A empresa de tecnologia Anthropic revelou, em artigo publicado na última terça-feira (28), que seu novo modelo de IA, o Claude Mythos Preview, conseguiu encontrar falhas matemáticas diretamente em uma estrutura de algoritmos de criptografia. Até então, os sistemas só eram capazes de identificar erros humanos cometidos no momento em que um programador escrevia o código. Desta vez, a ferramenta encontrou defeitos na própria lógica das fórmulas.
A principal vítima foi o HAWK, um sistema de assinatura digital que passava por testes no governo dos Estados Unidos para proteger dados contra futuros ataques quânticos. O Claude encontrou uma espécie de “padrão escondido” na matemática do projeto que permitiu cortar a força das chaves de proteção pela metade. A descoberta levou cerca de 60 horas de processamento autônomo e custou aproximadamente US$ 100 mil em uso de servidores.
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Posicionamento do HAWK
Assim que recebeu os dados da Anthropic, a equipe técnica responsável pelo HAWK confirmou o problema e anunciou a desistência do projeto. Em mensagem enviada ao fórum oficial do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA (Nist) nesta quarta-feira (29), o pesquisador Leo Ducas declarou:
“Gostaríamos de agradecer à Anthropic por sua contribuição para a análise criptográfica do HAWK e por se comunicar conosco ao longo de todo o processo. Confirmamos que o ataque deles reduz aproximadamente pela metade o tamanho do bloco necessário para recuperar uma chave secreta. Abordagens simples para contornar isso tornariam o HAWK não competitivo. Como tal, retiramos nosso candidato HAWK do processo de padronização do NIST”, afirmou.
Além do sistema que estava em testes nos EUA, o Claude criou um “atalho” para acelerar em até 800 vezes um ataque teórico contra o AES, o método de proteção mais usado na atualidade para guardar dados de bancos, e-mails e aplicativos de mensagem. No caso dessa segunda estratégia, contudo, a descoberta é puramente acadêmica.
A tecnologia conseguiu quebrar apenas uma versão bastante simplificada do código (com sete das dez camadas de proteção). Mesmo para este formato reduzido, o ataque exige que o invasor tenha acesso prévio a um volume astronômico de dados: mais de 40 septilhões de mensagens de texto de teste, algo inviável na prática.
A Anthropic garantiu que nenhuma das descobertas traz risco imediato para os usuários ou para sistemas em funcionamento na internet. Em comunicado oficial, a empresa destacou a rapidez do modelo em comparação à análise humana:
“Apesar de o HAWK ter sobrevivido a duas rodadas de revisão de especialistas humanos ao longo de dois anos, o Mythos conseguiu melhorar o melhor ataque conhecido contra ele em apenas 60 horas de trabalho. No longo prazo, esperamos que os modelos de linguagem desempenhem um papel importante nesse processo, o que deve resultar em revisões mais rigorosas e algoritmos mais seguros para todos”, escreveram os especialistas.
O principal gargalo do experimento acabou no lado humano. Afinal, enquanto o software levou poucos dias para criar as teorias, dois pesquisadores da Anthropic passaram quase um mês inteiro na revisão das equações para garantir que os achados estavam corretos.
Falando sobre segurança digital, pesquisadores da empresa Qualys descobriram uma falha de nove anos no Linux que permite acesso total a servidores e sistemas corporativos. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
