A MG ainda é uma marca nova no Brasil e já prepara uma expansão com uma submarca. A IM Motors foi confirmada para o país, chegando no segundo semestre e o seu primeiro modelo apareceu em testes por aqui, praticamente sem camuflagem. O IM LS6 foi fotografado pelo nosso leitor Carlos Ramos enquanto carregava, escondendo somente o logotipo da empresa.
O posicionamento do modelo também entrega o posicionamento da marca. Trata-se de um produto premium, mirando tanto nos novos rivais chineses, como Zeekr e Denza, quanto o trio tradicional formado por Audi, BMW e Mercedes-Benz.
A estrutura comercial da nova marca seguirá o modelo de operação conjunta, de forma semelhante ao que a Caoa executa com a Avatr. Os veículos da IM Motors serão comercializados dentro da rede de concessionárias da MG, que passará dos atuais 25 para 70 pontos de venda em todo o território nacional. Dentro destas lojas, haverá áreas exclusivas para a exposição do SUV cupê, garantindo uma diferenciação de posicionamento para o consumidor que busca o segmento superior ao da marca-mãe.
A unidade fotografada no Brasil mostra um problema que a MG terá que considerar: o carro já está com o design desatualizado. O LS6 passou por dois facelifts, um em 2024 (que trouxe o visual do veículo visto nas fotos) e outro em 2025, que alterou consideravelmente a parte dianteira. A entrada de ar no para-choque foi alargada e os faróis ficaram maiores em um formato de “Y”, integrando as luzes de neblina que antes ficavam separadas.

O interior também mudou bastante. O modelo em testes no Brasil utiliza um display retangular único que ocupa metade do painel e uma segunda tela posicionada no console central. Isto mudou na linha 2026 na China, com a segunda tela sendo movida para o painel, ficando em frente ao passageiro. A alteração liberou espaço no console central, aumentando o espaço do porta-objetos e colocando o carregador sem fio para celulares um pouco mais à frente. Ainda é vendido por lá com a opção de volante no estilo manche.

Como é o IM LS6?
Na configuração topo de linha, o IM LS6 utiliza dois motores elétricos, um em cada eixo, que geram tração integral e potência combinada de 751 cv. O torque máximo é de 80,2 kgfm, o que permite ao utilitário acelerar de zero a 100 km/h em 3,5 segundos. O conjunto é sustentado por uma arquitetura elétrica de 800 V, sistema que suporta recargas ultrarrápidas de alta potência. Nessas condições, o proprietário pode elevar o nível da bateria de 10% para 80% em 18 minutos.
Para o mercado brasileiro, a fabricante deve oferecer opções de baterias com 75 kWh e 100 kWh. No ciclo WLTP, a autonomia homologada atinge 624 km, embora esse número deva sofrer a redução característica nos testes oficiais do Inmetro. Para evitar as limitações de alcance em viagens longas, o modelo ganhou uma variante híbrida do tipo EREV (veículo elétrico com extensor de alcance). Nessa versão, um motor 1.5 turbo funciona apenas como gerador para as baterias, permitindo um alcance total superior a 1.500 km.

O chassi do utilitário incorpora soluções para compensar o peso elevado das baterias e melhorar a agilidade urbana. O sistema de esterçamento do eixo traseiro permite que as rodas de trás acompanhem o movimento da direção, reduzindo o diâmetro de giro em manobras de estacionamento. Além disso, o modelo adota a direção steer-by-wire, que elimina a conexão física da coluna de direção por comandos totalmente eletrônicos, ajustando as respostas de acordo com a velocidade.
O pacote tecnológico inclui recursos de assistência ao condutor (ADAS) como frenagem autônoma de emergência, leitura de placas de sinalização, alerta de ponto cego e assistente de permanência em faixa. O sistema de frenagem também possui modulação eletrônica para evitar solavancos em congestionamentos, suavizando a pressão nos discos de freio. O visual externo prioriza o coeficiente aerodinâmico, com um caimento de teto acentuado que direciona o fluxo de ar para otimizar o consumo de energia.
Com 4,91 m de comprimento, o IM LS6 supera em dimensões o Audi Q5 Sportback (4,68 m). No interior, a cabine é dominada por um painel digital contínuo de 26,3″, que integra os instrumentos e o sistema multimídia. Uma segunda tela no console central gerencia o sistema de climatização. O porta-malas traseiro oferece 665 litros de capacidade, volume superior ao de um Volkswagen Tiguan Allspace (686 litros com cinco lugares), somado a um compartimento dianteiro de 32 litros.
A chegada definitiva do modelo ao mercado nacional é aguardada para o Festival Interlagos, onde os preços oficiais serão revelados. Em mercados internacionais, o SUV cupê tem preços que, em conversão direta, ficariam próximos de R$ 380.000, valor equivalente ao de um Volvo XC60 de entrada no Brasil. A tendência é que o modelo chegue com preços competitivos para enfrentar o Zeekr 7X e o BYD Tan.
