Setembro de 2026 vai ficar conhecido na história como o mês que levou muitos fãs de videogame à falência. É o temido período do ano em que a carteira chora e a mãe não vê. Parte dessa culpa, obviamente, se deve ao fato de que todas as empresas do mundo estão antecipando seus produtos e fugindo de um fenômeno cultural chamado GTA VI. Compreensível, vai.
Em um mar de ótimos lançamentos, com opções para todos os gostos, Hot Wheels Infinite Rush é uma boa pedida para quem, desde o lançamento de Forza Horizon 6, anseia por mais corridas arcade. Falando na franquia mais prolífica da Microsoft, acima de Gears e Halo, Forza fez escola para muitos games do gênero, e agora Hot Wheels tem um Horizon para chamar de seu.
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Produzido pela Milestone S.r.l., desenvolvedora PhD em títulos de corrida, como MotoGP e Ride, Hot Wheels Infinite Rush eleva o trabalho realizado em títulos anteriores e tem como grande trunfo suas quatro ilhas exploráveis, que operam, em formato e escopo, como pequenos mundos abertos. Apesar de trazer boas novidades, trata-se de mais um ótimo game de “brinquedo” sem grandes pretensões.
Horizon de brinquedo
Como eu vinha dizendo, os mapas abertos de Infinite Rush são um convite à exploração e estimulam o jogador logo de cara a desbravá-los em busca de atividades, desafios e uma infinidade de colecionáveis. Se você vem de Hot Wheels Unleashed, poucos minutos são necessários para perceber que a campanha estruturada em eventos foi completamente abolida.
Cada uma das quatro regiões do arquipélago possui um chefão, o Rush Master, que precisa ser vencido para que você avance para uma nova área e, por consequência, desbloqueie mais uma batelada de tarefas, desde atropelar o maior número de peças dentro de um limite de tempo até tirar fotos de pontos turísticos e disputar rachas contra gangues locais.
É nítido o empenho do estúdio em tentar diversificar ao máximo as atividades de um jogo de corrida que, bem, não se limita às corridas. Há, por exemplo, centenas de colecionáveis, incluindo engrenagens e grafites, que fazem alguns obstáculos se transformarem quase em uma experiência de plataforma 3D oriunda do PlayStation 2.
Playgrounds em formato de maquete
As ilhas são verdadeiros playgrounds de acrobacias e drifts, cada qual com uma temática visual única, com destaque para uma recriação miniaturizada do Japão e a arquitetura marcante de seus templos. A área repleta de areia, por sua vez, me remeteu às regiões desérticas dos Estados Unidos, como os vales secos de Nevada, cenário adequado para disputas off-road.
Ao contrário de outros games de carro, a graça aqui é justamente não ver o mundo reagir às suas ações, por mais estranho que isso possa soar. Como era para ser, o mundo parece mesmo uma maquete: você pode destruir qualquer composição sem ser penalizado por isso, como se estivesse literalmente brincando com carrinhos em miniatura.
Não houve um momento sequer ao longo da campanha de quase 20 horas que me fez querer parar de jogar pela repetição de coisas para fazer. É, na verdade, o oposto disso: queria ter feito muito mais das missões que estão disponíveis, mas chega um momento em que tudo o que sobra, depois de ter limpado o mapa, são as disputas multiplayer.
Ainda que as ilhas não sejam exatamente enormes, sinto que suas áreas poderiam ter sido melhor aproveitadas, talvez se a produtora contasse com um pouco mais de tempo no ciclo de desenvolvimento. Em outras palavras, há espaços subaproveitados que teriam rendido ótimos circuitos para outras corridas.
Satisfatório é pouco
A jogabilidade, o elemento fundamental de qualquer jogo de corrida, está mais refinada que nunca em Hot Wheels Infinite Rush. A arte de controlar carros de brinquedo foi dominada pela Milestone S.r.l. e, honestamente, não vejo mais como melhorar. São quatro tipos de veículo ao todo, cada um com suas particularidades, pontos fracos e fortes.
Trocar de miniatura se faz necessário para superar determinados desafios, uma vez que os terrenos exigem atributos diferentes. Ao cumprir objetivos de derrapagem, você naturalmente precisa de um carro mais, digamos, maleável na direção, próprio para drift, enquanto embates de velocidade pedem Speeders, cujo controle é mais rígido, apropriado para pilotar em ritmo frenético.
Os mais de 150 Hot Wheels disponíveis despertam o colecionismo que vive entre nós, e você pode comprá-los com as moedas adquiridas como recompensa nas atividades que cumpre. Mais que instigar o espírito colecionista, investir em novos modelos é a forma mais eficaz de, gradualmente, progredir, considerando os atributos de cada carrinho.
Derrapar é uma das sensações mais satisfatórias que se pode ter em Infinite Rush. Inclusive, você vai querer deslizar no drift até nos momentos inoportunos, o que não costuma custar caro nas corridas, dado o nível de dificuldade muito baixo do game, mesmo jogando no normal, o que parece uma tentativa clara de atrair públicos de outras faixas etárias.
O senso de velocidade é outro aspecto que me fez querer circular pelos mapas mesmo sem ter o que fazer, por pura terapia. Correr nas pistas de loop vertical, aquelas em que você fica de ponta-cabeça, com o carrinho energizado com um “imã” em sua base, é absolutamente cinema. O tipo de sensação que é difícil de transmitir com palavras, só jogando para ver.
A lição de casa para um Infinite Rush 2
O que me atrapalhou, no entanto, foram as telas excessivas de carregamento que, mesmo em um PS5 Pro, demoravam alguns bons segundos para me levar até o mundo aberto ao final de uma missão. Incompreensível para um título que não se propõe a ser técnico, tampouco é exigente em termos de hardware no PC.
Outro desconforto que senti foi a ausência de indicadores durante as corridas. Sim, existem ícones e marcadores pelos quais você tem que passar, mas é comum se perder em meio às distrações visuais que esse playground colorido promove. Você raramente vai precisar recomeçar uma prova pelo fator dificuldade, e sim por ter se desvirtuado sem querer da rota principal.
Vale a pena?
Hot Wheels Infinite Rush bebe da fonte de Forza Horizon para entregar a melhor representação dos carrinhos da Mattel nos videogames. A estrutura de mundo aberto parece feita sob medida para o playground de veículos de brinquedo, com atividades variadas que fazem bom uso das mecânicas acrobáticas e de drift, apesar de sua ambição ser miniaturizada quando o assunto é quantidade de conteúdo.
Nota: 80
Pontos positivos (Prós):
- Estrutura em mundo aberto;
- Atividades variadas espalhadas pelos quatro mapas;
- Grande quantidade de miniaturas para desbloquear;
- Dirigibilidade dos carrinhos no seu ápice;
- Bom visual.
Pontos negativos (Contras):
- Telas de carregamento excessivas;
- Espaços subaproveitados dos mundos;
- Sinalização confusa durante as corridas.
Uma cópia de Hot Wheels Infinite Rush foi gentilmente fornecida pela Milestone S.r.l. para fins de análise no PS5 Pro. O jogo está disponível par PS5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC.

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