O Gordon Murray S1 foi apresentado durante o evento The Quail, nos Estados Unidos, parte da Monterey Car Week. A mais nova criação do designer sul-africano que dá nome à marca é uma versão de rua do superesportivo de pista S1 LM. Foi Gordon Murray quem projetou o McLaren F1, que foi o carro mais rápido do mundo no início dos anos 1990, e não é por acaso que este novo carro é tão semelhante.
A novidade combina tração traseira, câmbio manual de seis marchas e a tradicional posição de dirigir central com três assentos, trocando apêndices aerodinâmicos agressivos por um comportamento voltado a viagens de longa distância.
Ao abrir mão da enorme asa traseira fixa e dos divisores de ar da versão de pista, o cupê tem carroceria inteiramente nova em fibra de carbono. A proposta da fabricante é priorizar o equilíbrio dinâmico e a aderência em velocidades de cruzeiro, deixando de lado a busca por valores extremos de pressão aerodinâmica.
Motor 4.2 aspirado que gira até 12.100 rpm
Na traseira, o Gordon Murray S1 preserva o conjunto mecânico desenvolvido pela Cosworth, mas em uma versão com deslocamento aumentado para 4,2 litros. O propulsor aspirado desenvolve 681 cv e 51 kgfm de torque, mantendo o limite de corte nos 12.100 rpm, mas com uma curva de força recalibrada para disponibilizar mais de 80% do torque a partir de 2.500 rpm.

O gerenciamento da tração fica a cargo de uma transmissão manual de seis marchas com trambulador retrabalhado, que utiliza cabos mais retos para tornar os engates mais diretos. A sexta marcha foi alongada para reduzir a rotação em velocidade de cruzeiro, auxiliando no conforto acústico e na autonomia.
No cofre do motor, o isolamento térmico utiliza chapas folheadas a ouro 24 quilates e o escapamento é confeccionado em Inconel. Os componentes internos de competição, como bielas e válvulas de titânio e pistões com revestimento de carbeto de silício, foram mantidos para reduzir a inércia móvel do propulsor.
Dinâmica voltada ao conforto na estrada

Para atender ao perfil estradeiro, a suspensão independente teve a calibração de amortecedores revista e a altura livre do solo foi elevada em 10 mm na comparação com a variante de pista. O conjunto busca filtrar melhor as irregularidades do asfalto sem comprometer a precisão da direção, que conta com assistência elétrica ajustável para manobras lentas ou condução rápida.

Na aerodinâmica, defletores ativos integrados à traseira substituem as peças fixas do modelo de competição. Esses elementos ajustam a inclinação automaticamente conforme a velocidade para garantir estabilidade direcional e auxiliar nas frenagens mais fortes.
Interior com três lugares e acesso facilitado
O habitáculo mantém o motorista posicionado no centro do carro, ladeado por dois bancos para passageiros ligeiramente recuados, como era feito no McLaren F1. O painel combina um conta-giros analógico central a duas telas digitais configuráveis, preservando botões físicos para comandos de climatização e funções primárias de condução.

Diferente do irmão de pista, que utiliza janelas fixas em policarbonato com pequenas aberturas corrediças, o Gordon Murray S1 conta com portas de abertura diédrica que levam vidros convencionais com acionamento elétrico. O vão de abertura foi ampliado para facilitar a entrada e saída dos ocupantes.

A cabine recebeu camadas adicionais de isolamento acústico, revestimento em couro e tecidos personalizados, além de uma central multimídia atualizada e sistema de som de baixo peso. Mesmo com os itens adicionais de comodidade, a fabricante afirma que a meta de peso total em ordem de marcha permaneceu abaixo dos 986 kg registrados pelo T.50.
A Gordon Murray Special Vehicles limitará a produção do S1 a apenas 64 unidades montadas artesanalmente. Cada exemplar será configurado de maneira individual conforme as exigências do comprador, sem repetição de especificações entre os carros fabricados.

Os preços oficiais não foram divulgados, mas as estimativas de mercado indicam valores na faixa dos sete dígitos em libras esterlinas (o que supera facilmente a marca de R$ 20 milhões em conversão direta, sem taxas de importação). As entregas devem ocorrer em escala global ao longo dos próximos anos.
