O vídeo que mostra um encontro entre o então chefe dos investigadores da Dise (Delegacia de Investigações Sobre Entorpecentes) de Campinas, Maurício Aparecido de Oliveira, e o empresário José Ricardo Ramos foi gravado a pedido do próprio empresário, segundo apuração do Ministério Público.
A gravação foi encontrada no celular de José Ricardo, preso em agosto de 2025 durante a Operação Pronta Resposta. De acordo com as investigações, o vídeo foi feito pela amante do empresário – ambos foram presos em agosto de 2025, na Operação Pronta Resposta.
Segundo o MP, a reunião aconteceu cerca de uma semana antes da operação que desarticulou um grupo suspeito de planejar o assassinato do promotor Amauri Silveira Filho, integrante do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Os vídeos passaram a ser analisados pelos investigadores porque registram um encontro entre os dois suspeitos justamente nos dias que antecederam a ação que impediu a execução do suposto atentado. A apuração busca esclarecer se informações sigilosas relacionadas à investigação teriam sido repassadas ao grupo criminoso.

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Prisão de ex-chefe da Dise
Maurício Aparecido de Oliveira foi preso nesta terça-feira (9) durante uma operação que investiga possíveis ligações de agentes públicos com integrantes do PCC (Primeiro Comando da Capital).
Na época do encontro registrado nas imagens, ele ocupava o cargo de chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Atualmente, estava na 1º Distrito Policial da cidade.
Já José Ricardo Ramos segue apontado pelo Ministério Público como um dos principais envolvidos na execução do plano para matar o promotor do Gaeco. Ele está preso desde agosto de 2025.
Operação investiga vazamento de informações
A operação realizada nesta terça também resultou na prisão de um ex-policial civil e de um ex-estagiário do Ministério Público. Os investigados são suspeitos de acessar e repassar informações sigilosas que poderiam beneficiar integrantes de organizações criminosas.
Responsável pela investigação, o promotor Marcos Tadeu Rioli afirmou que a ação demonstra o compromisso das instituições em identificar e afastar servidores que atuem em benefício do crime organizado.
“Há uma preocupação muito grande das instituições em extirpar dos quadros essas laranjas podres”, afirmou.
Segundo Rioli, a atuação conjunta entre Ministério Público e forças de segurança busca impedir que informações privilegiadas sejam utilizadas para favorecer atividades criminosas.
“Quero dizer que a população, a sociedade, pode ter a certeza de que as instituições estão trabalhando para que todos recebam um serviço público eficiente, contínuo e da mais forma transparente”, declarou o promotor.
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O que o Ministério Público investiga
A partir das imagens, o Gaeco passou a apurar se Maurício Aparecido de Oliveira teria repassado informações sobre a investigação ao empresário.
José Ricardo Ramos foi preso em agosto de 2025 durante a Operação Pronta Resposta e é apontado pelo Ministério Público como um dos principais envolvidos na articulação do plano para matar Amauri Silveira Filho.
Para os investigadores, o fato de o encontro ter ocorrido às vésperas da operação levantou suspeitas sobre um possível vazamento de informações relacionadas à ação policial.
Prisão na Operação Infiltrados
Maurício Aparecido de Oliveira foi preso nesta terça-feira durante a Operação Infiltrados. Na época do encontro registrado nas imagens, ele era chefe dos investigadores da Dise de Campinas. Atualmente, estava lotado no 1º Distrito Policial de Campinas.
A operação investiga a atuação de agentes públicos suspeitos de manter relações com integrantes do PCC e de utilizar informações privilegiadas para beneficiar criminosos.
Além de Maurício, também foram presos um ex-policial civil e um ex-estagiário do próprio Ministério Público (veja quem são aqui). Ao todo, a operação cumpriu três mandados de prisão temporária e dez mandados de busca e apreensão em Campinas e Cardoso.
Operação é desdobramento de investigações do ano passado ligadas ao PCC
A Operação Infiltrados é resultado de duas investigações realizadas pelo Gaeco no ano passado.
A primeira foi a Operação Pronta Resposta, deflagrada em agosto de 2025, que investigou uma organização criminosa ligada ao PCC suspeita de planejar um atentado contra o promotor Amauri Silveira Filho.
A segunda foi a Operação Off White, realizada em outubro, que apurou um esquema de lavagem de dinheiro ligado a dois dos traficantes mais procurados do país, entre eles Sérgio Luiz de Freitas, conhecido como “Mijão”.
Nos últimos meses, as investigações do Gaeco indicaram que, uma semana antes da deflagração da operação Pronta Resposta, um dos principais acusados, responsável direto pela execução do plano para matar o promotor de justiça do Gaeco, se reuniu com o chefe dos investigadores da Dise de Campinas.
No material apreendido, foram localizados vídeos que mostram o encontro realizado entre os investigados, justamente às vésperas da deflagração da operação que viria a frustrar o suposto atentado contra o membro do Ministério Público.
O Gaeco apura as informações privilegiadas e sensíveis que teriam sido repassadas ao criminoso pelo investigador de polícia.
Em outro foco investigativo também decorrente das Operações Pronta Resposta e Off White, o Gaeco descobriu que um dos principais membros da organização criminosa estava sendo vítima de extorsão, praticada por agente que se valia de informações privilegiadas.
Com o aprofundamento do trabalho, o Gaeco apurou que o responsável direto pela extorsão praticada contra o membro da organização criminosa seria um então estagiário do próprio Ministério Público que, ao que tudo indica, meses antes, teria propositadamente se infiltrado em uma das Promotorias de Justiça Criminais de Campinas para fins criminosos.
Utilizando os bancos de dados e sistemas de pesquisa e contando com o auxílio de outros agentes públicos, o então estagiário teria conseguido identificar criminosos de alto poder econômico e extorquido dinheiro em troca de suposta proteção nas investigações.
Entre esses agentes públicos, estariam o policial penal e o ex-policial civil, alvos da operação desta quinta. O policial civil já tinha sido expulso anos atrás pelo crime de extorsão mediante sequestro. Também foram colhidos elementos que apontam que os atos de extorsão teriam sido praticados pela internet em um escritório de advocacia.
Na análise de um celular apreendido com Maurício Silveira Zambaldi, o “Dragão”, empresário preso no ano passado suspeito de participar de plano para matar o promotor, foi encontrada uma cobrança de R$ 500 mil para que não fossem enviadas informações para o Gaeco sobre a atuação dele.
Ainda não se sabe se algum investigado chegou a pagar pelas informações oferecidas. A operação desta terça tem como objetivo também colher mais provas e elementos sobre essa questão.
O então estagiário pediu para sair da Promotoria semanas após as operações que envolviam o alvo “Dragão” e foi trabalhar em um escritório de advocacia na região de Campinas, que também foi alvo de buscas na Operação Infiltrados.
“A gente vai aprofundar essa relação deles, dos investigados com a organização criminosa, mas fato é que o investigado que foi extorquido tinha relação próxima da facção criminosa do PCC. Tudo isso será melhor esclarecido ao longo das investigações”,
afirmou.

