
Com controle reivindicado pelo Irã, que afirma ter fechado o acesso de embarcações sob ameaça de bombardeio na guerra desencadeada por Estados Unidos e Israel, o Estreito de Ormuz é um corredor estratégico para o mercado global de petróleo e gás. Outras commodities, no entanto, também têm a passagem entre o Golfo de Omã e o Golfo Pérsico como rota marítima-chave, incluindo volume relevante de exportações brasileiras com destino a países árabes.
Segundo a consultoria MTM Logix, especializada no monitoramento de embarques internacionais, além de 20% de todo o petróleo do mundo passar pelo estreito, cerca de 25% dos fertilizantes e 35% dos químicos e plásticos comercializados globalmente circulam pela região. Também entram na lista 15% de todos os grãos comercializados no mundo, que têm como destino os países do Golfo Pérsico.
Para as exportações brasileiras, os efeitos são principalmente para o setor de proteína animal e madeira. Levantamento feito pela consultoria Datamar mostra que, no ano passado, 158.300 contêineres saíram do Brasil rumo à Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait.
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Os sete países margeiam o Golfo Pérsico e, por isso, navios com destino a um deles precisam necessariamente cruzar o Estreito de Ormuz. Dos 158.300 contêineres, cerca de 67,9% eram de proteína animal (principalmente frango), além de madeira (13,4%) e papel (2,8%).
Choque logístico
O total enviado no ano passado a esses países representou 4,87% de toda a pauta de exportação marítima brasileira. Para alguns produtos, porém, a fatia foi ainda maior, como é o caso da proteína animal, que chegou a 14,8%, mas alcançou 23,4% especificamente no caso do frango.
— Em termos de carga “conteinerizada”, é muita coisa passando pelo Estreito de Ormuz — analisa Andrew Lorimer, diretor-executivo da consultoria Datamar.
Ele observa que o bloqueio ou paralisação da passagem de embarcações pela região representa um choque logístico e energético global, com efeitos ainda a serem calculados nos preços do petróleo e do frete marítimo.
— Há muita incerteza. Já estamos observando aumentos no frete, com armadores cobrando taxas de guerra para qualquer exportação para esses destinos. É algo em torno de US$ 2 mil a US$ 4 mil por contêiner — destaca Lorimer, lembrando ainda que, além do preço para rotas que envolvem o Oriente Médio, falta de contêineres pode ser registrada, dada a demora nas viagens.
Queda brusca no tráfego
Com a escalada do conflito militar desde o último sábado, o estreito registrou queda brusca no tráfego de navios. Ontem, a gigante chinesa de transporte marítimo de petróleo Cosco anunciou a suspensão das operações para os países do Golfo.
A interrupção das atividades da companhia atinge Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e algumas áreas dos Emirados Árabes e Arábia Saudita. Apenas os portos de Jidá, no Mar Vermelho, e os emiradenses de Khor Fakkan e Fujairah, voltados para o Golfo de Omã, poderão receber serviços sem passar pelo Estreito de Ormuz.
Com a decisão, a estatal chinesa se une a outras grandes companhias de navegação, incluindo Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, que decidiram suspender o tráfego na região devido ao fogo cruzado nessa importante via marítima.
A Marsh e a Aon, duas das maiores corretoras de seguros do mundo, anunciaram que estão em negociações com o governo dos EUA sobre um plano para ajudar a segurar navios-tanque que atravessam o estreito. O presidente Donald Trump afirmou na terça-feira que a US International Development Finance Corporation (DFC, na sigla em inglês), instituição de financiamento de desenvolvimento do governo, oferecerá seguros “a um preço muito razoável” para ajudar a garantir o fluxo de cargas no Golfo.
Aviação
No setor de aviação, o número de voos cancelados para hubs do Oriente Médio ultrapassou 20 mil desde o início dos combates.
A Emirates, maior companhia aérea internacional do mundo, prorrogou a suspensão de voos para Dubai até o fim de sábado, quando completa uma semana desde que Estados Unidos e Israel lançaram a primeira onda de ataques conjuntos ao Irã. A Qatar Airways estendeu a paralisação até sexta-feira.
Dos 36 mil voos programados de ou para o Oriente Médio desde 28 de fevereiro, mais da metade foram cancelados. Isso equivale a cerca de 4,4 milhões de assentos. Problemas financeiros e logísticos se intensificam, e milhares de passageiros ficam retidos na região do Golfo e recorrem a rotas alternativas e mais caras para chegar a aeroportos em funcionamento.
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