
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva resiste à ideia de oferecer ajuda financeira ao BRB, banco estatal controlado por um adversário político e pressionado a reforçar capital após perdas relacionadas ao Banco Master.
O governo federal monitora a situação, mas tem pouca disposição para intervir neste momento, segundo pessoas com conhecimento do assunto.
Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, os dois maiores bancos federais e entre as poucas instituições no país com capacidade de balanço para prestar apoio, não foram autorizados pelo Ministério da Fazenda a participar de negociações ou analisar os números do BRB, disseram duas das fontes. Todos falaram sob condição de anonimato para tratar da avaliação interna do governo.
Representantes do Ministério da Fazenda e da Caixa não responderam imediatamente a pedidos de comentário. O Banco do Brasil preferiu não comentar.
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A resistência ocorre em meio ao aumento das tensões antes da eleição presidencial de outubro, à medida que a rivalidade política se intensifica no país, inclusive entre Lula e o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, que controla o BRB.
Rocha é aliado do ex-presidente Jair Bolsonaro e associado ao chamado Centrão no Congresso, grupo de partidos de centro conhecido por formar alianças pragmáticas com governos de diferentes orientações ideológicas em troca de influência política e recursos orçamentários.
O BRB ocupa posição singular na capital federal. É um dos poucos bancos ainda controlados por um estado brasileiro, após a maioria ter sido privatizada nos anos 1990 ou incorporada por Banco do Brasil e Caixa.
Embora não esteja entre os maiores bancos do país, o BRB é a maior instituição financeira a enfrentar dificuldades após exposição ao Banco Master. Instituições menores com vínculos com o Master já foram liquidadas pelo Banco Central.
Antes de quebrar, o Master vendeu carteiras de crédito ao BRB em 2024, em operações que somaram quase R$ 13 bilhões, segundo autoridades brasileiras. Reguladores apontaram as transações ao analisar a proposta de aquisição do Master pelo BRB, posteriormente rejeitada pelo Banco Central. Quando o Master colapsou, o BRB ficou com um déficit de capital estimado em R$ 5 bilhões relacionado a essas operações, disse o diretor de Supervisão do Banco Central, Ailton de Aquino, em audiência à Polícia Federal em dezembro. A lacuna pode ter aumentado com o prolongamento da situação, segundo uma das fontes.
Venda de ativos
O governo do Distrito Federal propôs transferir ativos públicos ao BRB e buscou autorização para elevar o capital do banco em até R$ 8,9 bilhões. O processo, porém, avança lentamente, com algumas medidas dependendo de aprovação da Câmara Legislativa local, onde parlamentares manifestaram preocupações.
Uma assembleia extraordinária de acionistas está marcada para 18 de março para deliberar sobre o aumento de capital. O BRB tem prazo até 31 de março para equacionar o déficit, sob risco de sofrer restrições operacionais mais rígidas conforme as regras do Banco Central.
Representantes do BRB não responderam imediatamente a pedido de comentário.
Mesmo dentro do governo Lula, há quem demonstre preocupação com a postura de não intervenção, observando que o BRB ainda detém cerca de R$ 32 bilhões em ativos pertencentes a fundos estaduais e outras instituições públicas.
Outros integrantes do governo, como a ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, se posicionaram de forma contundente contra a possibilidade de ajuda federal.
“Mídia e banqueiros falando como se fosse normal o Governo Federal fazer aporte para salvar o BRB. Mas o Governo Federal não tem nada a ver com as barbaridades que fizeram lá com o Banco Master”, escreveu ela no X. “Quem tem que apresentar solução para o déficit, e se explicar, é o governador Ibaneis, controlador do BRB e responsável pelo que a gestão do banco fez. Não tentem enfiar essa conta no bolso do povo brasileiro.”
©️2026 Bloomberg L.P.
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