Os casos de esclerose múltipla, doença crônica e neurodegenerativa, aumentaram na região. Segundo dados da Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo, a DRS (Diretoria Regional de Saúde) de Campinas, que abrange 42 municípios, registrou 152 internações por causa da doença, em 2025. O número é 22,5% maior que o registrado em 2024, quando ocorreram 124 casos.
Já a parcial das internações, que abrange janeiro a março desde ano, apontam que o SUS estadual da região de Campinas já registrou 26 internações por esclerose múltipla.
Em entrevista a EPTV Campinas, o médico neurologista Fabrício Borba atribuiu o crescimento das internações tanto a um aumento nos diagnósticos quanto à falta de acesso a tratamento.
“A partir do momento que os profissionais de saúde, os médicos começam a dar mais diagnósticos, a gente, aparentemente, tem um aumento dos casos. Mas também existem outras possibilidades que levam ao aumento da necessidade de internações. Por exemplo, falta de acesso ao tratamento adequado, seja ao medicamento por uma interrupção no fornecimento, seja por falta de médico especialista. Isso pode levar a surtos da doença que tenham mais necessidade de internação”, explicou o neurologista.
Segundo Borba, a esclerose múltipla é uma doença crônica e autoimune que afeta o sistema nervoso central, que é responsável pelo controle dos movimentos e a percepção do ambiente.
“É uma doença que vai acontecer, em geral, em surtos e remissões, ou seja, tem episódios de piora e momentos de melhora. Mas, em alguns casos, ela se apresenta de uma forma progressiva, em que ela vai evoluindo lentamente, embora não seja a maior parte dos casos”, disse o médico.
Ele explicou que, por se tratar de uma doença multifocal, a esclerose múltipla afeta diferentes regiões do cérebro, o que resulta em vários tipos de sintomas. Entre os mais comuns estão paralisia e desequilíbrio, mas a fala e a visão também podem ser afetadas.
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Anvisa amplia medicamento para crianças a partir de 12 anos
Recentemente, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) ampliou o acesso ao cloridrato de fingolimode, medicamento usado no tratamento contra esclerose múltipla, para crianças a partir de 12 anos. O remédio é um anticorpo que contribui para a redução da atividade inflamatória, que é associada à doença.
De acordo com o neurologista, ainda que a esclerose múltipla seja mais diagnosticada em pessoas com idades entre 25 e 35 anos, ela ainda pode ocorrer em qualquer idade. Por isso, a aprovação da medicação a partir de 12 anos é importante.
“A esclerose múltipla em faixas etárias fora do mais comum acaba, em geral, tendo uma dificuldade maior de tratamento. O fato de a gente ter uma medicação de alta eficácia nessa faixa etária vai permitir que mais pessoas tenham controle naquele momento, que é uma janela inicial que a gente consegue controlar e evitar uma progressão e sequelas ou incapacidades futuras”, disse Fabrício Borba.

Quem vive com a doença
A analista de ouvidoria Thais de Oliveira Silva convive com adoença. Ela contou que começou a sentir os primeiros sintomas após um dia comum de trabalho.
“Eu senti um incômodo na vista, uma fadiga que não era normal. Comecei sentindo o corpo ficando doente, gripado e, ao longo do dia, eu senti que tinha um cisco no olho, que somente crescia. Procurei ajuda médica, fui na Unicamp e, após vários exames, eu tive a confirmação que seria a esclerose múltipla”, relatou.
Depois de buscar tratamento psicológico, Thais afirmou que aprendeu a conviver com a doença.
“Busquei apoio psicológico para eu entender como que eu realmente poderia seguir esse caminho e graças a Deus, graças aos médicos e ao tratamento, hoje eu tenho uma vida parcialmente normal”, disse.
Ela também destacou a importância do tratamento e da ampliação do acesso ao cloridrato de fingolimode. “Quanto mais breve, quanto mais precoce, você inicia o tratamento, menor chances de você ter novas lesões, ter novos surtos. Então, ele dá sim qualidade de vida, mais esperança de que a gente vai poder ter uma vida minimamente normal”, finalizou.
*Com informações da EPTV Campinas
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