Um homem foi preso em flagrante na tarde de sexta-feira (24), em Atibaia (SP), suspeito de incendiar o carro e a motocicleta da companheira e mantê-la em cárcere privado dentro da residência do casal. O caso foi registrado pela Polícia Civil como violência doméstica, dano e cárcere privado.
Segundo o boletim de ocorrência, equipes da Guarda Civil Municipal foram acionadas após moradores informarem que um veículo estava completamente em chamas em uma rua do bairro Jardim Imperial. O Corpo de Bombeiros foi chamado e conseguiu controlar o incêndio.
Após consulta aos sistemas policiais, os agentes identificaram a proprietária do automóvel e foram até o endereço cadastrado. No local, o suspeito teria admitido espontaneamente aos guardas que incendiou o carro por acreditar estar sendo traído pela companheira. Ainda de acordo com o registro policial, ele também afirmou ter colocado fogo na motocicleta da vítima.
Em depoimento, a mulher relatou que nunca manteve relacionamento extraconjugal e atribuiu as acusações a um comportamento de ciúmes excessivos e controle exercido pelo companheiro ao longo dos últimos anos. Conforme o boletim, ela afirmou que tinha redes sociais, ligações telefônicas e contatos pessoais monitorados e que sua liberdade era frequentemente restringida.
Ainda segundo o relato da vítima, após incendiar os veículos, o homem retornou para a residência portando uma marreta, trancou todas as saídas da casa e impediu que ela e o filho de cinco anos deixassem o imóvel. Conforme a versão apresentada, ele exigia que a companheira confessasse uma suposta traição e ameaçava destruir outros bens da residência caso ela continuasse negando as acusações.
A mulher informou que somente conseguiu deixar o imóvel após a chegada da Guarda Civil Municipal. Ela também relatou episódios anteriores de violência psicológica, controle sobre sua rotina, destruição de um aparelho celular e restrições de comunicação e convivência social. Ao final do depoimento, solicitou medidas protetivas previstas na Lei Maria da Penha.
Durante o interrogatório, o investigado confirmou ter incendiado o automóvel e a motocicleta, alegando que ambos haviam sido adquiridos com recursos provenientes de seu trabalho. Segundo o boletim, ele afirmou que sua intenção era “punir a si mesmo” diante da suspeita de infidelidade e negou ter mantido a companheira e o filho em cárcere privado ou utilizado a marreta para intimidá-los.
A Guarda Civil Municipal informou que o suspeito colaborou durante toda a abordagem, não sendo necessário o uso de algemas. A marreta mencionada pela vítima foi apreendida e apresentada na delegacia.
A Polícia Científica realizou perícia nos locais onde os veículos foram incendiados para documentar os danos e coletar vestígios. Conforme o boletim, o investigado não possuía antecedentes criminais.
Diante dos elementos reunidos, a autoridade policial ratificou a prisão em flagrante pelos crimes, em tese, de dano e cárcere privado, ambos em contexto de violência doméstica e familiar contra a mulher. O caso seguirá sob investigação da Polícia Civil.
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