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Quem é Amauri Silveira Filho
O promotor Amauri Silveira Filho atua no Ministério Público em Campinas desde 1999 e integra o Gaeco há cerca de 20 anos.
Ao longo da carreira, ficou conhecido por conduzir investigações envolvendo corrupção em contratos públicos e policiais suspeitos de ligação com o tráfico de drogas.
Um dos casos de maior repercussão foi a investigação da Sanasa, em 2011, que resultou na prisão de 11 pessoas, entre secretários municipais e ex-diretores da autarquia.
Segundo o Ministério Público, o esquema envolvia pagamento de propina, favorecimento de empresas em contratos públicos, combinação de preços e superfaturamento. Entre os desdobramentos do caso esteve a cassação do então prefeito de Campinas, Hélio de Oliveira Santos, em agosto daquele ano.
Outro trabalho de destaque ocorreu entre 2012 e 2013, quando Amauri participou das investigações contra policiais civis ligados ao traficante Wanderson Nilton de Paula Lima, o “Andinho”, que continuava comandando atividades criminosas mesmo preso em Presidente Venceslau.
As apurações apontaram o envolvimento de 13 policiais civis e 10 traficantes em um esquema de vazamento de informações, facilitação do tráfico e extorsão de criminosos.
Em 2013, o promotor recebeu uma carta com ameaças de morte, além de informações pessoais e fotografias de sua residência e familiares.
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O que diz o Ministério Público
Em nota, o Ministério Público de São Paulo informou que “todos os fatos estão sob apuração no Gaeco” e destacou a atuação conjunta das forças de segurança.
Segundo o órgão, “o apoio das Polícias Militar, Civil e Penal demonstra que as instituições estão trabalhando em conjunto para a depuração de seus quadros, garantindo que a sociedade sempre tenha à disposição um serviço público eficiente, contínuo e transparente”.

*Com informações de Júnia Vasconcelos/EPTV Campinas
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