tipo de operação funciona assim: o banco compra o direito de receber esses empréstimos no futuro, mas também assume o risco de calote. No caso do BRB, a concentração dessas compras no Banco Master foi considerada elevada e acendeu um alerta no mercado.
Segundo informações de auditorias, cerca de 95% dessas carteiras adquiridas vieram do Banco Master, somando mais de R$ 30 bilhões. Isso significa que, se esses créditos não forem pagos como esperado, o prejuízo recai diretamente sobre o BRB.
Uma auditoria independente, já enviada à Polícia Federal, identificou falhas nessas operações, como a compra de carteiras sem análise adequada de risco. Com isso, o banco estima que terá de reservar mais de R$ 6 bilhões para cobrir possíveis perdas.
A crise ganhou um novo capítulo em janeiro, quando a Mastercard passou a deter cerca de 6,9% das ações do BRB. Isso ocorreu após um calote envolvendo o Will Bank, braço digital ligado ao Banco Master.
Como garantia de dívidas não pagas, foram usadas ações do BRB. Com o não pagamento, a Mastercard executou essas garantias e acabou se tornando acionista do banco — embora já tenha sinalizado que não pretende permanecer no controle e que busca apenas recuperar os valores devidos.
Atrasos, pressão e tentativa de reorganização
O BRB ainda não divulgou seu balanço de 2025 dentro do prazo legal e trabalha com a data de 29 de maio para regularizar as informações. O atraso está ligado justamente às investigações sobre as operações com o Banco Master.
Além disso, o banco tenta levantar capital para atender às exigências do regulador e reequilibrar suas contas. Como parte desse processo, também tem adotado medidas para reduzir custos e reorganizar negócios.
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